Os ataques justificaram desde mudanças na segurança de aeroportos até transformações na geopolítica mundial.

Quase três mil drones fizeram um espetáculo emocionante no céu de Nova Iorque nesta quarta-feira (9).
Eles se posicionaram no formato das torres gêmeas no local em que hoje existe apenas um monumento, mas antes abrigava o World Trade Center.
O evento foi uma homenagem aos 25 anos do atentado de 11 de setembro de 2001, que atingiu o centro de Nova Iorque e o Pentágono.
Para quem nasceu depois de 2001 ou era novo demais para se lembrar do mundo antes do ataque parece apenas um fato histórico distante.
No entanto, a ação da Al-Qaeda foi um dos episódios mais marcantes do século XXI e mudou desde a segurança do aeroporto até a geopolítica mundial.
A Brasil Paralelo relembrou o ataque terrorista mais marcante da história em um especial. Assista completo abaixo:
Na década de 1990 o mundo testemunhou a queda da URSS e vivia um momento de prosperidade.
Intelectuais como Fukuyama chegaram a chamar o momento de “Fim da História”, parecia que a humanidade caminhava para uma nova era de paz.
Isso desmoronou quando a maior potência do mundo se tornou alvo do primeiro ataque em seu território continental desde 1812.
Dois aviões atingiram as torres que simbolizavam o poder econômico americano. Pouco depois, outro avião atingiu o Pentágono, que representa o poder militar dos EUA.
Um quarto avião caiu a caminho de Washington, seu alvo não é certo, mas acredita-se que estava endereçado para a Casa Branca ou o Congresso, símbolos do poder político americano.
"Eu posso ouvir vocês! O resto do mundo ouve vocês! E as pessoas que derrubaram esses prédios vão ouvir todos nós em breve".
Essa frase histórica foi dita pelo presidente George W. Bush nos escombros das torres gêmeas mostra qual seria a reação, os EUA foram para a guerra.
O atentado não foi feito por outro país, mas por um grupo terrorista transnacional, um alvo diferente de tudo que o exército americano já havia enfrentado.
O inimigo não poderia ser eliminado com uma invasão a outro território ou a derrubada de um ditador, ele estava em todos os lugares, escondido entre civis, infiltrado na sociedade.
Começou assim o que ficou conhecido como a Guerra Global ao Terror.
Um dos principais foco do conflito seria a inteligência, em outubro do mesmo ano, o presidente sancionou o Patriot Act, que autorizava uma série de medidas como:
Vigilância ampliada: permitido interceptar ligações telefônicas, mensagens e rastrear o histórico de navegação na internet com menos burocracia;
Compartilhamento de dados: facilita a troca de informações confidenciais de inteligência entre autoridades de segurança e investigadores criminais;
Controle financeiro: concedeu instrumentos ao Tesouro dos EUA para combater a lavagem de dinheiro internacional e o financiamento do terrorismo.
Autorizou a detenção preventiva de estrangeiros suspeitos de ameaçar a segurança nacional.
A lei continua válida até os dias de hoje, embora parte dos pontos tenham caducado ou sido limitados pelo Freedom Act, sancionado em 2015.
O atentado abriu espaço para que o governo americano começasse a captar dados de seus cidadãos e cidadãos do mundo inteiro, fortalecendo as agências de inteligência do país.
O primeiro alvo da vingança americana foi o Afeganistão, cuja invasão teve início no dia 7 de outubro de 2001.
O país era controlado quase completamente pelo Talibã, acusado de hospedar a Al Qaeda.
Bush afirmava que a rede terrorista tinha uma série de campos de treinamento e recrutamento protegidos pelas autoridades afegãs.
Os EUA só sairiam do país em agosto de 2021, quando o Talibã voltou ao poder após negociações com o governo americano.
A operação custou mais de R$10 trilhões na cotação atual e deixou 176 mil pessoas mortas no território afegão segundo a Brown University.
A ligação entre Al Qaeda e Talibã começou décadas antes, quando os soviéticos invadiram o Afeganistão para apoiar um projeto comunista lá.
Entenda o que é o comunismo com o épico da Brasil Paralelo sobre o tema. Clique aqui para assistir ao primeiro episódio.
Os EUA reagiram armando e financiando guerrilheiros muçulmanos conhecidos como Mujahedin.
Entre eles estavam os partidos que depois formariam o Talibã e o próprio Osama Bin Laden, filho de um bilionário saudita que decidiu combater pela fé islâmica.
Ele começou a enfrentar os EUA após a Guerra do Golfo em 1990, quando o país e uma coalizão global guerrearam com o Iraque de Saddam Hussein após a invasão do Kwait.
Bin Laden se ofereceu para liderar os mujahedin e combater o Iraque, porém o governo saudita negou a ajuda, autorizando bases americanas em seu território.
A presença de infieis na região que abriga Meca e Medina, as cidades mais sagradas do Islã, fez com que Bin Laden passasse a olhar para os EUA como um invasor inimigo da fé.
Seu plano se tornou provocar as forças americanas para uma guerra aos moldes da travada contra a URSS.
Os combates despertariam movimentos antiamericanos em todo o mundo muçulmano e criariam um cenário fértil para uma revolução islâmica internacional.
Conforme a ocupação americana no Afeganistão parecia estável, os EUA passaram a focar em um outro inimigo, o Iraque de Saddam Hussein.
Na esteira da guerra ao terror, Bush acusou o país de produzir armas de destruição em massa e apoiar o terrorismo.
Dois anos depois dos atentados, os americanos invadiram o Iraque e derrubaram o regime.
As armas de destruição em massa nunca foram encontradas e nenhum sinal de que elas jamais existiram foi registrado.
A desestabilização do Iraque abriu espaço para o avanço de novos grupos e até o surgimento do Estado Islâmico.
A ação também enfraqueceu a hegemonia americana, despertando desconfiança de outros países e abrindo um precedente perigoso.
Analistas chegaram a comparar o caso com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e da Criméia em 2014.
O ex-líder britânico Tony Blair chegou a rejeitar a ideia de que Putin usou como precedente a invasão do Iraque, apoiada pelo Reino Unido:
"Se ele não tivesse usado essa desculpa, teria usado outra", afirmou em entrevista para a AFP.
Os EUA nem chegaram a levar o caso para o Conselho de Segurança da ONU, pois sabiam que seriam derrotados com vetos da França e da Rússia.
Isso fez a credibilidade nas instituições internacionais ser abalada em um momento da história que ela parecia bem mais viável.
Entenda melhor o mundo que se desenhou após o atentado e as mudanças na geopolítica mundial com a trilogia O Fim das Nações. Assista ao primeiro episódio abaixo: