Ruptura de monge com a fé católica iniciou processo que gerou diferentes vertentes da fé.

A reforma protestante foi um movimento iniciado no século XVI que levou a uma ruptura dentro do mundo cristão.
A origem dessa movimentação está na insatisfação do monge alemão Martinho Lutero com as autoridades católicas da época.
Em 31 de outubro de 1517, ele pregou 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na atual Alemanha. Entre os principais pontos estavam:
a venda de indulgências;
a autoridade do papa sobre a cristandade;
o papel da Tradição da Igreja ao lado das Escrituras;
a importância dos sacramentos na salvação;
a mediação da Igreja no perdão dos pecados.
As teses de Lutero espalharam-se rapidamente graças à imprensa, que permitia reproduzir milhares de cópias em pouco tempo.
A Santa Sé enviou representantes para dialogar com o monge alemão e tentou convencê-lo a abandonar suas posições. Ele, porém, manteve suas convicções.
Em 1520, após ser ameaçado de excomunhão, Lutero queimou a bula papal enviada por Roma, rompendo definitivamente com a Igreja Católica.

Entre suas ideias mais conhecidas estavam a defesa de que somente a Escritura deveria ser a base da fé cristã e a crítica à autoridade papal.
O documentário O Brasil Evangélico estará disponível no canal do Youtube da Brasil Paralelo a partir do dia 8 de julho. Clique aqui para não perder o lançamento.
O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), João Regina, explicou no documentário O Brasil Evangélico que o pensamento de Lutero foi sintetizado em três pontos, que posteriormente viraram cinco.
Esses slogans que guiam a maioria dos grupos protestantes receberam o título de Cinco Solas e são:
Sola Gratia: somente pela graça;
Sola Fide: somente pela fé;
Solus Christus: somente Cristo;
Sola Scriptura: somente pela escritura;
Soli Deo Gloria: glória somente a Deus;
Regina comentou que após a excomunhão, o monge recebeu a proteção do príncipe Frederico III e outros nobres alemães.
Assim se refugiou no castelo de Wartburg, onde trabalhou em uma tradução do Novo Testamento do grego para o idioma local.
O apoio das autoridades locais à Reforma não pode ser explicado apenas pelas ideias religiosas.
Muitos príncipes alemães perceberam que apoiar Lutero significava conquistar maior autonomia em relação ao Papa e ao imperador do Sacro Império Romano-Germânico.
Ao aderirem ao protestantismo, esses governantes passaram a controlar a religião dentro de seus territórios e incorporaram propriedades antes pertencentes à Igreja.
A produção estará disponível no canal do Youtube da Brasil Paralelo a partir do dia 8 de julho. Clique aqui para não perder o lançamento.
O movimento de Lutero defendia a livre interpretação da Bíblia, o que fez com que outras vertentes do protestantismo começassem a se propagar pela Europa.

Estabelecido na cidade de Genebra após conflitos religiosos sangrentos na França, Calvino organizou uma das mais influentes correntes do protestantismo.
Ele desenvolveu a doutrina da predestinação, segundo a qual Deus já teria determinado quem seria salvo e isso se manifesta com a prosperidade financeira.
Calvino também enfatizava a autoridade absoluta das Escrituras e defendia uma igreja rigidamente organizada, responsável por orientar a vida religiosa e moral da comunidade.
Sua obra, Institutas da Religião Cristã, sistematizou a teologia reformada e exerceu influência sobre igrejas de outras regiões da Europa.

Também na Suíça,o sacerdote católico Ulrico Zwinglio conduziu um movimento reformador paralelo ao de Lutero.
Assim como o monge alemão, criticava a venda de indulgências e defendia que a Bíblia deveria ocupar posição central na vida cristã.
Sua obra rejeitava práticas que, em sua interpretação, não teriam fundamento nas Escrituras, como o culto aos santos, o celibato clerical e cerimônias tradicionais da Igreja.
Apesar das semelhanças, Zwinglio discordava de Lutero sobre a Eucaristia. Enquanto Lutero acreditava que Cristo estava presente de maneira real no sacramento, Zwinglio entendia que o pão e o vinho eram apenas símbolos.

