Veja os momentos mais marcantes da Assembleia Geral da ONU até agora
De críticas à ideologia de gênero até guerra das Malvinas, o encontro de líderes mundiais foi marcado por falas inusitadas.

Todos os anos, os principais chefes de Estado do mundo se reúnem em Nova Iorque para participar da Assembleia Geral da ONU.
Esse é um dos principais momentos da política internacional, já que coloca os líderes frente a frente em uma sequência de discursos. Os debates seguirão ativos até o dia 28 de setembro.
Além disso, existe uma série de eventos que acontecem ao mesmo tempo, reunindo líderes e diplomatas em locais mais privados.
Conheça melhor a história da ONU e entenda como a organização funciona com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:
Veja abaixo alguns dos principais momentos do encontro de 2026.
Lula critica a ONU e defende ditaduras
Como primeiro chefe de Estado a discursar na abertura da Assembleia Geral, o Brasil tem um espaço de destaque.
Em sua 10ª vez falando no palanque da ONU, Lula começou dizendo que a organização tem falhado em cumprir suas funções:
“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena.”
O presidente também defendeu uma mudança no Conselho de Segurança, órgão em que o Brasil pleiteia um assento permanente desde o surgimento da organização.
Sua fala também trouxe narrativas de campanha, afirmando que ele impediu um “Golpe de Estado” e “lutou contra a ditadura militar”.
Além disso, falou que a democracia estava ameaçada, em parte pelas “investidas neocoloniais”, como uma indireta para os EUA.
Apesar de alegar que está defendendo a democracia, Lula defendeu ditaduras como a do regime venezuelano e cubano:
“O povo venezuelano merece definir o próprio destino... Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais.”
A Brasil Paralelo acompanhou o discurso com uma cobertura exclusiva, assista completo abaixo:
Trump fala no potencial da organização e denuncia visão woke
Logo após Lula falar, foi a vez de Trump discursar na ONU. O presidente americano falou que a organização tem um potencial enorme.
No entanto, para isso seria necessário realizar uma série de reformas profundas em suas estruturas.
Um dos pontos que ele criticou foi o que chamou de “agenda de burocratas globalistas não eleitos”.
O presidente disse que a ONU estaria tentando avançar sobre a soberania dos países, dando como exemplo a proposta de um imposto sobre carbono criado pela Organização Marítima Internacional.
Além disso, ele criticou a postura de funcionários da ONU em defesa à ideologia de gênero e procedimentos de troca de sexo para crianças e adolescentes:
“É inaceitável que, com todas as atrocidades genuínas do mundo, os principais responsáveis de Direitos Humanos da ONU gastem seu tempo criticando os Estados Unidos por protegerem nossas crianças da mutilação e insanidade transgênero”.
Outra questão que o presidente americano trouxe em seu discurso foi a defesa de operações contra o tráfico de drogas na América Latina, chamando as organizações de grupos terroristas semelhantes ao ISIS.
Milei defende Malvinas argentinas e chama ONU de inútil
Milei tem uma tradição de ser extremamente polêmico em seus discursos em organizações internacionais.
Este ano não foi diferente, ele começou tocando em um tema sensível para o povo argentino, a soberania das ilhas Malvinas.
O argentino começou dizendo que uma organização com os objetivos da ONU deveria defender a posse argentina das ilhas britânicas no Atlântico Sul:
“As Malvinas são, para nós, uma causa nacional. Repito: as Malvinas são, para nós, uma causa nacional e também uma prova da distância que pode existir entre as palavras das instituições internacionais e a realidade sobre a qual elas pretendem atuar.”
O presidente seguiu dizendo que a organização "se tornou uma organização inútil, que só serve para alimentar uma casta de parasitas fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados".
Um dos exemplos de burocratas “bem intencionados” que ele menciona é o caso das políticas defendidas pela OMS durante a pandemia.
Crítico das políticas da época, ele afirmou que o poder estatal aumentou com a desculpa de combater o avanço do vírus, mas ele não voltou após a crise.
Assista ao discurso completo de Milei com legendas completo abaixo:
Comissões deixam discurso de Netanyahu
Um dos momentos mais marcantes da Assembleia aconteceu quando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, começou a falar.
Assim que subiu à tribuna, uma série de delegações de diversos países deixaram a Assembleia como forma de protesto.
Parte dos delegados que escolheram continuar no local começaram a vaiar as palavras do líder israelense.
“Se restarem outros covardes morais que ainda não deixaram esta sala, façam-no agora”, disse ao tomar a palavra.
A AFP teve acesso a uma nota na qual dizia que a delegação palestina pediu que outros países colaborassem com o protesto.
Conheça a história de Netanyahu e a trajetória política de um dos homens mais influentes na história de Israel com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:
Levantar durante o discurso de um chefe de Estado é uma das principais formas de protesto na Assembleia.
Este ano, além de Netanyahu, outro alvo de protestos foi Donald Trump. Após mencionar Cuba, a delegação do país deixou o espaço.
Os americanos também se retiraram durante o discurso do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
Essa forma de protesto é parte de uma longa tradição diplomática que tem origem nos princípios da ONU.
