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Leia na íntegra o discurso de Milei na convenção que oficializa Flávio Bolsonaro como candidato

Presidente também recebeu homenagem do governo de São Paulo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Javier Milei discursando durante evento do PL
Fonte da imagem: Rafael Barretti/Brasil Paralelo

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O presidente da Argentina, Javier Milei está no Brasil e participou de dois eventos em São Paulo hoje (25).

Na manhã, Milei foi agraciado com a medalha da Ordem do Ipiranga, uma das principais honrarias no estado.

Depois, foi à Convenção Nacional do PL, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Veja abaixo o discurso completo dele:

Olá a todos.

Em primeiro lugar, quero agradecer às autoridades do Partido Liberal e, em especial, a Flávio Bolsonaro por me convidar para participar deste evento tão importante às vésperas das eleições no Brasil.

É um grande prazer para mim estar neste país, entre aqueles que compartilham minha paixão pelas ideias da liberdade. Isso ganha especial relevância em um momento como este, quando uma nação inteira se debate entre a libertação ou a continuidade de sua submissão à esquerda.

Por isso, é importante que tenhamos muito claros os termos dessa batalha e o que está em jogo, porque aquilo que as urnas decidirem no curto prazo, sem dúvida alguma, terá consequências nas próximas décadas.

Vocês não devem escolher apenas por vocês mesmos, mas também pelas gerações futuras, por uma história cujo veredicto, cedo ou tarde, chegará e não perdoa.

Quero compartilhar com vocês algumas palavras que, se Deus permitir, ajudarão a inclinar a balança em favor do bem, incentivando-os a buscar, com determinação, a mudança que estão procurando.

Desde que assumi a Presidência da República Argentina, venho insistindo em uma ideia específica: os argentinos são profetas de um futuro distópico.

Vivemos as consequências de seguir o caminho do socialismo até o fim e vimos como nossa nação, que já foi uma potência mundial, foi afundada na pobreza pela esquerda.

E, justamente porque passamos por isso, não queremos que outros povos passem pelo mesmo.

Por isso, parte da missão do nosso governo é alertar outras nações para que mudem de rumo a tempo e possam evitar tragédias sociais e econômicas como a da Argentina — ou até piores.

Fizemos isso em visitas a outros países, em fóruns e organismos internacionais e em todos os lugares onde tivemos oportunidade. E continuaremos fazendo.

Seguiremos levando nosso testemunho, em toda parte, contra as mentiras do socialismo.

Quando chegamos ao poder, nosso país caminhava para uma nova hiperinflação, a terceira de sua história.

O kirchnerismo — ou seja, a versão argentina de "o Presidiário", como ele se refere a Lula — havia consumido praticamente todos os recursos disponíveis para sustentar um modelo econômico e político baseado em interesses estabelecidos.

Um sistema em conflito com os princípios básicos do direito natural e com as noções mais elementares da economia. Na verdade, estava em conflito com a própria realidade, e isso nos conduzia a uma crise terminal, provavelmente a pior que já enfrentamos.

Os argentinos haviam sido seduzidos pelo canto da sereia do socialismo do século XXI.

Foram levados a acreditar, por meio da propaganda, que o déficit fiscal não importava — ou que, inclusive, era algo positivo; que regulações sem fim existiam para nos proteger; que o Estado poderia substituir o espírito empreendedor de todo um país; que a riqueza poderia ser distribuída antes mesmo de ser criada.

Todas essas falsas promessas terminaram da mesma forma: com mais pobreza, mais déficit fiscal, mais inflação e uma infinidade de leis e regulações que dificultam a vida de milhões de pessoas.

Assim, para financiar um Estado insaciável, primeiro consumiram a poupança privada. Como isso não bastou, destruíram também a estabilidade monetária, financiando o déficit fiscal com emissão de dinheiro.

Estou falando de um governo que emitiu o equivalente a 13 pontos percentuais do PIB em um único ano para tentar vencer uma eleição e que ainda se gabava disso nas redes sociais.

Enquanto isso, havia um país vizinho que interferia na política argentina para tentar mudar o rumo da história em favor da esquerda. 

Estou falando do mesmo país que prende opositores simplesmente por serem opositores.

E, para justificar esses ataques à propriedade privada, destruíram princípios morais básicos e também a educação que lhes dava sustentação.

Além disso, antecipando críticas de seus aliados históricos no Ocidente por seguir esse caminho autodestrutivo, romperam a tradição diplomática argentina e alinharam o país a ditaduras e grupos terroristas de diferentes partes do mundo.

Assim nos deixaram: pobres e isolados, em um mundo que muda em velocidade cada vez maior, onde cada dia perdido sob o velho modelo nos fazia ficar ainda mais para trás.

