Defesa afirma que a investigação avançou sobre a fonte e o advogado do jornalista, mas não sobre a denúncia de uso irregular de carros oficiais.

A investigação que começou com reportagens sobre o uso de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e por seus familiares no Maranhão avançou agora sobre a suposta fonte do jornalista.
O ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e ex-deputado estadual.
Cutrim é apontado na decisão como fonte do jornalista Luís Pablo, autor de publicações sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais ligados ao Tribunal de Justiça do Maranhão.
A medida foi confirmada pela defesa de Cutrim e pela assessoria do STF. Segundo a Corte, a operação foi pedida pela Polícia Federal e teve aval da Procuradoria-Geral da República.
O ponto mais sensível do caso está no fato de que a investigação mira alguém tratado como fonte jornalística.
Luís Pablo já havia sido alvo de busca e apreensão em março, depois de publicar reportagens sobre o ministro Flávio Dino. Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu aparelhos eletrônicos, computadores e celulares.
Segundo o advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite, a nova operação se baseia em informações extraídas dos aparelhos do jornalista. A defesa afirma que a quebra de sigilo teria levado a polícia a concluir que Cutrim repassava informações a Pablo.
O advogado criticou a linha da apuração.
“Estão investigando a fonte do jornalista e o advogado do jornalista, mas não investigam o que o jornalista denunciou, que foi o uso irregular dos carros oficiais”, disse o advogado de Cutrim à CNN Brasil
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A defesa de Cutrim afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos. Em nota, disse ver preocupação técnica na exposição de alguém apontado como fonte jornalística.
O argumento é que o sigilo da fonte é uma garantia constitucional ligada ao exercício da liberdade de imprensa, prevista no inciso XIV do artigo 5º da Constituição.
“É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.”
A operação também teve repercussão política.
O senador Flávio Bolsonaro criticou a decisão e afirmou que o sigilo da fonte é “sagrado”. Para ele, a medida representa uma ameaça à liberdade de imprensa.
Aliados de Dino, por outro lado, negam irregularidades no uso dos veículos.
À CNN, disseram que o carro particular do ministro era seguido e que o caso não envolve utilização indevida de carros oficiais. Também afirmaram que o jornalista teria cobrado R$100 mil para publicar as reportagens.
O jornalista disse que nunca seguiu carros do ministro ou de seus familiares, que o uso de veículo oficial seria um fato comprovado e que nunca recebeu dinheiro para publicar reportagens contra Dino.
O gabinete de Flávio Dino também afirmou ao Estadão que há uma “repetição de inverdades” e que jamais houve uso irregular de veículos oficiais do TJ-MA.
Segundo a versão de Dino, um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo de cooperação com tribunais.
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