Para o papa, leis claras e supervisão independente evitam que a tecnologia substitua vínculos humanos.

Leão XIV pediu aos legisladores que usem a lei para impedir que algoritmos substituam vínculos, distorçam desejos e tornem a vida em família financeiramente inviável.
Algoritmos decidindo quem é visto e quem fica invisível. Plataformas moldando o debate público sem prestar contas a ninguém. Trabalhadores cuja dignidade cede lugar à eficiência de um sistema.
Foi esse cenário que Leão XIV descreveu a políticos católicos de vários países, reunidos no Vaticano para o 17º Encontro Anual da Rede Internacional de Legisladores Católicos.
O papa foi direto ao ponto que mais lhe preocupa: a família.
Para ele, a inteligência artificial pode reduzir pessoas e relacionamentos a dados e simulações. Pode atingir as mentes jovens com conteúdo que distorce o desejo. E pode sustentar modelos econômicos que tornam a vida familiar cada vez mais precária.
Por isso, pediu aos parlamentares presentes que legislem para proteger o que chamou de célula primordial da sociedade.
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Leão XIV também falou sobre o risco de o avanço acelerado da IA aprofundar a dependência tecnológica das nações mais pobres em relação às mais ricas, transformando inovação em mais uma ferramenta de dominação ideológica ou econômica.
Por trás desse alerta está uma convicção: nenhuma ideologia ou interesse específico deveria ditar os valores embutidos nos sistemas de inteligência artificial.
Essa mesma preocupação com valores guiou o fechamento do discurso, quando o pontífice dirigiu uma orientação aos legisladores.
Políticas de apoio ao casamento e à família. Suporte aos pais em sua missão educativa. Condições para que os jovens olhem o futuro com confiança.
O recado se conecta ao que Leão XIV já havia defendido na encíclica Magnifica Humanitas: a inteligência artificial só deixa de ser rival da humanidade quando serve, de fato, ao bem comum.
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