Governo brasileiro convocou embaixadores e chanceler classificou as falas do argentino como "inaceitáveis".

A relação entre Brasil e Argentina vive um dos momentos mais tensos dos últimos anos. Em entrevista à uma rádio, Javier Milei acusou o governo brasileiro de ter bancado parte da campanha que tentou impedi-lo de chegar à presidência, em 2023.
Ele afirmou que 25% dos recursos usados contra sua candidatura teriam vindo do Brasil, e que assessores enviados por Lula teriam atuado ativamente na campanha do então candidato Sergio Massa, seu principal adversário na disputa.
"Sabe quem mais colocou dinheiro nesta campanha anti-Argentina? O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos vieram de lá. E depois eles vêm falar de interferência",
A declaração aconteceu um dia depois de Milei discursar na convenção do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
No evento, o argentino chamou Lula de "ladrão" e "presidiário", e o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca", depois de ter um pedido de visita a Jair Bolsonaro negado pela Justiça brasileira.
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As declarações provocaram uma sequência rápida de reações. O governo brasileiro convocou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, e chamou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos.
Convocar um embaixador é considerado um sinal de forte descontentamento político, embora ainda esteja um degrau abaixo de medidas mais severas, como a retirada definitiva de representação diplomática.
Em entrevista à TV Globo, o chanceler Mauro Vieira classificou as falas de Milei como "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis" e as descreveu como uma interferência em assuntos domésticos brasileiros.
Ainda assim, ele descartou por ora medidas diplomáticas mais duras.
O ministro Edson Fachin também reagiu diretamente às críticas contra Moraes, chamando a fala de Milei de "referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do país, feita em solo brasileiro".
Segundo Fachin, esse tipo de fala não condiz com a boa relação que deveria existir entre países. O PT também divulgou nota de repúdio.
“É inadmissível, contudo, que um chefe de Estado estrangeiro venha ao nosso país e se dirija em termos desrespeitosos aos seus poderes constituídos.
Não surpreende que o atual presidente da Argentina se comporte desta maneira. Afinal não são poucas as situações recentes em que ele demonstrou não estar à altura do cargo que ocupa”.
Durante o discurso na convenção do PL, Milei criticou a Justiça brasileira por não permitir que ele visitasse Jair Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente está preso injustamente.
Ele lembrou que Lula recebeu diversas lideranças estrangeiras enquanto esteve preso. Citou como exemplo o ex-presidente argentino Alberto Fernández.
Já em entrevista à rádio, ele voltou ao tema. Disse que "o ex-presidiário veio saudar a ré", numa referência a Lula visitando a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar.
"Aqui não houve nenhum problema, ninguém proibiu nada. No entanto, não me deixaram visitar meu amigo".
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