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Mundo•5 min de leitura

Coreia do Sul promete punição em meio a tensão militar com a Coreia do Norte

Regime de Pyongyang anunciou mais tropas na fronteira e fala em retomar propaganda contra país vizinho.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Guerra nas coreias? entenda tensão
Fonte da imagem: Reprodução

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23h
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A tensão militar entre a Coreia do Sul e o regime socialista da Coreia do Norte está aumentando após uma série de declarações atravessadas. 

Nesta terça-feira (20), o governo de Seul publicou uma nota na qual classificou como inadmissível o aumento da presença militar norte-coreana na fronteira.

Em comunicado, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou estar "gravemente preocupado" com a possibilidade de Pyongyang instalar mais armas de ataque tático na região.

O regime também anunciou que vai retomar transmissões de propaganda por alto-falantes contra o Sul.

O governo sul-coreano também defendeu que suas próprias ações na fronteira tiveram caráter defensivo:

"As transmissões por alto-falantes e os tiros de advertência realizados pela Coreia do Sul constituíram uma medida defensiva legítima destinada a impedir incursões e forçar a retirada das tropas norte-coreanas que cruzaram a Linha de Demarcação Militar."

Na mesma nota, Seul fez uma ameaça direta ao regime e falou na possibilidade de uma “punição” severa:

"Se a Coreia do Norte usar nossas medidas legítimas como pretexto para realizar novas provocações, nós a puniremos com determinação."

Além disso, o ministério pediu que Pyongyang deixe de fazer o que chamou de "alegações infundadas" e volte ao diálogo para resolver as divergências entre os dois países.

  • A Coreia do Norte é um dos países mais fechados do mundo e vive sob uma ditadura inspirada nos ideais comunistas. Conheça a origem dessa ideologia com o épico História do Comunismo. Assista ao primeiro episódio abaixo:

A resposta veio após declarações da irmã de Kim Jong-un

A nota foi divulgada um dia depois de Kim Yo Jong, irmã do ditador Kim Jong-un, afirmar que a Coreia do Norte estuda reforçar sua presença militar na fronteira.

Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, ela disse que a situação na região ficou "muito instável" e acusou a Coreia do Sul de ameaçar militares com tiros de advertência.

"Atualmente, a situação na fronteira sul está muito instável. Os belicistas das forças armadas da República da Coreia estão ameaçando seriamente a segurança de nossos militares, disparando tiros de advertência contra eles com fuzis automáticos e metralhadoras de grosso calibre."

Ela afirmou ainda que o comando militar norte-coreano avalia adotar novas medidas e retomar a propaganda contra o vizinho:

"Nossa liderança militar está examinando a possibilidade de implantar mais meios de ataque tático ao longo da fronteira sul como medida preventiva e de repressão para lidar com contingências, bem como de retomar as transmissões por alto-falantes contra a Coreia do Sul."

Kim Yo Jong afirmou entre 1º de agosto e 17 de outubro, a Coreia do Sul realizou 2.870 transmissões por alto-falantes e disparou 201 tiros de advertência na região de fronteira.

Segundo Seul, soldados norte-coreanos cruzaram a Linha de Demarcação Militar cerca de 50 vezes em 2026.

Disputa começou após explosões de minas

A escalada acontece poucas semanas depois da explosão de minas terrestres na zona de fronteira.

Segundo a Coreia do Sul, os explosivos teriam sido instalados pela Coreia do Norte e feriram soldados. 

Seul responsabilizou formalmente Pyongyang pelo episódio, exigiu um pedido de desculpas e solicitou a retirada de outras minas da região.

O governo norte-coreano negou qualquer envolvimento e afirmou que responderia com firmeza caso sofresse novas provocações.

Nos últimos anos, a fronteira entre os dois países recebeu novas fortificações por parte do Norte, incluindo minas terrestres, cercas de arame farpado e barreiras antitanque.

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Rumores sobre a saúde de Kim Jong-un voltam a circular

O aumento da tensão acontece em meio a uma série de especulações sobre a saúde de Kim Jong-un.

Ele foi visto pela última vez em 11 de outubro, durante uma visita a um museu de defesa em Pyongyang.

Nos últimos dias, rumores divulgados nas redes sociais afirmaram que o líder norte-coreano teria sofrido uma hemorragia cerebral.

Ele teria entrado em coma e sido levado para o Hospital Peking Union Medical College, em Pequim, na China.

As alegações ganharam repercussão após serem mencionadas pelo jornal britânico The Sun.

Até o momento, porém, não há qualquer tipo de confirmação sobre a veracidade dessas informações. 

Autoridades da Coreia do Norte e da China também não apontam qualquer internação ou problema de saúde envolvendo Kim Jong-un.

Esta não é a primeira vez que surgem rumores sobre sua saúde. Em 2020, um desaparecimento de cerca de 20 dias também levou a especulações de que Kim teria passado por um procedimento cardiovascular.

Caso o líder norte-coreano morra, o nome mais citado para substituí-lo é justamente o de sua irmã Kim Yo Jong.

A filha de Kim, Kim Ju-ae, também tem aparecido publicamente ao lado do pai, o que tem sido interpretado como sinal de que ele gostaria que ela assumisse no futuro, porém ela ainda tem apenas 13 anos.
Apesar do regime coreano seguir uma vertente do socialismo chamada de Juche, ele é governado por uma dinastia familiar.

O primeiro líder do país foi Kim Il Sung, que passou o poder para seu filho, Kim Jong Il, pai do atual ditador.

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