Eles condenaram o país à ruína apenas para preservar seus privilégios. As famílias e as empresas já não conseguiam planejar o futuro. 

Os jovens estavam convencidos de que o único projeto de vida possível era emigrar ou resignar-se à pobreza.

A inflação moldou a psicologia dos argentinos, obrigando-os a viver com horizontes temporais cada vez menores, abrindo mão do longo prazo para sobreviver ao dia a dia. 

Na prática, estavam empurrando os argentinos para níveis cada vez maiores de barbárie e incerteza.

Essa foi a calamidade da herança que recebemos: fazer uma geração inteira acreditar que o futuro estava em outro lugar ou, simplesmente, que ele não existia.

E o motivo de tudo isso é simples. Não se trata de decisões pessoais, mas dos incentivos que surgem quando se tenta agir contra as verdades evidentes da natureza humana em nome do poder.

Porque, quando alguém entra em conflito com os princípios básicos da humanidade, acaba entrando em conflito com a própria realidade e precisa inventar, todos os dias, novos remendos para impedir que a realidade desmonte suas ideias.

Por isso, o caminho para o socialismo é sempre — e em qualquer lugar — o caminho para o totalitarismo, porque o socialista precisa usar todos os meios à sua disposição para negar uma realidade que demonstra que suas ideias são falsas, nocivas e destrutivas para qualquer nação.

E, para isso, utiliza todas as ferramentas coercitivas do Estado. Acredito que vocês saibam muito bem do que estou falando aqui.

De forma muito semelhante ao mito grego do leito de Procusto, a esquerda busca impor uma conformidade extrema a um sistema anti-humano, que exige, como regra, uma igualdade absoluta e ilusória.

Ou seja, uma situação em que o indivíduo precisa ser quebrado para se encaixar, como acontecia com os viajantes do mito grego, que eram esticados ou mutilados conforme a necessidade de seu anfitrião.

O que quero lhes dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais profundas e devastadoras desse modelo, mas poderá vivê-las se não mudar de rumo. Confiamos em você, Flávio, para deter o lixo socialista.

O socialismo do século XXI criou raízes profundas neste país. O infame Foro de São Paulo, fundado por Lula da Silva e Fidel Castro, foi uma rede transnacional fundamental para a disseminação do comunismo no continente.

A linha política e teórica é a mesma. Apenas em cada país ela opera dentro das limitações próprias de seu território, de suas lideranças e de suas oposições. Ou seja, diferentes manifestações de um mesmo fenômeno universal e atemporal.

Uma corrupção que existe desde que o homem é homem, desde que Caim matou seu irmão Abel. São a inveja e o ressentimento transformados em filosofia, mascarados sob as bandeiras da igualdade e da solidariedade.

E isso não leva a outra coisa senão ao roubo como sistema político. Leva ao roubo como sistema político.

Por isso, não se surpreendam ao ver que os socialistas sempre estarão ao lado dos ladrões, porque os socialistas são ladrões. 

E, como eu disse antes, essa visão de mundo não pode tolerar que existam países governados segundo as ideias da liberdade, porque eles funcionam como um espelho invertido de suas mentiras.

Em outras palavras, nós demonstramos todos os dias que o sistema deles não é apenas ineficiente, mas profundamente injusto. Por isso, a cada dia que passa, o desespero deles aumenta.

Eles não podem permitir que suas populações experimentem uma vida próspera e livre, sem depender da esmola dos políticos, nem podem aceitar que exista, ao lado deles, alguém desfrutando dos frutos da liberdade humana.

Por isso, hoje o socialismo latino-americano está sendo derrotado eleição após eleição: Argentina, Colômbia, Peru, Chile, Equador e, esperamos que em outubro, também um Brasil liberal. Porque os contra exemplos são poderosos.

A transformação vivida pela Argentina repercute em toda a região e também no restante do mundo. Há outras nações despertando. Pouco a pouco, o véu está sendo retirado.

Entretanto, essa ideologia continua agarrada ao Brasil pelas mãos de um de seus principais promotores e mais antigos representantes. 

E, por esse motivo, diante do isolamento e da ameaça, aprofundou seu modelo populista. Nós fomos testemunhas do que o socialismo é capaz de fazer quando se sente acuado. Sabemos do que estamos falando.

Quando seus privilégios estão em jogo, não existe limite para o que estão dispostos a fazer.

E o futuro de todos os brasileiros sofrerá por causa disso. Por isso, não deixem que os socialistas ladrões roubem o futuro de vocês. 

A estratégia é a mesma em toda parte: destruir as contas públicas para vencer eleições prometendo soluções fáceis, imediatas e artificiais. É uma estratégia que conhecemos muito bem e que chamamos de ‘plan platita’.

