Tecnologia inédita desenrolou virtualmente os papiros de Herculano, soterrados pelo Vesúvio em 79 d.C.

No ano 79 d.C., o Monte Vesúvio explodiu sobre o sul da Itália e enterrou cidades inteiras sob cinzas.
Pompeia se tornou o símbolo mais conhecido da tragédia. Mas foi em Herculano, outra cidade romana destruída pela erupção, que o desastre preservou algo raro: uma biblioteca.
Centenas de rolos de papiro foram encontrados séculos depois na chamada Villa dos Papiros, uma casa que teria pertencido à família do imperador Júlio César.
Os manuscritos sobreviveram ao calor e à destruição do Vesúvio.
Durante quase 2 mil anos, estavam praticamente impossíveis de ler. Agora, a inteligência artificial começou a decifrar essas obras.
Pesquisadores ligados ao Vesuvius Challenge conseguiram desenrolar virtualmente e decifrar textos de pergaminhos carbonizados de Herculano.
O feito combina tomografia computadorizada, reconstrução digital e algoritmos treinados para identificar traços de tinta invisíveis a olho nu.
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A técnica evita o maior problema enfrentado por estudiosos no passado. Como os rolos estão extremamente frágeis, qualquer tentativa de abri-los fisicamente poderia destruí-los.
Ao longo dos séculos, métodos com pesos, produtos químicos e outras técnicas causaram danos a parte do acervo.
O novo processo começa com escaneamentos em alta resolução. Depois, os pesquisadores seguem as camadas curvas do papiro dentro da imagem, achatam virtualmente o rolo e usam inteligência artificial para diferenciar a tinta do material queimado.
Um dos avanços envolve o rolo PHerc. 1667, considerado ilegível quando parte dele foi aberta na década de 1980. Agora, pesquisadores conseguiram revelar quase 1,5 metro de texto distribuído em 20 colunas.
O conteúdo parece tratar de filosofia, ética, artes e comportamento humano. Entre os conceitos identificados estão ideias ligadas à tradição estoica, como o domínio dos impulsos e a sabedoria prática.
Em outro avanço, pesquisadores identificaram a referência “Filodemo, Sobre os Deuses, Livro 8”, mostrando que uma obra do filósofo grego era maior do que se sabia até então.
O projeto também anunciou a leitura de textos ligados a Sobre os Vícios, obra atribuída a Filodemo, filósofo epicurista que viveu na região.
Cerca de 600 pergaminhos permanecem fechados na coleção da Villa dos Papiros. Muitos nunca puderam ser estudados porque abrir o material significaria destruí-lo.
Com a inteligência artificial, essa escolha deixa de ser necessária. Pela primeira vez, os pesquisadores podem preservar os rolos e, ao mesmo tempo, acessar seu conteúdo.
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