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Religião•5 min de leitura

“Ele morreu… desceu e subiu de novo”: papiro do Egito de 1.600 anos intriga pesquisadores

O fragmento, menor que um cartão de crédito, estava guardado em Viena. Se a leitura estiver certa, ele ecoa uma frase que os cristãos repetem até hoje.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Fragmento de papiro antigo com escrita em grego
Fonte da imagem: —

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Um pedaço de papiro de cinco por sete centímetros e meio, escrito em grego, pode falar de um dos principais pontos da crença católica: a descida de Jesus ao mundo dos mortos antes da ressurreição.

Ele pertence à Biblioteca Nacional da Áustria e foi decifrado por Amphilochios Papathomas e Marianna Thoma, pesquisadores da Universidade de Atenas. O estudo foi publicado na revista científica Tyche.

Boa parte das letras se perdeu. O que sobrou, na tradução dos pesquisadores, diz:

"… ele morreu… e não (?)… [a morte o] tragou, embora antes, injustamente… [apenas / sozinho] aquele que desceu, subiu de novo…"

Para os autores, logo depois de "desceu" vinha a expressão "para o Hades", nome grego do reino dos mortos.

"O sentido da passagem é provavelmente o de que somente Jesus, e ninguém mais, entrou no Hades e retornou por meio de sua ressurreição", escreveram.

A leitura se apoia em passagens atribuídas a Eusébio, escritor cristão antigo, em que Jesus desce sozinho à chamada região da morte.

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Uma crença antiga

A ideia não é estranha à fé cristã. Na oração do credo, os fiéis católicos professam que Jesus "desceu à mansão dos mortos" e "ressuscitou ao terceiro dia".

Os pesquisadores admitem outra leitura, que consideram menos provável. O trecho poderia falar da descida de Jesus do céu.

Sem datação por carbono, a dupla comparou a caligrafia e a linguagem com outros manuscritos. Concluiu que o papiro foi escrito entre os séculos 4 e 5, provavelmente no Egito, nas regiões de Fayum ou Hermópolis.

Seria parte de um livro cristão perdido nas cópias medievais, talvez um sermão ou um hino. O outro lado do papiro guarda outra mensagem.

Ali, o leitor é chamado de "andarilho" e aconselhado a não seguir o "caminho largo", imagem que lembra a advertência de Jesus no Evangelho de Mateus sobre a porta larga que simbolizaria a perdição.

Os pesquisadores esperam que outros especialistas encontrem novos pedaços do livro. Até lá, restam poucas palavras sobre aquele que desceu e subiu de novo.

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