Governo do Brasil responde dizendo que assinou 66 acordos internacionais contra trabalho forçado; já os EUA, apenas 10.

Os Estados Unidos adicionaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A decisão aconteceu após uma investigação do governo americano sobre suposta importação de produtos produzidos com trabalho forçado.
A medida se soma à sobretaxa de 25% que já havia sido anunciada anteriormente pelo governo americano, elevando a taxação total sobre alguns produtos brasileiros a até 37,5%.
O governo brasileiro classificou a decisão como um ato de "caráter completamente arbitrário e injustificado".
De acordo com a nota publicada por Lula, os EUA não teriam base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista.
Por isso, teria usado um tema sensível, os direitos humanos e a luta dos trabalhadores, para acusar 59 países e a União Europeia de práticas comerciais desleais.
O governo afirma ainda que o Ministério do Trabalho e Emprego colaborou com a investigação, explicando a legislação brasileira e como a fiscalização na fronteira combate a importação de bens produzidos por trabalho forçado.
Diante da nova tarifa, o governo brasileiro afirmou que vai acionar imediatamente os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
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A tarifa de 25% entrou em vigor em 22 de julho, somando-se às tarifas de importação que já existiam antes das novas medidas.
Um produto que antes pagava 5% de imposto, por exemplo, passou a pagar 30%. Com a nova sobretaxa de 12,5% anunciada agora, esse mesmo produto pode chegar a 37,5% de taxação total, dependendo de sua classificação dentro das listas de exceção mantidas pelo governo americano.
Ao mesmo tempo, o governo americano manteve uma lista de exceções para produtos que não serão taxados, como:
café;
carne bovina;
laranja;
mel orgânico;
açaí;
terras-raras.
A medida é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
A medida autoriza os EUA a aplicarem sanções comerciais quando concluem que outro país adota práticas consideradas desleais ao comércio americano.
Segundo o relatório divulgado pelo órgão, a investigação apontou problemas em seis áreas da política brasileira.
A investigação havia sido aberta em julho de 2025, quando Donald Trump anunciou uma ofensiva comercial contra o Brasil.
Apesar da oficialização das tarifas, o governo americano afirmou que as negociações não estão encerradas.
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou que as conversas mantidas com o Brasil ao longo do último ano não foram suficientes para solucionar as questões levantadas pela investigação.
Ainda assim, ele disse que Washington segue aberta a discutir mudanças que consideram necessárias nas áreas apontadas pelo relatório.
Na prática, isso significa que a entrada em vigor das tarifas não impede novas rodadas de negociação entre os dois governos. Caso haja avanços nas discussões, o tema poderá ser revisto futuramente.
“Nota à imprensa sobre a imposição de novas tarifas unilaterais dos EUA contra o Brasil
O Governo brasileiro rechaça a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação da Seção 301 relativa à proibição de importação relacionadas ao trabalho forçado.
Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.
Ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e forneceu farta documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das nossas autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado.
Vale ressaltar, ainda, que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado.
Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções.
O Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado: a Convenções 29 de 1930; a Convenção 105 de 1957; a Recomendação 203 e o Protocolo à Convenção 29, ambos de 2014. Os EUA só ratificaram um desses instrumentos.
Os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo MERCOSUL, incluindo com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.
Esse compromisso de combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado é intensificado pela abordagem multidimensional de nossas políticas domésticas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo.
Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de “Lista Suja” de empregadores.
Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República”.
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