Projétil abriu cratera de dez metros em área rural. Governo afirma que não há sinais de ataque direto contra o país.

Moradores de uma área rural no leste da Polônia ouviram uma explosão de madrugada. Pela manhã, autoridades encontraram uma cratera de dez metros em um campo agrícola.
O governo polonês afirma que os indícios apontam para um míssil russo. O caso chamou atenção porque a Polônia faz parte da Otan, a aliança militar que reúne Estados Unidos e países europeus.
Ninguém ficou ferido.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que as análises preliminares apontam para um míssil russo Kh-101, usado por Moscou em ataques contra a Ucrânia.
Depois, no local da queda, o premiê afirmou que a análise dos fragmentos reforçou essa conclusão.
O episódio aconteceu enquanto a Rússia realizava uma nova ofensiva aérea contra cidades ucranianas.
Segundo autoridades ucranianas, ao menos 13 pessoas morreram nos bombardeios. Os ataques atingiram regiões como Kiev e Lviv, cidade no oeste da Ucrânia, próxima da fronteira polonesa.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que um míssil de cruzeiro russo Kh-101 cruzou o espaço aéreo polonês durante esse ataque.
A Polônia também mobilizou caças para proteger seu território.
Tusk disse que as forças polonesas estavam preparadas para abater o projétil caso ele continuasse sua trajetória. Segundo o premiê, não houve ameaça direta porque o míssil caiu em uma área desabitada.
Ele também afirmou que não há razão, até o momento, para concluir que a Polônia fosse o alvo.
A Polônia é membro da Otan. Isso muda o peso do incidente.
Quando um míssil russo cruza o espaço aéreo polonês, mesmo sem atingir uma cidade ou base militar, a guerra deixa de ser apenas um problema ucraniano e passa a tocar diretamente o território da aliança militar ocidental.
A Otan informou que ativou defesas aéreas e terrestres em conjunto com a Polônia após a entrada do projétil. O comandante aliado na Europa conversou com o chefe das Forças Armadas polonesas para tratar da resposta ao caso.
A investigação ainda está em andamento.
O objetivo agora é confirmar de forma definitiva o tipo de míssil, a rota percorrida e as circunstâncias da queda.
O episódio não é isolado. Nos últimos anos, drones e outros artefatos ligados à guerra já cruzaram ou caíram em países do leste europeu, como Romênia, Moldávia, Estônia e Lituânia.
A diferença é que, desta vez, a Polônia afirma ter encontrado fragmentos compatíveis com um míssil russo de cruzeiro.
O caso mostra o risco permanente de uma guerra travada na fronteira da Otan: mesmo quando o alvo é a Ucrânia, um erro de rota, uma interceptação ou um projétil fora de controle pode transformar um ataque regional em uma crise internacional.
O episódio acontece poucas semanas depois de a Polônia afirmar que havia sido alertada pelos Estados Unidos sobre a possibilidade de uma provocação russa contra seu território.
No início deste mês, Tusk disse que os meses seguintes poderiam ser “críticos” e afirmou que o país se preparava para diferentes cenários.
Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, autoridades ocidentais avaliavam que Moscou poderia testar a reação da Otan com uma ação limitada contra a Polônia, como o uso de drones, mísseis ou uma provocação próxima à fronteira.
Por isso, a queda de um possível míssil russo em território polonês não foi tratada apenas como um incidente isolado. O caso entrou em uma sequência de alertas sobre o risco de a guerra da Ucrânia transbordar para países da Otan.
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