José Linhares afirma manter suas falas e disse que irá recorrer. Sua pena foi agravada por ser funcionário público.

O jornalista José Fernandes Linhares Jr. foi condenado pela Justiça por causa de críticas a Flávio Dino, ex-governador do Maranhão e ministro do STF.
O juiz Flávio Roberto Ribeiro Soares, da 6ª Vara Criminal de São Luís, condenou o jornalista a 2 anos e 15 dias de prisão por injúria e difamação.
A pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade, pelo mesmo período da condenação.
Linhares também foi condenado ao pagamento de 36 dias-multa e poderá recorrer da decisão em liberdade.
O caso começou por causa de uma publicação do perfil blogdolinhares feita em 13 de junho de 2021, durante a vacinação contra a covid-19.
Na postagem, o jornalista chamou Flávio Dino de "governador vagabundo" e afirmou que ele estava se apropriando dos resultados da vacinação em São Luís.
Linhares seguiu destacando que as vacinas haviam sido compradas pelo governo federal e aplicadas pela prefeitura da capital maranhense.
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) entrou com uma ação penal por causa dessa fala.
Segundo o órgão, o termo utilizado pelo jornalista configurou o crime de injúria por atingir a honra pessoal do então governador.
Já a afirmação de que Dino teria assumido os méritos da vacinação foi enquadrada como difamação.
O Ministério Público também pediu o aumento da pena por entender que a ofensa foi dirigida contra um agente público no exercício de suas funções e divulgada em uma rede social.
Durante o processo, a defesa sustentou que a publicação fazia parte do debate político e estava protegida pelo direito constitucional à liberdade de expressão e de imprensa.
Os advogados afirmaram que não houve intenção de ofender pessoalmente Flávio Dino, mas de criticar sua atuação durante a pandemia e questionar a narrativa sobre a vacinação.
A defesa também pediu a nulidade do processo sob o argumento de que o MPMA não ofereceu um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), que pode evitar uma ação penal.
Segundo a sentença, chamar o então governador de "vagabundo" não contribuiu para o debate público nem para informar a população sobre a condução da campanha de vacinação, caracterizando um "puro insulto pessoal".
O também magistrado entendeu que a postagem atribuiu uma conduta capaz de prejudicar a reputação ao afirmar que ele teria assumido os méritos da vacinação.
Em entrevista para a Revista Oeste, Linhares disse que vai recorrer da decisão e manteve a fala que o causou problemas:
“A minha crítica foi em relação a apontar a vagabundagem dele, uma questão de opinião minha. Uma pessoa capitalizando politicamente uma situação da qual ela não era responsável.”
Além disso, ele destacou que Flávio Dino também usou uma linguagem agressiva em discursos e comícios de campanha:
“Ele gostava de chamar o Bolsonaro de demônio. Em discursos públicos, disse que o Sarney era um câncer. Ele dizia que a Roseana era nazista”, exemplificou.
As redes sociais têm levado o debate sobre liberdade de expressão a outro nível de complexidade.
A Brasil Paralelo investigou como o governo americano criou uma máquina de censura internacional em God Complex, a primeira produção original voltada ao público internacional. Assista completo abaixo: