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Trabalho forçado e vigilância total: Coreia do Norte envia mulheres para trabalhar na guerra da Rússia

Mulheres têm documentos confiscados, vigilância constante e parte dos salários desviada ao regime enquanto ajudam a sustentar a guerra.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Escrevas de Pyongang
Fonte da imagem: Reprodução

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A aliança entre Vladimir Putin e Kim Jong-un ganhou uma nova frente: mulheres norte-coreanas estariam sendo enviadas à Rússia em condições comparadas à escravidão.

De acordo com o jornal britânico The Sun, citando a agência East2West, grupos de cerca de 40 mulheres atravessaram a fronteira para trabalhar em linhas de montagem, cozinhas e fazendas ligadas ao esforço de guerra russo na Ucrânia.

Elas recebem, oficialmente, cerca de R$32 por hora. Mas parte do dinheiro é desviada para o Estado norte-coreano.

O salário, porém, é apenas uma parte da história.

De acordo com a reportagem, as mulheres têm os documentos confiscados, são obrigadas a permanecer em grupos fixos e ficam sob vigilância constante de supervisores homens enviados por Pyongyang.

A circulação delas dentro da Rússia também seria rigidamente controlada.

Na prática, o regime de Kim Jong-un exporta mão de obra vigiada para ajudar Moscou enquanto transforma a guerra em fonte de receita.

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Guerra virou negócio para a Coreia do Norte

A cooperação entre Rússia e Coreia do Norte se aprofundou desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Além do envio de armamentos e soldados, Pyongyang teria se comprometido a mandar até 50 mil combatentes para reforçar as forças russas.

A inteligência sul-coreana estima que a Coreia do Norte já tenha arrecadado dezenas de bilhões de reais com sua participação no conflito.

As mulheres enviadas agora fariam parte dessa engrenagem.

Elas não aparecem na linha de frente, mas ajudam a manter a estrutura que sustenta a guerra: produção, alimentação e apoio logístico.

Relatórios anteriores já haviam descrito condições semelhantes entre trabalhadores norte-coreanos enviados à Rússia.

A organização Global Rights Compliance reuniu depoimentos que falam em um sistema baseado em “controle, abuso e coerção”.

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Mais de 2 mil norte-coreanos podem ter morrido na guerra

Homens norte-coreanos relataram jornadas de até 16 horas por dia, sete dias por semana, sem folgas, sem férias, dormindo em barracões infestados de baratas e sob vigilância constante.

As estimativas indicam que entre 2 mil e 3 mil norte-coreanos já morreram no conflito, principalmente na região de Kursk, onde atuaram contra uma incursão ucraniana em território russo.

O envio das mulheres mostra que a guerra da Ucrânia deixou de ser apenas um conflito entre Moscou e Kiev.

Ela também se tornou uma fonte de dinheiro e controle para ditaduras aliadas da Rússia.

No caso da Coreia do Norte, a guerra também passou a envolver o envio de trabalhadores ao exterior sob controle direto de supervisores enviados por Pyongyang.

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