O plano é simples: mais gastos financiados por mais dívida, mais impostos ou, pior ainda, mais emissão de moeda e mais inflação. Os benefícios aparecem agora; as consequências ficam para depois. É a receita perfeita para o desastre.

Esse modo de agir é igual em toda a região: provocar um desequilíbrio econômico com o objetivo de preservar votos no curto prazo e permanecer no poder. Depois, quando perdem a eleição, assume a direita e precisa resolver todos esses problemas.

Enquanto isso, a própria esquerda, que os causou, culpa quem tenta corrigi-los. Se vencem, vencem, se perdem, também. Exemplos não faltam.

Basta olhar para o que acontece na Bolívia, no Chile, no Equador e na Colômbia. Essa foi a tragédia do socialismo do século XXI. Nunca entregou aos seus sucessores um país preparado para continuar crescendo. Pelo contrário.

Sempre deixou a mesma herança: um Estado gigantesco, uma economia destruída, uma moeda fraca e uma sociedade exausta de servir como laboratório do experimento socialista. E, quando chega a hora de colocar ordem nesse caos, são justamente aqueles que o provocaram que denunciam o custo das medidas necessárias para corrigi-lo.

Por isso, está na hora de afiar a tesoura. Afiar a tesoura para cortar o roubo praticado por todos os delinquentes socialistas.

No ano passado, durante as eleições legislativas na Argentina, o Congresso chegou ao extremo de tentar abrir sete processos de impeachment e apresentou diversos projetos que levariam o país à falência, com o objetivo de destruir o equilíbrio fiscal.

Buscavam, a qualquer custo, provocar um golpe de Estado, gerando pânico nos mercados e uma corrida contra o dólar.

Quando se trata de permanecer no poder ou recuperar privilégios perdidos, realmente não conhecem limites. Assim, hoje o Brasil caminha para uma crise da dívida, resultado de Lula não ter feito o ajuste fiscal que a situação exigia e, agora, estar agravando ainda mais o problema para aumentar suas chances de vencer as eleições.

Ou seja, o desperdício, cedo ou tarde, cobra seu preço. E esperamos que esse preço seja pago por quem o provocou, sendo derrotado nas urnas em outubro.

Voltou um poder radicalizado, seguindo páginas do manual de desastres que o kirchnerismo escreveu na Argentina.

Se na Argentina temos aquilo que chamamos de "risco Kuka", aqui no Brasil hoje vocês têm o "risco Lula", algo que, segundo Milei, se reflete claramente no mercado acionário.

Mas por que Lula se sente ameaçado? Porque existe alguém que, assim como aconteceu na Argentina, está disposto a enfrentá-lo e a se tornar a voz dessa maioria silenciosa que já sofreu abusos.

Estou falando de Flávio Bolsonaro, filho do meu grande amigo, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliás, nem sequer me permitiram visitar meu amigo, injustamente preso, quando sei que Lula recebeu inúmeras lideranças estrangeiras durante o período em que esteve preso, entre elas o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández.

Isso nada mais é do que uma demonstração clara da injustiça de sua prisão e de seu evidente caráter vingativo. Meu estimado Jair, envio-lhe um abraço à distância.

Aquilo que hoje os burocratas estão impedindo em breve se tornará realidade, e voltaremos a nos abraçar. Por isso, considero que Flávio é a pessoa que hoje pode derrotar Lula e liderar uma verdadeira mudança para todos os brasileiros.

Hoje o Brasil pode se somar à transformação regional da qual fomos testemunhas nos últimos anos, fazendo da América Latina uma região sinônimo de progresso, e não de uma miséria romantizada sob o rótulo do realismo mágico.

Acredito firmemente que não há ninguém mais capaz de pôr fim ao risco Lula que paira sobre o Brasil como uma espada de Dâmocles.

E sei que não há outro com força suficiente para enfrentar as organizações criminosas e os cartéis do narcotráfico que mantêm tantos bairros, comunidades e até cidades inteiras como reféns.

Somente alguém com vontade de ferro pode travar essa batalha, porque não é simples enfrentar um desafio dessa magnitude. E, nisso, deposito total confiança no meu amigo Flávio Bolsonaro.

Já experimentamos o garantismo. Já experimentamos a paciência e a piedade com quem comete crimes. E todas essas estratégias socialistas fracassaram. Por isso, os brasileiros já sabem que existe apenas uma fórmula eficaz para erradicar a criminalidade:

Quem comete um crime deve pagar por ele. Já demonstramos que tudo isso é possível na Argentina. 