Thomas Müntzer representou a ala mais radical da Reforma. Ao contrário de Lutero, que procurava manter a ordem política, Müntzer defendia mudanças sociais profundas.
Ele acreditava que a renovação religiosa deveria ser acompanhada de uma transformação da própria sociedade.
Suas ideias influenciaram parte das revoltas camponesas ocorridas na Alemanha, aproximando o movimento reformador de reivindicações políticas e sociais.

A ruptura do rei da Inglaterra com Roma teve motivações diferentes das observadas na Alemanha e na Suíça.
O Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica depois do papa recusar seu pedido para anular o casamento com Catarina de Aragão.
Em 1533, criou a Igreja Anglicana e assumiu o posto de chefe supremo da nova instituição religiosa.
Além da separação de Roma, confiscou grande parte das terras e dos bens pertencentes à Igreja Católica na Inglaterra.
Durante seu reinado, os anglicanos mantiveram boa parte das doutrinas católicas que só foram alteradas anos depois.

Na Escócia, John Knox foi o principal responsável pela difusão das ideias calvinistas.
Após passar um período em Genebra, retornou ao seu país defendendo uma igreja organizada por presbíteros, líderes escolhidos pela comunidade.
Seu trabalho deu origem à Igreja Presbiteriana e consolidou a influência do calvinismo na Escócia.
O avanço do protestantismo levou a Igreja Católica a promover uma ampla renovação interna conhecida como Contrarreforma ou Reforma Católica.
Seu marco mais importante foi o Concílio de Trento, convocado em 1545 pelo papa Paulo III.
Durante quase vinte anos, bispos e teólogos discutiram as críticas protestantes, reafirmaram as principais doutrinas católicas e promoveram mudanças na Igreja.
Entre as decisões do concílio estiveram:
a reafirmação da autoridade papal;
a defesa dos sacramentos;
a confirmação da sucessão apostólica;
a valorização da Tradição ao lado das Escrituras;
a criação de seminários para melhorar a formação dos sacerdotes.
As tensões entre católicos e protestantes ultrapassaram o campo religioso e provocaram diversos embates.
O mais conhecido e devastador deles foi a Guerra dos Trinta Anos, travada entre 1618 e 1648.
O conflito começou quando nobres protestantes da cidade de Praga, atual República Tcheca, jogaram dois representantes do Sacro Império Romano Germânico.
O episódio ficou conhecido como a Defenestração de Praga marcou o início de tensões religiosas na região da Boêmia, que passava por um momento de perseguição contra os protestantes.
Logo os combates se expandiram por todo o continente europeu, dividindo as principais potências da época.
Os impactos chegaram até o Brasil, que teve parte da região Nordeste ocupada por protestantes holandeses que combatiam a união entre Portugal e Espanha.
A guerra causou milhões de mortes e terminou com a Paz de Vestfália, um acordo que reconheceu a coexistência de diferentes confissões cristãs e fortaleceu os Estados nacionais.
Os tratados seguiam uma lógica de que cada monarca tinha autonomia para decidir a religião oficial de seu território.
O protestantismo tem uma longa trajetória em terras brasileiras. O professor e presidente do IBDR, Thiago Rafael, comentou sobre isso no documentário O Brasil Evangélico.
Ele conta que o protestantismo chegou ao país pela primeira vez sob o comando de João Calvino, que mandou um grupo de missionários na Guanabara.
No entanto, os evangélicos realmente se estabeleceram quando Dom João VI assinou acordos de amizade com os ingleses.
Atualmente, a população evangélica corresponde a aproximadamente 26,9% segundo dados do IBGE de 2025. Esse é o maior patamar que o país já registrou.
A Brasil Paralelo investigou o crescimento do protestantismo no país e os impactos disso na política e sociedade.
O Brasil Evangélico estará disponível no canal do Youtube da Brasil Paralelo a partir do dia 8 de julho.
https://www.youtube.com/watch?v=8tt4RViqg8M
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