Um túnel de 1.300 metros e objetos de mais de 2 mil anos reforçam a hipótese de que a rainha planejou desaparecer dos romanos até depois da morte.

Cleópatra morreu há mais de 2 mil anos, mas seu túmulo nunca foi encontrado. A última rainha do Egito virou uma das figuras mais famosas da Antiguidade.
A última rainha do Egito governou, negociou com Roma, viveu uma aliança política e amorosa com Marco Antônio e terminou derrotada por Otávio, o primeiro imperador romano.
O fim de sua história é conhecido. O local do seu enterro, não.
A principal hipótese sempre aponta para Alexandria, no norte do país, onde ficava o seu palácio. Mas parte da antiga cidade foi engolida pelo mar após terremotos e um tsunami. Sem túmulo e sem corpos, o mistério atravessou os séculos.
Agora, uma descoberta no Mediterrâneo levantou outra possibilidade.
A arqueóloga Kathleen Martínez procura Cleópatra há 20 anos. Recentemente ela encontrou sinais de um antigo porto submerso perto de Taposiris Magna, templo localizado a cerca de 48 quilômetros de Alexandria.
Para ela, o achado reforça a tese de que a rainha pode ter escolhido o local para desaparecer dos romanos até depois da morte.
O templo já chamava atenção por sua ligação com a deusa Ísis, à qual Cleópatra era associada. Nas escavações, a equipe encontrou inscrições indicando que o local era dedicado à divindade.
A hipótese de Martínez é que a mais famosa rainha do Egito não queria morrer como prisioneira de Roma. Queria ser lembrada como filha de Ísis.
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Anos antes, a equipe já havia encontrado um túnel de cerca de 1.300 metros sob o templo. Ele seguia em direção ao Mediterrâneo e estava parcialmente inundado.
Dentro dele, havia cerâmicas e objetos ligados ao período dos Ptolomeus, a dinastia de Cleópatra.
Agora, com a ajuda do arqueólogo marinho Bob Ballard, conhecido por ter descoberto o Titanic, a equipe identificou estruturas artificiais submersas: blocos, colunas, âncoras, ânforas e formações de pedra cobertas por sedimentos.
Para Ballard, o túnel apontava diretamente para o porto.
É aí que a hipótese ganha força. Se Taposiris Magna tinha ligação com o mar, Cleópatra poderia ter planejado um sepultamento longe dos olhos de Roma, em um local religioso e difícil de encontrar.
Mas ainda falta a prova principal. O túmulo de Cleópatra não foi encontrado.
A descoberta do porto não confirma que a rainha foi enterrada lá. Ela apenas torna a hipótese mais forte e amplia o mapa da busca.
Mesmo assim, a investigação já mudou o entendimento sobre a região. A equipe encontrou milhares de objetos em um lugar que muitos arqueólogos consideravam pouco promissor.
Depois de duas décadas de escavações, Kathleen Martínez mantém a convicção de que está no caminho certo.
A busca agora continua em duas frentes: em terra, nas ruínas do templo; e debaixo d’água, nas estruturas escondidas pelo Mediterrâneo.
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