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“Abaixo o fascismo vermelho”: homem faz protesto na China e filma a polícia invadindo a sua casa

Ele deixou um projetor exibindo frases de protesto em seu apartamento e uma câmera posicionada para filmar a ação do Estado.

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Redação Brasil Paralelo
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Momento em que a polícia entra em sua casa.
Fonte da imagem: Momento em que a polícia entra em sua casa. Foto: The New York Times.

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Quando a ação aconteceu, Qi Hong já se encontrava longe dali. Ele planejou para que tudo acontecesse enquanto voava para Londres, pois sabia das consequências de protestar contra o Partido Comunista.

O protesto durou cerca de 50 minutos antes de ser interrompido. Qi Hong posicionou em sua casa um retroprojetor que exibiu frases no prédio da frente:

  • “Somente sem o Partido Comunista pode haver uma nova China.”
  • “Abaixo o fascismo vermelho, derrubem a tirania comunista!”
  • “Sem mentiras, queremos a verdade; sem escravidão, queremos liberdade; o tirânico Partido Comunista deve renunciar!”
  • “A liberdade não é uma esmola, deve ser conquistada. Levantem-se, pessoas que se recusam a ser escravizadas, levantem-se e resistam para reivindicar seus direitos.” 
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Foto mostra as imagens projetadas no prédio da frente. Fonte: The New York Times.

Uma câmera mostrou quando os policiais invadiram seu apartamento na expectativa de encontrar o manifestante. Veja o momento logo abaixo:

Segundo a apuração do The New York Times, Qi Hong deixou no quarto de hotel, ao lado do projetor, uma mensagem manuscrita endereçada aos policiais que certamente chegariam para desligar a projeção. O texto dizia:

“Mesmo que hoje vocês sejam beneficiários do sistema, um dia inevitavelmente se tornarão vítimas nesta terra. Tratem o povo com bondade.”

Em que ele se inspirou para essa ação?

O ato de Qi não surgiu do nada. Ele se inspirou em protestos recentes que desafiaram o regime de Xi Jinping:

  • Peng Lifa, o “Homem da Ponte”, que em 2022 estendeu faixas contra Xi em Pequim.
  • O Movimento do Papel Branco, que no mesmo ano reuniu multidões contra os lockdowns da política de Covid zero.
  • Mei Shilin, que pendurou bandeiras de contestação em Chengdu.

Diferente deles, Qi usou a tecnologia para resistir e escapar. Ele deixou a China dias antes do ato, junto com sua esposa e filhas, e controlou toda a operação de Londres.

Ainda assim, sua família pagou o preço: sua mãe idosa foi interrogada pela polícia e seu irmão detido após o episódio.

Como está repercutindo a ação?

As imagens circularam pelas redes sociais através do dissidente conhecido como “Professor Li” e alcançaram mais de 18 milhões de visualizações em apenas quatro dias.

“Qi Hong enganou a polícia, derrotou a máquina do Estado, e pouco puderam fazer contra ele”, disse Li Ying, considerado hoje a principal voz chinesa de oposição online. 

Para a Human Rights Watch, o protesto mostra “a disposição contínua de cidadãos destemidos de criticar publicamente Xi Jinping e pedir reformas democráticas diante da crescente repressão do governo”.

O ato aconteceu enquanto o governo se preparava para um desfile militar em que faria uma demonstração de força do governo. Essa prática é comum em todos os países, mas ainda mais utilizada em regimes autoritários.

No século XX, tanto o Partido Comunista da União Soviética, quanto o Nazismo e Fascismo utilizam de constantes paradas e desfiles militares como simbolismo do poder estatal.

Assim como na China, a censura e controle da oposição era ferramenta política utilizada à exaustão. 

Entender esses autoritarismos do século XX é um passo fundamental para saber o que acontece hoje na China. 

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