As Malvinas são argentinas? Entenda a disputa por trás do discurso de Milei na ONU
Ilhas disputadas com a Inglaterra foram mencionadas em discurso do presidente.

Milei tem uma tradição de ser extremamente polêmico em seus discursos em organizações internacionais.
Este ano não foi diferente, ele começou tocando em um tema sensível para o povo argentino, a soberania das ilhas Malvinas.
O argentino começou dizendo que uma organização com os objetivos da ONU deveria defender a posse argentina das ilhas britânicas no Atlântico Sul:
“As Malvinas são, para nós, uma causa nacional. Repito: as Malvinas são, para nós, uma causa nacional e também uma prova da distância que pode existir entre as palavras das instituições internacionais e a realidade sobre a qual elas pretendem atuar.”
Ao longo de sua eleição, Milei foi muito criticado por elogiar a ex-premier britânica Margaret Thatcher, que esteve à frente do país durante a guerra das Malvinas em 1982.
Agora, o presidente tem adotado cada vez mais uma postura combativa sobre as ilhas, chegando a anunciar sanções contra empresas britânicas que explorem petróleo no território.
A Brasil Paralelo estudou a fundo a história da Argentina e as raízes de sua crise em um trilogia especial. Assista abaixo ao primeiro episódio de A Queda da Argentina:
Por que Inglaterra e Argentina disputam as ilhas?
Em 1833, a Inglaterra expulsou a guarnição militar argentina que assegurava o frágil controle das Ilhas Malvinas, que passaram a ser chamadas de Falklands pelos britânicos.
Por décadas, os argentinos afirmavam que eram os legítimos donos do arquipélago, guardando um forte ressentimento.
A tentativa de retomar o controle do território só veio a acontecer mais de um século depois, em 1982.
Naquele ano, a junta militar de Buenos Aires estava em crise e precisava de uma vitória para tentar melhorar a moral do povo.
Vendo que o governo de Margaret Thatcher lutava para tirar o Reino Unido da crise econômica, a Argentina acreditava que não havia retaliação e atacou a ilha.
O cálculo político não poderia estar mais errado, os ingleses responderam e derrotaram os militares argentinos em 74 dias.
A guerra deixou marcas profundas na memória do país, cuja população não guarda simpatia pelos britânicos até os dias atuais.







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