Defesa afirma que Moraes não deveria participar do julgamento por ter sido uma das autoridades atingidas pelas sanções citadas no caso.

A Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e dois meses de prisão por unanimidade.
Além disso, ele também foi condenado a pagar 50 dias de multas avaliadas em dois salários mínimos.
A medida o deixa inelegível, porém ainda será aberto uma ação penal para que ele possa ser detido ao entrar no Brasil.
Como mora nos EUA, o governo precisaria de um pedido de extradição para obrigá-lo a voltar e ser efetivamente preso.
Após deixar o Brasil, o ex-parlamentar se tornou passou a pedir que os Estados Unidos agissem contra o que ele chamou de autoritarismo dos ministros. No dia 30 de julho, Trump aplicou a Lei Magnitsky contra Moraes.
A Procuradoria Geral da República (PGR) entende que essa ação configura crime de coação e reuniu postagens do ex-deputado que embasam a denúncia.
Já a defesa de Eduardo Bolsonaro alega liberdade de expressão.
A acusação usa publicações e vídeos do ex-deputado para defender sua tese.
Nesses registros, Eduardo fala sobre sua atuação nos Estados Unidos, comenta conversas com autoridades americanas e comemora medidas adotadas contra integrantes do Judiciário brasileiro.
Entre essas medidas estão sanções contra ministros do Supremo, restrições de vistos e ações econômicas contra o Brasil.
A leitura da PGR é que esse movimento tinha um objetivo: constranger os ministros e tentar interferir no andamento do processo.
A denúncia também aponta que Eduardo indicava a possibilidade de medidas mais duras caso o STF não recuasse.
Para a acusação, não é necessário provar que os ministros mudaram votos ou decisões por causa dessas falas. A tentativa de intimidar julgadores, por si só, já poderia configurar o crime de coação no curso do processo.
Eduardo Bolsonaro não indicou advogado na ação. Por isso, a defesa será feita pela Defensoria Pública da União (DPU).
Do lado da defesa, a leitura é outra. A DPU pede a anulação do processo e diz que Alexandre de Moraes não deveria participar do julgamento.
O argumento é que Moraes aparece no caso como uma das autoridades atingidas pelas sanções citadas na denúncia. Para a Defensoria, isso coloca o ministro ao mesmo tempo na posição de julgador e de possível vítima.
A DPU também questiona a forma como Eduardo foi chamado ao processo.
Como ele está fora do país, a defesa entende que a citação deveria ter sido feita por carta rogatória, um instrumento de cooperação internacional. O STF, porém, fez a citação por edital.
No mérito, a Defensoria trata o caso como liberdade de expressão. A defesa sustenta que Eduardo fez manifestações políticas sobre política externa e sobre o Judiciário.
Criticar decisões judiciais ou discutir suas consequências, segundo essa visão, não significa coagir ministros.
A DPU ainda tentou adiar o julgamento. O pedido era para que um ministro da Segunda Turma fosse chamado para completar a Primeira Turma, que hoje está com quatro integrantes.
Para o ministro, o regimento do STF permite que as Turmas julguem com pelo menos três ministros.
A sessão começa com a leitura do relatório de Alexandre de Moraes. Depois, a PGR e a defesa terão até uma hora cada para falar.
Em seguida, os ministros votam. A ordem será Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
A decisão será tomada por maioria. Se Eduardo for condenado, os ministros também vão definir a pena.