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ONU alerta para fenômeno climático extremo que pode ser o mais forte em 70 anos

Fenômeno do El Niño surpreende pesquisadores e pode causar um rastro de destruição.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
El Nino será maior em 70 anos
Fonte da imagem: Reprodução

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O El Niño deste ano pode ser bem maior do que o esperado e durar até fevereiro de 2027, ao menos é o que diz um alerta da ONU. 

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), este pode ser o episódio mais intenso em mais de 70 anos, com potencial para provocar eventos climáticos extremos em diversas regiões do planeta.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o mundo entrou na zona de risco à medida que os efeitos do fenômeno começam a ser sentidos globalmente:

"O El Niño está ganhando proporções gigantescas diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão ficando mais quentes".

Segundo a OMM, as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico já ultrapassaram 2°C acima da média nas últimas semanas, o suficiente para classificar o episódio como "muito forte".

As projeções, porém, indicam que o aquecimento poderá se aproximar de 4°C acima da média nos próximos meses.

Se a previsão se confirmar, este será o El Niño mais forte desde 1950, superando todos os registros feitos ao longo dos últimos 70 anos.

A agência da ONU também informou que existe probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno continue ativo até fevereiro de 2027, algo inédito nas projeções oficiais.

Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o episódio poderá superar com folga todos os registros históricos:

"Se essa trajetória continuar, ele poderá ser mais forte do que qualquer outro desde o início de nosso monitoramento. Literalmente, fora dos gráficos."

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O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno natural que ocorre no Oceano Pacífico e está ligado ao enfraquecimento dos ventos alísios.

Essa mudança permite que águas mais quentes avancem para a porção leste do oceano, liberando calor para a atmosfera e mudando padrões climáticos.

Segundo a ONU, o fortalecimento do El Niño poderá provocar efeitos bastante diferentes conforme a região.

Entre os principais impactos esperados estão:

  • secas prolongadas;

  • aumento do risco de incêndios florestais;

  • tufões mais intensos;

  • enchentes;

  • temperaturas acima da média em diversos continentes.

A OMM afirma que os efeitos já começam a aparecer. Na China, especialistas esperam que sete tufões atinjam o país neste ano

Na Indonésia, mais de 107 mil hectares foram atingidos por incêndios florestais durante a estação seca.

Já no Canal do Panamá, a expectativa de redução das chuvas levou as autoridades a diminuir em mais de 10% o número de embarcações autorizadas a atravessar a hidrovia.

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Oceano também preocupa cientistas

O aquecimento não ocorre apenas na superfície. Segundo a OMM, em algumas áreas do Pacífico tropical as temperaturas abaixo da superfície estão mais de 8°C acima da média.

A preocupação também alcança outras regiões oceânicas, como o Índico, o Atlântico tropical e áreas próximas à costa da Austrália.

Pesquisadores alertam que ondas de calor marinhas podem provocar branqueamento de corais, mortandade de peixes, proliferação de algas e outros impactos sobre a biodiversidade.

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