Chanceler convocou embaixadores dos dois países após presidente argentino chamar Lula de "presidiário" e Moraes de "lixo careca".

O Brasil e a Argentina estão no meio de um embate diplomático. Neste domingo (26), o governo brasileiro divulgou uma nota oficial do Itamaraty repudiando declarações feitas pelo por Javier Milei durante sua visita a São Paulo.
A nota classifica o episódio como sem precedentes.
"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro".
O Itamaraty destaca ainda a relevância histórica da relação entre os dois países para reforçar a gravidade do episódio.
"É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial".
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Segundo o documento, Mauro Vieira convocou o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do governo brasileiro às falas de Milei e para cobrar explicações sobre o comportamento do presidente argentino em território brasileiro.
O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, também foi chamado a consultas no país.
Convocar um embaixador para consultas é considerado, na diplomacia, um sinal de forte descontentamento político, ainda que não represente, por si só, o rompimento de relações entre os países.
A crise começou depois que Milei discursou na convenção do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
No evento, ele chamou Lula de "ladrão" e "presidiário", e classificou o ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca", depois de ter um pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro negado pela Justiça brasileira.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, também reagiu diretamente às críticas contra Moraes, classificando a fala de Milei como uma "referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do país, feita em solo brasileiro".
Segundo ele, esse tipo de manifestação não condiz com a boa relação que deveria existir entre países.
Em entrevista à TV Globo, Mauro Vieira já havia classificado as declarações de Milei como "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis", mas descartou, por ora, medidas diplomáticas mais duras, como a retirada definitiva de representação diplomática entre os dois países.
"A retirada de embaixadores é um passo de grande gravidade. Dentro desse contexto de preservação, nós não vamos fazer isso agora".

“Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou na tarde deste domingo o Embaixador da República Argentina, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do Governo brasileiro aos impropérios emitidos pelo Presidente Javier Milei durante a sua visita privada a São Paulo, em 25 de julho, e cobrar explicações sobre o comportamento do mandatário argentino em território brasileiro.
Também neste domingo, por determinação do Ministro Mauro Vieira, o Embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a consultas ao Brasil.
Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”.
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