Mostramos que é possível reduzir a criminalidade e recuperar a ordem pública quando se governa com firmeza e se pune quem delinque.

Mostramos que é possível reduzir drasticamente o tamanho do Estado sem que a população perca serviços, porque o populismo o enche de funcionários ineficientes.

E, assim como conseguimos isso na Argentina, confio que o Brasil também poderá voltar a se levantar, porque é isso que Flávio representa.

Ao escolher as ideias da liberdade, vocês voltarão a testemunhar uma prosperidade à altura do Brasil.

E, quando finalmente começarem a se reerguer, vocês saberão que estão no caminho certo porque, um a um, os principais representantes do progressismo internacional iniciarão campanhas de difamação contra vocês.

Aqueles que nunca lhes deram muita atenção enquanto o país afundava lentamente na decadência aparecerão de repente, em massa, para apontar todos os seus defeitos — reais ou inventados — quando vocês começarem a prosperar.

Vocês já viram isso há quatro anos, nas últimas eleições presidenciais, e verão novamente.

Preparem-se. Porque a esquerda não tem problema algum em jogar sujo. Preparem-se para uma grande batalha. Os argentinos vivem isso há muito tempo.

Eles gostavam mais de nós quando éramos os melhores alunos do progressismo. Quando éramos um país-laboratório para seus experimentos políticos. Quando nosso governo abraçava modelos de decadência material e espiritual.

Queriam que aceitássemos, sem questionar, tudo o que seus representantes locais diziam sobre nós. Queriam que sentíssemos vergonha da nossa história e jogássemos nossos heróis nacionais no lixo. Queriam que continuássemos sendo a vanguarda do pior que existe.

Toda essa operação tem como objetivo destruir a autoestima dos nossos povos para torná-los mais dóceis diante das receitas do progressismo.

Um povo convencido de que seu passado foi injusto acaba acreditando que precisa desses falsos sacerdotes de uma religião sem Deus para ser redimido.

Transformam a culpa em ferramenta política. Usam a vergonha como instrumento de dominação.

Os de dentro e os de fora, todos os progressistas, compartilham exatamente o mesmo projeto.

Eles não querem representantes de uma miséria digna, relegados ao papel de animais de estimação, sem orgulho nem relevância, dentro de uma ordem mundial que não escolhemos.

Não querem que Argentina, Brasil, Peru, Colômbia nem qualquer outro país do continente americano seja grande, forte ou próspero.

E digo os progressistas porque esse ataque sistemático contra a Argentina e os argentinos — o mesmo que, segundo ele, o Brasil enfrentará caso comece a prosperar — não vem de conservadores, nem de liberais clássicos, nem de nada parecido.

Vem exclusivamente da esquerda radical, em todas as suas formas. Se vocês analisarem os dados da recente campanha contra a Argentina, verão que o país de onde partiram mais ataques foi o Brasil.

‘E não foram os brasileiros. Foi ‘a m***a progressista socialista’.

São eles que precisam que permaneçamos calados e obedientes para continuar impondo suas agendas que classificam como anti-humanas.

Mas o nosso Hino Nacional exige outra coisa, ele nos faz jurar morrer com glória antes de viver de joelhos.

E esse espírito inspira a luta que estamos travando no governo argentino e que espero que os brasileiros também possam travar nos próximos anos.

Por isso, quero lhes dizer que, quando choverem críticas infundadas, acusando vocês dos piores crimes e das maiores perversidades, não tenham medo. Não baixem a cabeça, como dizia Ludwig von Mises:

‘Não cedam diante do mal; combatam-no com ainda mais coragem.’

Quando forem atacados, não sintam vergonha de ser quem são.

Isso será a prova mais evidente de que aquilo que estão fazendo está funcionando e de que o caminho escolhido é o correto. Como diz o ditado:

‘Ladram, Sancho, sinal de que cavalgamos.’

Por isso, quero lhes dizer que a decisão que vocês têm diante de si é clara.

E, embora o caminho seja difícil e os inimigos — à direita e, sobretudo, à esquerda — queiram destruí-los, a liberdade está acima de tudo. Finalmente, neste 4 de outubro, vão todos às urnas pelo futuro, pelo Brasil. Votem com fé.

Porque, ainda que eles tenham toda a máquina do Estado, todo o apoio da imprensa estrangeira e das elites, jamais poderão contar com o verdadeiro poder.

Porque a vitória em uma batalha não depende da quantidade de soldados, mas das forças que vêm do céu.

Por isso, vamos, Flávio. Sigamos em frente. Façam o Brasil grande novamente.

Que Deus abençoe todos vocês. Que as forças do céu nos acompanhem.

Viva a liberdade, ca****o!

[VENDA] BP 10 ANOS
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