Ir para o conteúdo principal
Segurança pública•5 min de leitura

Veja como funcionava o esquema do Comando Vermelho para controlar as eleições no Ceará

Criminosos cobravam até R$60 mil para permitir campanhas em territórios dominados.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Criminosos do CV interferiam nas eleições do Ceará (operação Omertá).
Fonte da imagem: Reprodução

Receba notícias gratuitamente em seu email

Próximo envio em
00h
41m
52s

Uma operação está investigando como traficantes estão interferindo nas eleições de Sobral, no interior do Ceará. 

Os criminosos chegaram a cobrar até R$60 mil para autorizarem candidatos a entrarem em regiões controladas pela facção para fazer campanha.

As investigações apontam que integrantes do Comando Vermelho também ameaçavam eleitores, cancelavam eventos políticos e tentavam influenciar a escolha dos votos. 

Três vereadores da cidade chegaram a ser presos por suspeita de envolvimento no esquema:

  • Carlos do Calisto (PSB);

  • Junim do Povo (Podemos);

  • Mário Vicktor (União Brasil).

A ação, batizada de Operação Omertá, palavra utilizada pela máfia italiana para descrever seu código de silêncio e honra. 

O que a investigação apura?

Segundo os investigadores, o inquérito começou ainda em 2024 para apurar a atuação da facção nas eleições municipais daquele ano.

As investigações reuniram depoimentos e outras evidências de que o grupo buscava controlar a atividade política em bairros dominados pela organização.

Em 2026, segundo o Ministério Público, a interferência teria continuado. Eventos e reuniões de candidatos chegaram a ser cancelados após ameaças de morte e ataques.

Além da atuação da facção, a investigação também apura a participação de agentes públicos e políticos que teriam se beneficiado do esquema.

Como funcionava o esquema?

De acordo com o inquérito, candidatos precisavam pagar uma espécie de "pedágio" para fazer campanha em determinados bairros da cidade.

Os valores variavam conforme o perfil do candidato. Quem não possuía mandato pagaria cerca de R$30 mil.

Enquanto isso, candidatos que já ocupavam cargos eletivos precisam desembolsar R$60 mil para receber autorização para entrar nessas áreas.

Além da cobrança, a facção é suspeita de utilizar ameaças e intimidação para manipular a escolha política dos eleitores.

Ao todo, a Justiça autorizou 14 mandados de prisão preventiva. Sete deles foram cumpridos em Sobral e os outros seguem foragidos.

[LEAD] BOX BUC

O Brasil nas mãos do crime

O crime organizado brasileiro cresceu a ponto de chamar a atenção do mundo e ser classificado como terrorista pelo governo americano. 

A Brasil Paralelo investigou a fundo as raízes e a evolução da crise de segurança com a série Entre Lobos. 

O sucesso de 2022 chamou a atenção para essa questão, ajudando milhões de brasileiros a compreenderem a situação.

Agora, a produção está sendo atualizada em um novo lançamento que está na plataforma da Brasil Paralelo. 

Clique aqui para não perder.

[LEAD] BOX BUC
[LEAD] BOX BUC