Criminosos cobravam até R$60 mil para permitir campanhas em territórios dominados.

Uma operação está investigando como traficantes estão interferindo nas eleições de Sobral, no interior do Ceará.
Os criminosos chegaram a cobrar até R$60 mil para autorizarem candidatos a entrarem em regiões controladas pela facção para fazer campanha.
As investigações apontam que integrantes do Comando Vermelho também ameaçavam eleitores, cancelavam eventos políticos e tentavam influenciar a escolha dos votos.
Três vereadores da cidade chegaram a ser presos por suspeita de envolvimento no esquema:
Carlos do Calisto (PSB);
Junim do Povo (Podemos);
Mário Vicktor (União Brasil).
A ação, batizada de Operação Omertá, palavra utilizada pela máfia italiana para descrever seu código de silêncio e honra.
Segundo os investigadores, o inquérito começou ainda em 2024 para apurar a atuação da facção nas eleições municipais daquele ano.
As investigações reuniram depoimentos e outras evidências de que o grupo buscava controlar a atividade política em bairros dominados pela organização.
Em 2026, segundo o Ministério Público, a interferência teria continuado. Eventos e reuniões de candidatos chegaram a ser cancelados após ameaças de morte e ataques.
Além da atuação da facção, a investigação também apura a participação de agentes públicos e políticos que teriam se beneficiado do esquema.
De acordo com o inquérito, candidatos precisavam pagar uma espécie de "pedágio" para fazer campanha em determinados bairros da cidade.
Os valores variavam conforme o perfil do candidato. Quem não possuía mandato pagaria cerca de R$30 mil.
Enquanto isso, candidatos que já ocupavam cargos eletivos precisam desembolsar R$60 mil para receber autorização para entrar nessas áreas.
Além da cobrança, a facção é suspeita de utilizar ameaças e intimidação para manipular a escolha política dos eleitores.
Ao todo, a Justiça autorizou 14 mandados de prisão preventiva. Sete deles foram cumpridos em Sobral e os outros seguem foragidos.
O crime organizado brasileiro cresceu a ponto de chamar a atenção do mundo e ser classificado como terrorista pelo governo americano.
A Brasil Paralelo investigou a fundo as raízes e a evolução da crise de segurança com a série Entre Lobos.
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