Processo começou com disputa entre a Festa do Peão de Barretos e uma ONG de proteção aos animais.
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O STF definiu o calendário para os julgamentos do primeiro semestre de 2026 e começa o ano com uma pauta que pode mudar as regras sobre liberdade de expressão no país às vésperas da eleição presidencial.
O Tema 837 discute os limites desse direito quando ele entra em conflito com outras questões defendidas pela lei, como a honra e a imagem.
Na prática, o STF vai definir se críticas que geram prejuízo econômico ou dano reputacional podem ser proibidas ou punidas civilmente em todo o país.
O caso tem origem em uma disputa iniciada em 2011, envolvendo a ONG Projeto Esperança Animal (PEA) e os organizadores da Festa do Peão de Barretos.
A ONG criticou o evento, fazendo acusações de maus-tratos aos animais. Os organizadores acionaram a Justiça e alegaram danos à imagem e prejuízos comerciais.
O STF afirmou que o caso envolve um tema de repercussão geral e ampliou o alcance do julgamento.
A decisão servirá de parâmetro para situações semelhantes em todo o Brasil. Assim, se a Corte determinar punições para a ONG, isso significa que haverá precedente para punições do tipo motivadas por discursos.
O relator original do processo, o ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que campanhas de mobilização e boicote estão protegidas pela liberdade de expressão.
No entanto, abriu exceções, como nos casos de “divulgação de fato sabidamente inverídico” ou de “má-fé” de quem divulga o conteúdo.
O julgamento foi interrompido em setembro de 2025, após o ministro Alexandre de Moraes entrar com um pedido de vistas.
O jurista André Marsiglia criticou a forma como o STF usa casos específicos para mudar a forma como a lei lida com questões importantes, em entrevista à Gazeta do Povo:
"As cortes superiores não deveriam ou não podem discutir nunca casos concretos, e sim sempre teses abstratas, porque essas teses abstratas acabam sendo sempre exportadas para outros casos concretos".
Para ele, essa é uma estratégia utilizada pela Corte para não chamar atenção ao lidar com temas sensíveis:
"Não sei se é um erro. Acho que é mais uma estratégia do STF para, a partir de casos concretos, decidir sobre redes sociais e liberdade de expressão sem que os holofotes estejam ligados sobre eles"
Além do Tema 837, o STF vai julgar outro caso polêmico no dia 4 de fevereiro, as ADIs 6.293 e 6.310.
Os casos questionam regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o uso de redes sociais por magistrados.
Atualmente, as regras proíbem manifestações políticas e opiniões que possam comprometer a imparcialidade do magistrado ou comentários sobre processos em andamento.
A aplicação das regras é feita pelo CNJ, que pode advertir, investigar ou punir juízes que descumpram.
As ações foram propostas pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).
As entidades alegam que a resolução do CNJ viola a liberdade de manifestação de pensamento e de expressão dos juízes. O relator das ações também é o ministro Alexandre de Moraes.
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