Segurança pública5 min de leitura

Veja como funcionava o esquema do Comando Vermelho para controlar as eleições no Ceará

Criminosos cobravam até R$60 mil para permitir campanhas em territórios dominados.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Criminosos do CV interferiam nas eleições do Ceará (operação Omertá).
Fonte da imagem: Reprodução

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Uma operação está investigando como traficantes estão interferindo nas eleições de Sobral, no interior do Ceará

Os criminosos chegaram a cobrar até R$60 mil para autorizarem candidatos a entrarem em regiões controladas pela facção para fazer campanha.

As investigações apontam que integrantes do Comando Vermelho também ameaçavam eleitores, cancelavam eventos políticos e tentavam influenciar a escolha dos votos

Três vereadores da cidade chegaram a ser presos por suspeita de envolvimento no esquema:

  • Carlos do Calisto (PSB);

  • Junim do Povo (Podemos);

  • Mário Vicktor (União Brasil).

A ação, batizada de Operação Omertá, palavra utilizada pela máfia italiana para descrever seu código de silêncio e honra

O que a investigação apura?

Segundo os investigadores, o inquérito começou ainda em 2024 para apurar a atuação da facção nas eleições municipais daquele ano.

As investigações reuniram depoimentos e outras evidências de que o grupo buscava controlar a atividade política em bairros dominados pela organização.

Em 2026, segundo o Ministério Público, a interferência teria continuado. Eventos e reuniões de candidatos chegaram a ser cancelados após ameaças de morte e ataques.

Além da atuação da facção, a investigação também apura a participação de agentes públicos e políticos que teriam se beneficiado do esquema.

Como funcionava o esquema?

De acordo com o inquérito, candidatos precisavam pagar uma espécie de "pedágio" para fazer campanha em determinados bairros da cidade.

Os valores variavam conforme o perfil do candidato. Quem não possuía mandato pagaria cerca de R$30 mil.

Enquanto isso, candidatos que já ocupavam cargos eletivos precisam desembolsar R$60 mil para receber autorização para entrar nessas áreas.

Além da cobrança, a facção é suspeita de utilizar ameaças e intimidação para manipular a escolha política dos eleitores.

Ao todo, a Justiça autorizou 14 mandados de prisão preventiva. Sete deles foram cumpridos em Sobral e os outros seguem foragidos.

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