História5 min de leitura

Você só está vivo hoje porque este homem decidiu desobedecer um computador

Stanislav Petrov foi duramente repreendido pelo regime soviético, apesar de ter salvado a humanidade.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Stanislav Petrov, o militar que salvou o mundo
Fonte da imagem: Reprodução

Receba notícias gratuitamente em seu email

Em setembro de 1983, o tenente-coronel soviético Stanislav Petrov salvou a humanidade da aniquilação ao duvidar de uma máquina

Naquela época, a Guerra Fria passava por uma fase de reaquecimento e a tensão entre EUA e URSS chegava a um pico.

Figuras como Reagan, Margaret Thatcher e o papa João Paulo II estavam batendo de frente com a Cortina de Ferro.

Enquanto isso, o ditador e ex-líder da KGB, Iúri Andropov, estava cada vez mais paranóico, temia uma ofensiva ocidental contra o território soviético.

  • Conheça a história do papa João Paulo II com o épico biográfico O Papa que Venceu o Comunismo. Clique aqui e garanta seu acesso

O alerta do fim do mundo 

Nesse cenário de tensão cada vez maior, os sistemas de radar alerta da União Soviética dispararam no meio da noite.

Os computadores alegavam que um míssil nuclear americano estava voando a 24.000 quilômetros por hora em direção à Rússia.

O rígido protocolo soviético exigia que os operadores iniciassem um contra-ataque imediato e violento.

Porém, o tenente-coronel Stanislav Petrov, que monitorava a situação dentro de um bunker, decidiu quebrar as regras e esperar alguns minutos.

Apesar dos alertas do computador, verificou os satélites de observação e não conseguiu encontrar sinais da arma.

Em cinco minutos, outros quatro alertas foram disparados, sinalizando que haviam cinco mísseis em direção ao território soviético.

Cada um deles tinha o dobro do poder destrutivo de todas as bombas utilizadas ao longo da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo com o peso de segurar o destino da nação em suas mãos, ele não alertou seus superiores, apenas esperou.

Caso os mísseis fossem reais e ele não fizesse nada, sua pátria seria destruída, mas se fosse um erro no sistema, ele traria a morte para milhões de inocentes.

Petrov se recusava a fazer qualquer movimento sem uma confirmação visual do ataque enquanto assistia aos radares alertando para o impacto.

Ele sabia que se fizesse seu trabalho não haveria volta, seus mísseis eram reais e a resposta dos americanos também seria de verdade.

No entanto, achava muito estranho que mandassem apenas cinco mísseis ao invés de centenas, como esperado.

Cerca de 15 minutos depois, o radar confirmou que não havia nenhum míssil. Sozinho, Petrov havia acabado de salvar o mundo.

[LEADS] Brasil Evangélico

O que aconteceu com Petrov após o caso?

O regime socialista abafou o caso, que só veio a público 20 anos depois, afinal de contas os sistemas falharam e isso poderia ser visto como uma fragilidade.

Petrov foi levado para diversas sessões de interrogatórios e foi duramente repreendido, mas não sofreu punições, um prêmio por salvar a humanidade.

No ano seguinte, ele abandonou a carreira militar e passou a trabalhar no instituto que desenvolveu os sistemas de radar. Sua aposentadoria veio em 1997, pouco tempo após a morte da esposa. 

O reconhecimento veio oficialmente em 2004, quando ele ganhou um troféu da Association of World Citizens e um prêmio em dinheiro avaliado em US$1.000.

[LEADS] Brasil Evangélico
[LEADS] Brasil Evangélico