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Lula liga para Trump e tenta reabrir negociação sobre tarifaço contra o Brasil

Presidente brasileiro disse que as acusações usadas pelos EUA para justificar as tarifas são infundadas.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Lula e Trump
Fonte da imagem: Ricardo Stuckert

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Lula telefonou para Donald Trump nesta sexta-feira em meio à crise comercial entre Brasil e Estados Unidos.

A conversa durou uma hora e vinte minutos, segundo o Palácio do Planalto, e teve como tema central o tarifaço aplicado pelo governo americano contra alguns produtos brasileiros.

O Brasil foi atingido por duas cobranças: uma tarifa de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que também vale para outras nações. As taxas se somam, embora alguns produtos tenham ficado fora da medida.

Na ligação, Lula afirmou que as justificativas usadas pelos americanos para justificar as tarifas são infundadas.

Entre elas estão o desmatamento, propriedade intelectual, Pix, etanol, combate à corrupção, acordos preferenciais e importações de produtos com trabalho forçado.

Lula defendeu que a disputa seja resolvida por negociação

Segundo a Secretaria de Comunicação, Lula disse que as tarifas prejudicam os dois países e que manter uma mesa de diálogo é a melhor saída para Brasil e Estados Unidos.

Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois governos voltem a se reunir “o mais brevemente possível”.

A ligação ocorre uma semana depois de o governo brasileiro notificar os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade contra as tarifas americanas.

Crime organizado também entrou na conversa

Lula também tratou de segurança pública com Trump.

O presidente brasileiro defendeu cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, mas rejeitou a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas.

Em maio, os EUA passaram a tratar PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, decisão vista como um revés pelo governo brasileiro.

Lula disse que facções exercem terror sobre populações vulneráveis, mas afirmou que elas não se confundem com organizações terroristas.

Também citou ações para asfixiar financeiramente o crime, transformar presídios em unidades de segurança máxima e avançar com a PEC da Segurança Pública.

Segundo o Planalto, Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral na área.

Os dois presidentes ainda falaram sobre os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. Lula defendeu uma solução negociada e voltou a propor uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU.

A ligação abre uma nova tentativa de negociação depois de meses de tensão entre Brasília e Washington.

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Leia a nota na íntegra:

“Telefonei, nesta manhã (21), para o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Conversamos por uma hora e vinte minutos sobre temas do relacionamento bilateral e da agenda global.

Sobre a recente imposição de novas tarifas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, enfatizei que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas. 

Destaquei que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, e afirmei que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterei a importância de trabalharmos juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O Presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível. 

Reiterei o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Argumentei que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas.  Afirmei que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las. Informei sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de 17 bilhões de reais, e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima.

Também comentei sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. Mencionei o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. O Presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área. 

Trocamos impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Concordamos sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. O Presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. Lamentei a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugeri aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propus a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. Afirmei que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.

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