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Religião•5 min de leitura

Justiça manda Marçal ocultar vídeo com fala sobre “macumbeiros”

Influenciador disse que as religiões de matriz africana são para “derrotados” e falou não temer trabalhos espirituais.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Pablo Marçal fala ao microfone durante participação em programa
Fonte da imagem: Reprodução

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O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que Pablo Marçal retire do ar um vídeo com falas sobre as religiões de matriz africana.

Agora, ele tem o prazo de 48 horas para poder retirar a publicação de seu perfil no Instagram, caso contrário deverá pagar R$ 50 mil por dia.

Ainda assim, ele não poderá excluir a publicação, apenas ocultar, já que isso configuraria destruição de provas.

A decisão liminar é uma resposta a uma ação movida pela organização Educafro Brasil.

A organização também pede R$ 10 milhões em indenização a serem enviados para um fundo público que repasse o valor para projetos que combatam o que classificou como racismo religioso.

A assessoria do empresário informou que o vídeo já havia sido arquivado quando o caso foi a público.

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O que Marçal disse?

A publicação que causou polêmica é um corte feito durante entrevista ao programa Show do Bacci, do canal BNTV, no qual ele diz:

“Eu conheço a África, a macumba de lá faz gente levitar, os daqui ficam só pondo pinga na esquina e sujando via pública. Todo macumbeiro é derrotado na vida, um invejoso.”

Marçal segue afirmando que sua crítica não é à religião em si, mas às pessoas que “têm o perfil”:

“Não estamos falando sobre a religião, estamos falando sobre gente que tem o perfil, gente invejosa e que não prospera. Eu fico pensando, como é que um cara paga para fazer um trabalho e arregaçar com o outro, sendo que você vai pagar para um derrotado para fazer um trabalho contra outro que é poderoso”.

Após dizer que já comeu farofa de macumba, o empresário disse não temer trabalhos espirituais contra ele:

“Experimenta gastar sua macumba, irmão. Se macumba funcionasse, Bahia era Dubai… Vocês têm que parar com isso. ‘A Bahia é macumbeira’, não é também não, essa é uma fama igual a que vocês querem dar para a África, a África não é macumbeira”.

As religiões de matriz africana praticadas no Brasil não existem na África, já que surgem a partir do sincretismo.

No entanto, dados da Seton Hall University mostram que os seguidores das tradições que deram origem à macumba são minoria no continente, representando 2,7% da população em 2020.

Cristãos são a maioria, e somaram 51,3% da população naquele ano, enquanto o Islã correspondia a 43,1%.

Além disso, a Bahia também não é o estado com o maior número de seguidores das religiões de matriz africana no Brasil.

Segundo dados do censo de 2022, aproximadamente 1% da população de lá segue essa fé, contra 3,25% no Rio Grande do Sul, o estado com mais devotos.

Outro dado curioso trazido pelo censo é que a maioria dos praticantes são pessoas brancas, 42,7% dos adeptos.

Enquanto isso, as pessoas que se identificam como pardas representam 33,1% e as pretas apenas 17,1%.

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