Ao confirmar o repasse, Marcelo Freixo chamou as escolas de samba de “parceiras diplomáticas” do Brasil.

Ao longo de um ano inteiro, pessoas de diferentes comunidades do Rio de Janeiro se dedicam à construção dos desfiles de carnaval.
São meses de trabalho para criar carros alegóricos, fantasias, instrumentos e coreografias que, juntos, dão forma ao espetáculo que toma a avenida e encanta quem assiste.
A menos de um mês para os desfiles de carnaval, na reta final da preparação das escolas, o governo federal liberou R$12 milhões pelo terceiro ano seguido.
O valor será dividido igualmente entre as 12 escolas, com R$1 milhão para cada uma, destinado à reta final de preparação dos desfiles.
O repasse foi oficializado na segunda-feira (19), na Cidade do Samba, complexo que reúne os barracões das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
O termo de cooperação foi assinado entre a Liesa, entidade que organiza os desfiles das escolas de samba, a Embratur, agência federal responsável pela promoção internacional do turismo, e o Ministério da Cultura.
A verba já vinha sendo concedida nos últimos anos, mas, em 2026, mudou de responsável: deixou o Ministério do Turismo e passou a ser gerida pela Embratur em conjunto com o Ministério da Cultura. A transição provocou atraso na liberação.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), afirmou que o Carnaval é um ativo estratégico para a imagem internacional do Brasil.
Representando o Ministério da Cultura, Cassius Rosa afirmou que o apoio do governo busca consolidar o Carnaval como política pública permanente.
Segundo ele, além do espetáculo, o evento movimenta uma ampla economia ligada à chamada indústria criativa. Rosa também adiantou que o governo estuda lançar cursos de formação técnica voltados especificamente ao Carnaval.
Dados apresentados durante o evento afirmam que em 2025, o Carnaval do Rio movimentou cerca de R$8,8 bilhões na economia do estado.
Visitantes estrangeiros representaram cerca de 12% do público, vindos de mais de 160 países. A maior parte das Américas, com destaque para Argentina e Estados Unidos, seguida por países europeus como Reino Unido e França.
Freixo classificou as escolas de samba como “parceiras diplomáticas” do Brasil. Para ele, o Carnaval funciona como uma das principais vitrines do país no exterior, combinando turismo e cultura.
Durante a cerimônia, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também participou e afirmou que pretende ampliar a parceria com as escolas de samba para além do período do Carnaval.
A expectativa das escolas é que, nos próximos anos, o repasse ocorra com mais antecedência, reduzindo a pressão sobre a fase final de preparação do maior desfile do país.
A história das escolas de samba do Rio tem forte ligação com o jogo do bicho. Isso se consolidou com a criação da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), em 1984.
Desde então, a entidade passou a concentrar funções centrais do carnaval, como a venda de ingressos, a captação de patrocínios e a negociação dos direitos de imagem dos desfiles.
O primeiro presidente da Liesa foi Castor Gonçalves de Andrade e Silva, conhecido como Doutor Castor, um dos mais influentes bicheiros da história do país.
Ele usava recursos do jogo do bicho para financiar escolas de samba e ações sociais, o que lhe garantiu apoio popular, apesar do envolvimento em crimes como subornos e homicídios.
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