A primeira vez que um diplomata deixou uma discussão na Organização aconteceu em 1946, quando o Conselho de Segurança discutia a retirada de tropas soviéticas do Irã após a Segunda Guerra.
Em meio a debates acalorados, o representante soviético, Andrei Gromyko, abandonou a sessão.
O gesto se popularizaria na Assembléia Geral ao longo da década de 1950. Um dos exemplos mais antigos foi quando a delegação francesa se retirou quando o órgão votou questões ligadas à guerra de independência da Argélia.
No ano seguinte, em 1956, os representantes da Hungria também protestaram da mesma forma contra a repressão soviética ao levante de Budapest.
Em 1964, mais de 40 delegações deixaram o local quando o ministro das relações exteriores da África do Sul começou a defender o apartheid.
Outro exemplo muito famoso aconteceu em 2010, quando o ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acusou o governo americano de orquestrar o 11 de setembro.
Erdogan fala em defender famílias contra ideologia de gênero
Outro discurso que foi marcado por polêmicas foi a fala do presidente turco Recep Tayyip Erdogan.
Conhecido por defender uma posição conservadora do Islã, ele aproveitou o espaço para criticar o apoio da ONU à ideologia de gênero.
Em sua visão, as crianças estariam sendo o principal alvo dessa narrativa, que estaria enfraquecendo as famílias:
"As políticas globais de neutralização de gênero (...) se transformaram em um cerco que tem como alvo as crianças inocentes, assim como a instituição da família".
Erdogan seguiu dizendo que a única maneira de frear a ideologia de gênero seria defendendo as famílias tradicionais e combater os lobbies internacionais:
"Só podemos romper este cerco protegendo a família formada por mulheres e homens... A Turquia continuará tomando iniciativas para proteger as famílias e as crianças, apesar dos ataques de grupos lobistas".
Poucos dias antes do encontro entre líderes mundiais, a polícia turca avançou contra militantes do movimento LGBT.
Mais de 150 pessoas foram detidas durante uma operação que envolveu o bloqueio de sites, batidas em sedes de ONGs e prisões em diversas províncias.
Segundo a ativista ativista Yildiz Tar disse à Globo, cerca de 80 pessoas seguem presas e estariam enfrentando condições duras:
"Eles estão em condições muito difíceis nas prisões… Enfrentaram tortura, foram colocados na solitária e ficaram sem água por cinco dias", relatou.
As batidas faziam parte da operação "Minha Família Está Segura", que segundo o governo visa proteger as crianças e os valores familiares.
O ministro da Justiça turco chegou a dizer que a operação mirava 162 suspeitos, nove associações e 13 empresas em 15 províncias.
Vice de Maduro agradece Trump
Nos primeiros dias de 2026, o mundo assistiu à operação cinematográfica que acabou com a captura do ditador Nicolás Maduro.
Mesmo com sua queda e prisão, o chavismo continuou no poder da Venezuela, agora sob comando de sua vice-presidente, Delcy Rodríguez.
No dia 23 de setembro, ela fez sua primeira participação na Assembleia Geral da ONU com sinalização para se aproximar dos EUA.
Em nenhum momento de sua fala, ela sequer citou o nome de Maduro. Além disso, procurou apresentar seu governo como uma ruptura com o modelo anterior, chegando a falar em um “renascimento” do país:
“Tenho o prazer de anunciar que a Venezuela iniciou um processo de transformação democrática para o seu renascimento. Um processo ordenado, institucional e verificável para construir um país mais livre para todos”
Delcy também agradeceu o presidente Trump por retomar os laços diplomáticos com a Venezuela sob seu governo.
Filha do guerrilheiro marxista Jorge Antonio Rodríguez, Delcy estava no núcleo dos movimentos socialistas no país.
Ela chegou a fazer discursos agressivos contra o governo Trump, ainda em 2019 disse que:
"Venho em nome da única Venezuela, a Venezuela digna e corajosa, que não se curva a nenhum poder imperial”.
Quando Maduro caiu, ela tentou manter um discurso mais alinhado a essa trajetória e acusou os EUA de quererem controlar os recursos do país.
Delcy exigiu a libertação do ditador e até afirmou que os responsáveis pela operação seriam punidos pela história:
“Exigimos a libertação imediata do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa. Os extremistas que promoveram esta agressão armada pagarão perante a história e a Justiça. Disso não temos dúvida. O povo venezuelano já os colocou onde devem estar: na lata de lixo da história.”
No entanto, a situação mudou drasticamente. Em agosto, EUA e Venezuela assinaram um acordo que permite a exploração do petróleo no país latino por empresas americanas.
Trump disse que a medida poderia aumentar em até 65 bilhões de barris a reserva estratégica de seu país.
Ao longo do discurso na ONU, Delcy elogiou a negociação, afirmando que era uma garantia de segurança energética para o mundo.
Ela também aproveitou para se reunir em particular com o presidente americano, se consolidando como uma forte aliada.
![[VENDA] Carlos Lacerda](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2F2b349c34-20a8-4a02-ba57-87c65d7cbb51.webp&w=3840&q=75)
![[VENDA] Carlos Lacerda](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2Fbb15f88d-33b2-4cea-9383-8b1e141ec99f.webp&w=3840&q=75)













