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23 brasileiros dizem ter sido traficados para aplicar golpes e pedem ajuda para voltar de Madagascar

Grupo afirma ter sido mantido em cárcere. Itamaraty presta assistência, mas diz que a repatriação depende de critérios.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Brasileiros ficaram em aeroporto até serem acolhidos por organização em Madagascar
Fonte da imagem: Reprodução

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Vinte e três brasileiros dizem ter sido levados para uma rede de tráfico humano e obrigados a aplicar golpes pela internet.

Agora, eles estão em Madagascar e pedem ajuda do governo brasileiro para voltar para casa.

O grupo enviou uma carta ao Itamaraty. Afirma estar em situação de “extrema vulnerabilidade e risco iminente à vida”.

Segundo o documento, os brasileiros passaram primeiro pelo Camboja. Lá, teriam tido a liberdade restringida e sido forçados a trabalhar em fraudes online.

Depois, foram levados para Madagascar.

Em 19 de agosto, acabaram presos durante uma operação contra o complexo onde estavam. As autoridades locais suspeitavam do envolvimento deles em um esquema de golpes eletrônicos.

Os brasileiros afirmam que eram vítimas do próprio grupo criminoso.

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Retorno ao Brasil continua incerto

O Itamaraty diz que as autoridades de Madagascar os acusam de integrar um esquema internacional de fraudes digitais contra brasileiros.

Após a prisão, os passaportes foram apreendidos. O grupo afirma que os documentos só serão devolvidos quando apresentarem passagens de volta ao Brasil.

Esse é justamente o problema.

“Não temos recursos financeiros, tampouco nossas famílias no Brasil”, diz o pedido enviado ao governo.

Os brasileiros também solicitaram a emissão de uma Autorização de Retorno ao Brasil. O documento permite o embarque mesmo sem passaporte.

O Itamaraty afirma que mantém contato diário com o grupo. Também diz ter ajudado com hospedagem e auxílio financeiro.

Uma missão presencial para Antananarivo está sendo preparada.

A repatriação, porém, ainda não está garantida.

O caso segue um padrão já identificado em documentos oficiais sobre tráfico humano.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que redes criminosas atraem vítimas com falsas vagas de trabalho no exterior. Depois, confiscam documentos e obrigam essas pessoas a aplicar golpes digitais.

Esses locais são conhecidos como scam centres.

Em alguns casos, quem envia a mensagem fraudulenta também está sendo ameaçado por criminosos.

Os 23 brasileiros dizem ter escapado dessa estrutura. Agora, ainda precisam conseguir voltar ao Brasil.

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