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Sociedade•5 min de leitura

Escritora mais famosa sobre a família real britânica foi criada como homem

Lady Colin Campbell tinha genitais duvidosos e foi para ginecologista disfarçada.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Fonte da imagem: —

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20h
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Uma das colunistas mais famosas do Reino Unido, conhecida por acompanhar a família real britânica, já viveu como homem durante boa parte da juventude. 

A história começou em 1949, na Jamaica, quando ela nasceu tinha os lábios vaginais fundidos e um clitóris deformado. 

Como seus órgãos não tinham aparência claramente masculina nem feminina, seus pais decidiram registrá-la como menino. 

Na infância, George usava roupas masculinas, estudava em um colégio interno para meninos e tinha problemas constantes por causa da aparência e do comportamento.

Anos mais tarde, ela descreveu esse período como "horrível, um vislumbre das entranhas do inferno".

  • O experimento com crianças conduzido por um dos principais nomes da teoria de gênero é o tema do primeiro filme internacional da Brasil Paralelo, O Menino Que Se Chamava Brenda. Assista ao trailer abaixo:

Vida se tornou mais difícil com a puberdade

A situação se tornou ainda mais difícil durante a adolescência quando a puberdade começou a revelar que algo estava errado

Quando tinha 13 anos, George começou a desenvolver características típicas da puberdade feminina.

Os quadris se alargaram, os seios começaram a crescer e ela passou a perceber cada vez mais que sua identidade não correspondia ao modo como havia sido criada.

Colunista foi escondida à ginecologista

Convencida de que precisava entender o que estava acontecendo, costurou um vestido, colocou uma peruca e adotou o nome falso de Betty Brompton para procurar um ginecologista escondida.

A tentativa de consultar um médico não permaneceu em segredo. Uma funcionária da casa viu George saindo disfarçada e contou aos pais.

Depois desse caso, o pai colocou George sob os cuidados de dois profissionais de saúde. 

Ele foi internado durante três semanas e recebeu injeções de hormônios masculinos. Sua voz começou a ficar mais grave e pelos começaram a crescer em seu rosto.

Ela protestou até convencer a família a interromper o tratamento. Mesmo assim, durante cinco anos continuou sem receber os procedimentos médicos para corrigir sua condição.

Sexo só foi corrigido após os 21 anos

Anos depois, afirmou que seu pai queria evitar qualquer exposição pública da família, que era bastante conhecida na Jamaica.

A transformação definitiva ocorreu somente quando ela deixou a Jamaica e foi para Nova York.

Aos 21 anos, quando já vivia como mulher, conseguiu autorização da mãe para realizar a cirurgia corretiva:

“Ninguém jamais enfrentou o bisturi com mais entusiasmo do que eu”, contou

Depois do procedimento, recebeu uma nova certidão de nascimento. Com uma nova certidão de nascimento, passou a ser oficialmente reconhecida como Georgia Arianna.

Ela também obteve um novo passaporte, agora com o sexo feminino registrado oficialmente.

De Georgia a Lady Colin

Foi em Nova York que Georgia conheceu Lord Colin Campbell, filho do 11º Duque de Argyll.

Os dois ficaram noivos em apenas uma semana e se casaram pouco depois. Foi desse casamento que surgiu o título pelo qual ela se tornou conhecida.

O casamento terminou após 14 meses, mas ela manteve o nome. Após o divórcio, Lady Colin Campbell construiu uma carreira como escritora, comentarista e socialite.

Atualmente, o nome Lady Colin Campbell está relacionado ao costume da aristocracia britânica de mulheres adotarem o sobrenome do marido.

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Os protocolos de John Money

Durante décadas, os protocolos médicos para bebês que tivessem genitálias duvidosas recomendavam a operação imediata.

Os procedimentos definiam qual seria o sexo da criança, depois os pais eram ensinados a criar os filhos dentro do designado e não revelar a história de maneira alguma.

Esse modus operandi foi estabelecido com base nas pesquisas realizadas pelo sexólogo John Money.

Uma das ideias centrais defendidas por ele era que o desenvolvimento do gênero resultava da interação entre fatores biológicos e experiências vividas.

Ele rejeitava tanto a ideia de que tudo fosse determinado pela biologia quanto a de que tudo dependesse exclusivamente da educação.

Para explicar essa interação, utilizava uma comparação com a linguagem. Segundo Money:

"Você nasceu com predisposição, mas não foi programado para o gênero, da mesma forma que nasceu com predisposição, mas não foi programado para a linguagem."

Ou seja, na sua visão, o cérebro humano nasceria preparado para desenvolver uma identidade de gênero, porém, isso depende das experiências vividas principalmente nos primeiros anos de vida.

Essa teoria o levou a formular um dos conceitos que marcaram sua carreira e deram origem a um experimento macabro pelo qual ele seria lembrado.

Inspirado pela embriologia, ele defendia que o desenvolvimento infantil acontecia por meio de "períodos críticos". 

Em determinados momentos da infância, haveria grande flexibilidade e depois disso, essa possibilidade diminuiria rapidamente.

Segundo escreveu em 1973, as evidências disponíveis indicavam que o desenvolvimento da identidade de gênero acontecia nos primeiros meses de vida:

"Pelas evidências observadas em pessoas intersexo submetidas a tentativas de redesignação sexual após a primeira infância, torna-se evidente que a fase pós-natal da diferenciação da identidade de gênero já começou de forma inexorável por volta dos 18 meses de idade e está surpreendentemente completa por volta dos 4 anos e meio."

O experimento polêmico de John Money

Essa tese o levou a realizar um de seus experimentos mais polêmicos, o caso dos irmãos Reimer.

Um dos principais problemas para sua teoria dentro da comunidade científica na época era que ela não poderia ser testada de maneira experimental.

O cenário muda quando aparece a família Reimer. Os pais tiveram dois irmãos gêmeos, porém um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma cirurgia de circuncisão mal sucedida.

Desesperados, eles aceitam seguir os conselhos do médico e criar o filho que passou pelo acidente como se fosse uma menina, Brenda.

A experiência é catalogada como um sucesso, mas a verdade é bem mais sombria. Cabe ao pesquisador e rival de John Money, Dr. Milton Diamond expôr o que realmente aconteceu.

Essa história está sendo contada pela Brasil paralelo em seu novo filme O Menino que se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:

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