Facções cresceram mais de 50% em dois anos na região Norte e chegaram a 344 municípios.

Longe do Rio de Janeiro, o Comando Vermelho tem avançado cada vez mais na Amazônia.
Nos últimos dois anos, a facção aumentou seu poder na na região, considerada estratégica para o tráfico de drogas.
Além dos entorpecentes, a organização também tem se envolvido em atividades como garimpo ilegal, exploração clandestina de madeira e o controle de rotas fluviais.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontam para um crescimento de quase 50% em dois anos na presença de facções nos municípios da Amazônia Legal.
Em 2023, 178 cidades registravam influência dessas organizações, dentro de um ano esse número passou para 260.
A situação voltou a se agravar em 2025, quando o total chegou a 344 municípios com presença do crime.
O principal responsável por essa expansão foi o Comando Vermelho. Segundo o estudo, a facção está presente em 286 municípios da Amazônia Legal, mais que o dobro do registrado em 2023.
O grupo já atua em todos os estados da região Norte do país e domina o submundo de 202 cidades sem concorrência.
Enquanto isso, a presença do PCC passou por uma leve redução, controlando de 93 para 90 municípios.
O relatório também mostra que atualmente 17 facções criminosas atuam na Amazônia Legal, sendo 14 brasileiras e três estrangeiras.
O avanço do Comando Vermelho ocorre principalmente em áreas estratégicas para o tráfico internacional de cocaína.
A proximidade com as fronteiras da Colômbia e do Peru fortaleceu o controle de algumas das principais rotas de transporte da droga.
Apesar disso, as investigações também apontam que a facção passou a diversificar suas fontes de renda.
Além do tráfico, o grupo vem sendo associado ao garimpo ilegal, à exploração de madeira e ao controle de atividades criminosas em regiões afastadas da presença do Estado.
Um dos casos mais emblemáticos envolve o Garimpo Cururu, que fica na Terra Indígena Sararé.
Investigações da Polícia Federal indicam que o Comando Vermelho assumiu o controle da área.
O grupo começou oferecendo segurança aos garimpeiros, mas logo passou a controlar diretamente a extração ilegal de ouro.
Segundo as investigações, o minério passou a ser utilizado como moeda de troca para comprar armas e drogas em países vizinhos.
Além disso, os recursos também fortalecem a estrutura financeira da organização criminosa.
Desde março, uma força-tarefa coordenada pela Casa Civil intensificou as operações contra o garimpo ilegal na região.
Além da atuação na Amazônia, estudos e investigações apontam que o Comando Vermelho também ampliou sua influência em outras regiões do país.
No Nordeste, por exemplo, o crescimento ocorre principalmente por meio da incorporação de grupos locais e da disputa por territórios antes controlados por outras organizações criminosas.
No Rio de Janeiro, berço da facção, as forças de segurança mantêm operações para conter o avanço territorial do grupo.
Além disso, outras facções também têm tomado regiões antes controladas pelo CV, o que transforma o Rio de Janeiro em uma verdadeira zona de guerra.
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