O médico que teve a oportunidade de escapar dos nazistas, mas decidiu morrer ao lado de 200 órfãos
Pediatra e escritor famoso na Polônia, Janusz Korczak recusou esconderijo e documentos falsos para não deixar as crianças sozinhas no gueto.

Em agosto de 1942, a polícia alemã chegou a um orfanato no gueto de Varsóvia e mandou que todos saíssem. Eram quase 200 crianças, que seriam levadas para o campo de extermínio nazista de Treblinka.
O diretor do orfanato poderia ter escapado. Amigos poloneses tinham oferecido esconderijo e documentos falsos, mas ele recusou a ajuda para não deixar as crianças sozinhas. Seu nome era Janusz Korczak.
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Quem era Korczak?
Janusz Korczak era o pseudônimo de Henryk Goldszmit, um pediatra judeu polonês. Ele ficou conhecido em todo o país pelos livros infantis e pelos textos em que ensinava os adultos a tratar as crianças com amor e respeito.
Em 1911, assumiu a direção de um orfanato judeu em Varsóvia e passou as três décadas seguintes à frente da casa, ao lado da colega Stefania Wilczyńska.
O orfanato funcionava como uma pequena república. As crianças tinham deveres e direitos, se reuniam em assembleias para resolver os próprios conflitos e ainda escreviam um suplemento de jornal com temas escolhidos por elas mesmas.
Nos anos 1930, Korczak ganhou um programa de rádio em que lia histórias e entrevistava crianças. Os ouvintes o chamavam de “o Velho Doutor”. Com o avanço do antissemitismo na Polônia, ele perdeu o espaço.
A vida no gueto
Em 1940, os alemães criaram o gueto de Varsóvia e obrigaram os judeus a pagar pelo muro que os isolava do resto da cidade. A fome e as doenças mataram dezenas de milhares de pessoas e deixaram muitas crianças órfãs.
Mesmo com a saúde debilitada, Korczak passava os dias atrás de doações e carregava ele mesmo a comida até o orfanato. Para que as crianças não perdessem a rotina, a equipe mantinha as aulas e organizava concertos e peças de teatro.
A caminhada até o trem
Quando as deportações em massa para Treblinka começaram, em julho de 1942, Korczak e seus funcionários decidiram que não tentariam se salvar e que cuidariam das crianças até o fim.
Na manhã de 5 ou 6 de agosto, eles organizaram as crianças em fila e caminharam com elas pelas ruas do gueto até o ponto de embarque. Testemunhas relataram que o grupo seguiu em ordem e sem pânico.
Todos entraram juntos nos vagões de gado com destino a Treblinka, a cerca de 97 quilômetros de Varsóvia.
Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, é quase certo que as crianças e os cuidadores foram mortos no mesmo dia em que chegaram.
Hoje, Korczak é homenageado na Polônia e pelas comunidades judaicas, e suas ideias sobre educação ainda inspiram professores ao redor do mundo.
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