O que é o El Niño? Entenda o fenômeno que acende alerta no Brasil
Projeções indicam alta chance de formação entre 2026 e 2027, com risco de secas no Norte e Nordeste e chuvas acima da média no Sul.

Em algum lugar no fundo do Oceano Pacífico, uma onda de água muito mais quente do que o normal está se deslocando lentamente em direção à costa da América do Sul.
Ela está a cerca de 100 a 150 metros de profundidade, invisível a olho nu, mas capaz de mudar o clima de metade do planeta nos próximos meses.
Isso é o El Niño. Segundo projeções internacionais, existe uma probabilidade entre 80% e 90% de que ele se estabeleça entre este ano e o início de 2027.
O fenômeno recebeu este nome por causa de pescadores da costa do Peru e do Equador, que perceberam o aquecimento incomum das águas do Pacífico perto do período do Natal.
Como a mudança aparecia próxima à celebração do nascimento de Jesus, eles passaram a chamá-la de “El Niño”, expressão em espanhol que significa “o menino”, em referência ao Menino Jesus.
Como funciona sem o El Niño?
Para entender o fenômeno, é preciso primeiro entender como o clima normalmente funciona no oceano Pacífico.
Perto da Linha do Equador, ventos chamados alísios sopram de leste para oeste, empurrando a água quente da superfície do oceano em direção à Indonésia e à Austrália.
Para repor essa água, uma corrente fria vem das profundezas do oceano e sobe perto da costa da América do Sul, trazendo nutrientes que sustentam boa parte da vida marinha na região.

O El Niño acontece quando esse sistema falha
Os ventos alísios enfraquecem, às vezes até invertem de direção, e a água quente que normalmente ficaria a oeste passa a se espalhar de volta para o leste, na direção da América do Sul.
O resultado é um oceano mais quente do que o normal por vários meses seguidos, o que altera a formação de nuvens e chuvas em praticamente todo o globo.
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O fenômeno não é raro
O El Niño acontece a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove meses e um ano e meio. O que preocupa, dessa vez, é a possível intensidade.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a maioria dos modelos aponta para um El Niño de moderado a forte.
Vale um esclarecimento: o termo "Super El Niño" não é uma classificação oficial usada pela OMM, mas costuma aparecer na imprensa para descrever eventos de intensidade excepcional, como o de 1997-1998, quando a temperatura da água chegou a ficar 4°C acima da média.
Como o El Niño afetará o Brasil?
Os efeitos do El Niño variam bastante dependendo da região do país. No Norte e no Nordeste, o fenômeno tende a provocar secas mais severas, com aumento do risco de incêndios florestais.
Já no Sul, historicamente, o El Niño costuma trazer chuvas muito mais intensas, especialmente na primavera.
E é aqui que vale voltar a um episódio recente da história brasileira. As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 aconteceram justamente durante um período de El Niño forte, um dos cinco mais intensos já registrados, segundo a OMM.
Ainda é cedo para saber com precisão qual será a intensidade exata do fenômeno em 2026, já que os modelos climáticos costumam ser menos confiáveis durante os períodos de transição entre estações.
Nos próximos meses as previsões tendem a ganhar mais precisão.
O que já se sabe é que o padrão histórico se repete: Se o El Niño se confirmar como esperado, o Sul do Brasil deve enfrentar uma primavera com chuvas mais volumosas do que o normal.
Isso aumenta a preocupação com novos eventos extremos na região, menos de dois anos depois da tragédia de 2024.
Para entender, em profundidade, o que aconteceu naquele mês de maio no Rio Grande do Sul, e por que o estado se tornou tão vulnerável a esse tipo de desastre, que a Brasil Paralelo produziu o documentário original "Resgate"
Assista ao filme completo no canal da Brasil Paralelo.
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