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Trump cita Eduardo Bolsonaro e diz que Brasil ficou “perigoso politicamente”

Lula rebateu e disse que Trump não deve se meter na eleição brasileira.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Trump
Fonte da imagem: CNN

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A tensão entre Lula e Donald Trump chegou à cúpula do G7, na França. 

Um dia depois de a Primeira Turma do STF condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão em regime semiaberto, Trump citou o caso em uma entrevista coletiva.

O presidente americano disse que o Brasil se tornou “um pouco conturbado” e “perigoso politicamente”.

“Ouvi dizer que eles prenderam alguém que está concorrendo à presidência. Ouvi dizer que prenderam ‘Bolsonaro Jr.’. Ele estava indo bem nas pesquisas, mas o prenderam ou querem prendê-lo”.

A fala parece confundir Flávio Bolsonaro com Eduardo Bolsonaro.

Ele foi condenado em um processo ligado à sua atuação nos Estados Unidos. Para a acusação, o ex-deputado tentou pressionar ministros do Supremo ao articular sanções americanas contra autoridades brasileiras.

Trump tratou o caso como um sinal de perseguição política no Brasil

Ao comentar as eleições brasileiras, disse que “eles jogam duro”. Depois, voltou ao tema que costuma repetir desde 2020: a acusação de que a eleição americana vencida por Joe Biden teria sido manipulada.

“Ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Veja bem, nossas eleições são totalmente manipuladas. Nós temos eleições manipuladas”, disse.

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Lula respondeu em outra coletiva

O presidente brasileiro não deixou a fala passar sem resposta. Enquadrou a declaração de Trump como tentativa de interferência na eleição brasileira.

“Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles”.

Lula também defendeu o sistema eleitora. Disse que os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil e citou a rapidez da apuração.

“Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado”.

A tensão acontece em um momento de desgaste entre os dois governos

Trump já havia elevado a pressão sobre o Brasil em outras frentes. Seu governo classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida criticada pelo governo Lula como uma interferência na soberania nacional.

A gestão americana também sinalizou novas tarifas contra produtos brasileiros, depois de já ter aplicado um tarifaço em 2025.

No G7, Lula disse que não pediu uma reunião bilateral com Trump porque as negociações entre os dois países já estão em andamento.

Mesmo assim, afirmou ter entregue ao americano um documento sobre crime organizado, minerais críticos, terras raras e comércio.

“O presidente Trump fala muito e ouve pouco”, disse Lula. “Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como um imperador.”

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