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Novo vídeo aponta ligação entre agentes de governo aliado aos EUA e o 11 de setembro

Evidências que reforçam as suspeitas da participação de autoridades estrangeiras não foram analisadas em julgamentos anteriores.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Agentes do governo saudita podem ter relação com o 11 de setembro
Fonte da imagem: Suspeito e líder da Al Qaeda. Imagem: SRMY

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Há 25 anos, o mundo assistia horrorizado enquanto o coração financeiro da principal potência era atingido pelo ataque terrorista mais marcante da história. 

Agora, novos vídeos revelados em um processo judicial mostram que Omar al-Bayoumi, um dos investigados pelo atentado, tinha relações próximas com autoridades sauditas

Os vídeos fazem parte do processo de aproximadamente R$5 trilhões movido por familiares das vítimas dos atentados contra o governo da Arábia Saudita

A ação sustenta que autoridades teriam sido cúmplices dos ataques e que Omar al-Bayoumi ajudou dois dos responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001.

As gravações nunca haviam sido exibidas. Elas estavam entre fitas apreendidas pelo FBI poucos dias depois dos ataques, quando Bayoumi foi preso no Reino Unido.

Logo após o atentado, Omar al-Bayoumi se tornou um dos primeiros suspeitos investigados pelo FBI.

Seu nome apareceu no contrato de aluguel assinado por Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar, dois integrantes do grupo que sequestrou o avião lançado contra o Pentágono.

Ele assinou o contrato do apartamento onde passaram a morar, auxiliou na abertura de conta bancária, emprestou dinheiro e apresentou os dois a pessoas da comunidade local.

Durante buscas realizadas pela polícia britânica na casa de Bayoumi, foi encontrada uma folha de caderno contendo um desenho de um avião acompanhado de cálculos matemáticos.

Segundo especialistas ouvidos pela equipe jurídica das famílias das vítimas, a equação descreve altura, distância e trajetória necessárias para conduzir uma aeronave até um ponto específico em solo.

  • A Brasil Paralelo relembrou o ataque terrorista mais marcante da história em um especial. Assista completo abaixo:

Relação com autoridades sauditas

As imagens também mostram Bayoumi em diversos encontros com representantes do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita.

Em uma gravação feita no SeaWorld, ele aparece ao lado de dois funcionários do ministério

Em outro momento, entrega a câmera ao filho apenas para entrar na cena e registrar sua presença junto às autoridades sauditas.

Segundo os documentos analisados pela BBC, Bayoumi mantinha ampla rede de contatos com integrantes do governo saudita.

Quando foi preso no Reino Unido, investigadores encontraram uma agenda contendo mais de duas dezenas de contatos de autoridades sauditas tanto nos Estados Unidos quanto na Arábia Saudita.

O Ministério dos Assuntos Islâmicos, criado em 1993, era um órgão fortemente influenciado por clérigos que defendiam uma interpretação rigorosa do islamismo sunita

Ao longo dos anos, investiu centenas de milhões de dólares na construção de mesquitas e no envio de representantes religiosos para diversos países, incluindo os Estados Unidos.

Omar al-Bayoumi sempre negou ter ajudado conscientemente os sequestradores, negou ser agente saudita e afirmou nunca ter participado da preparação dos ataques.

O governo da Arábia Saudita também rejeita qualquer envolvimento no 11 de Setembro e sustenta que todas as acusações de cumplicidade são falsas.

Quem é Omar al-Bayoumi

Durante anos, Omar al-Bayoumi afirma ser apenas um estudante saudita que morava nos EUA e nega ligação com grupos extremistas ou com o governo saudita. As novas imagens, porém, apresentam um cenário diferente.

Em um dos vídeos, Bayoumi aparece abraçando Anwar al-Awlaki, que se tornaria líder da al-Qaeda na Península Arábica e uma das principais figuras do terrorismo até morrer em um ataque de drone da CIA, em 2011.

Outro vídeo mostra Bayoumi participando de partidas de paintball ao lado de Awlaki e de um funcionário do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita.

As imagens contradizem o depoimento prestado por Bayoumi ao tribunal em 2021, quando afirmou que sequer conhecia Awlaki.

No ano passado, o juiz responsável pelo processo declarou que, à primeira vista, o documento liga Bayoumi ao conhecimento dos ataques.

Bayoumi respondeu ao tribunal dizendo que costumava escrever equações e que não se lembrava quando havia produzido aquele desenho.

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Evidências que desapareceram da investigação

Um dos aspectos que mais chamam atenção na nova investigação não diz respeito apenas às evidências encontradas, mas ao destino delas.

Segundo a BBC, o diagrama do avião foi analisado pelo escritório do FBI em Nova York, mas nunca foi apresentado aos policiais britânicos responsáveis por interrogar Bayoumi.

Também não foi compartilhado com parte dos próprios agentes americanos que investigavam o caso em San Diego.

Da mesma forma, o vídeo das partidas de paintball foi assistido por investigadores em Nova York, mas acabou não sendo incluído nos principais relatórios sobre o perfil de Bayoumi.

Diversos agentes afirmaram posteriormente que solicitaram repetidas vezes acesso ao material apreendido no Reino Unido, mas nunca receberam a maior parte das evidências.

Jeffrey Breinholt, ex-responsável por supervisionar promotores ligados às investigações do 11 de Setembro, afirmou que nunca recebeu uma proposta formal para denunciar Bayoumi.

Segundo ele, se o diagrama do avião tivesse sido apresentado durante a análise do caso, o suspeito teria sido condenado.

Breinholt também classificou o vídeo de paintball como uma evidência "extremamente significativa", especialmente pela presença de Anwar al-Awlaki.

Rick Lambert, que comandou a investigação do FBI em San Diego, declarou que sua equipe jamais recebeu acesso completo às provas apreendidas no Reino Unido e acredita que isso dificultou a compreensão do papel desempenhado por Bayoumi.

A Comissão do 11 de Setembro nunca viu parte das provas. Em 2003, Omar al-Bayoumi foi entrevistado pela Comissão do 11 de Setembro na Arábia Saudita.

Ao final dos trabalhos, o relatório descreveu Bayoumi como um homem prestativo e sociável e afirmou não haver evidências de que defendesse posições extremistas.

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