Grupo afirma ter sido mantido em cárcere. Itamaraty presta assistência, mas diz que a repatriação depende de critérios.

Vinte e três brasileiros dizem ter sido levados para uma rede de tráfico humano e obrigados a aplicar golpes pela internet.
Agora, eles estão em Madagascar e pedem ajuda do governo brasileiro para voltar para casa.
O grupo enviou uma carta ao Itamaraty. Afirma estar em situação de “extrema vulnerabilidade e risco iminente à vida”.
Segundo o documento, os brasileiros passaram primeiro pelo Camboja. Lá, teriam tido a liberdade restringida e sido forçados a trabalhar em fraudes online.
Depois, foram levados para Madagascar.
Em 19 de agosto, acabaram presos durante uma operação contra o complexo onde estavam. As autoridades locais suspeitavam do envolvimento deles em um esquema de golpes eletrônicos.
Os brasileiros afirmam que eram vítimas do próprio grupo criminoso.
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O Itamaraty diz que as autoridades de Madagascar os acusam de integrar um esquema internacional de fraudes digitais contra brasileiros.
Após a prisão, os passaportes foram apreendidos. O grupo afirma que os documentos só serão devolvidos quando apresentarem passagens de volta ao Brasil.
Esse é justamente o problema.
“Não temos recursos financeiros, tampouco nossas famílias no Brasil”, diz o pedido enviado ao governo.
Os brasileiros também solicitaram a emissão de uma Autorização de Retorno ao Brasil. O documento permite o embarque mesmo sem passaporte.
O Itamaraty afirma que mantém contato diário com o grupo. Também diz ter ajudado com hospedagem e auxílio financeiro.
Uma missão presencial para Antananarivo está sendo preparada.
A repatriação, porém, ainda não está garantida.
O caso segue um padrão já identificado em documentos oficiais sobre tráfico humano.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que redes criminosas atraem vítimas com falsas vagas de trabalho no exterior. Depois, confiscam documentos e obrigam essas pessoas a aplicar golpes digitais.
Esses locais são conhecidos como scam centres.
Em alguns casos, quem envia a mensagem fraudulenta também está sendo ameaçado por criminosos.
Os 23 brasileiros dizem ter escapado dessa estrutura. Agora, ainda precisam conseguir voltar ao Brasil.
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