Eleitorado se divide sobre quem tem razão na crise, enquanto maioria vê motivação política nas sanções americanas.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros já estão sendo lidas pelo eleitor como parte da disputa política no Brasil.
A nova pesquisa Nexus/BTG aponta que 80% dos eleitores dizem ter algum nível de conhecimento sobre as sanções anunciadas pelo governo Donald Trump contra o Brasil.
O dado mais importante, porém, está na forma como o brasileiro interpreta a medida.
Para 53% dos entrevistados, a decisão americana quis punir o governo Lula e tentar influenciar as eleições brasileiras de 2026.
Outros 32% veem a medida como uma decisão comercial e econômica, voltada a proteger empresas dos Estados Unidos.
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Quando a pesquisa pergunta quem tem razão no debate sobre o tarifaço, o país aparece dividido ao meio.
Para 41%, Flávio Bolsonaro está certo ao atribuir a responsabilidade a Lula, por incapacidade de manter boas relações com os Estados Unidos.
Outros 41% dão razão a Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter atuado nos bastidores junto ao governo americano para prejudicar sua campanha de reeleição.
Ainda segundo o levantamento, 5% responderam espontaneamente que nenhum dos dois tem razão. Outros 3% disseram que ambos têm, e 10% não souberam ou não responderam.
O resultado mostra que a crise comercial já está presente na disputa presidencial.
O governo americano já havia anunciado uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Depois, uma nova tarifa de 12,5% foi adicionada após uma investigação sobre suposta importação de produtos produzidos com trabalho forçado.
Com isso, alguns itens brasileiros podem chegar a uma taxação total de até 37,5%, dependendo da classificação e das exceções definidas pelos Estados Unidos.
O governo Lula classificou a decisão como arbitrária e injustificada. Também afirmou que acionaria mecanismos da Lei de Reciprocidade e levaria o caso à Organização Mundial do Comércio.
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