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Educação
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min de leitura

O que Paulo Freire defendia?

Paulo Freire defendia uma educação revolucionária alicerçada no exemplo de guerrilheiros comunistas. Saiba mais com o artigo.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
3/5/2023 17:44
Foto de Silvio Correa/Agência O GLOBO

Paulo Freire é um dos autores que mais dividem o Brasil. Muitos pedagogos defendem suas teses, afirmando que ele é um dos autores nacionais mais referenciados e premiados no exterior.

Outros professores alegam que suas obras doutrinaram alunos e prejudicaram a educação brasileira, sendo a causa para o Brasil estar nas últimas posições do PISA e de outros rankings internacionais de educação.

Por que Paulo Freire causa tanta divisão e polêmica? O que ele defendia?

O que você vai encontrar neste artigo?

O que Paulo Freire defendia?

Dentre as diversas teses e opiniões que Paulo Freire defendia, alguns pensamentos se destacam como polêmicos, compondo as principais pautas contrárias ao pedagogo. Para ele: 

  1. a educação deve formar revolucionários comunistas desde a infância; 
  2. não deve existir hierarquia e diferença entre professores e alunos;
  3. a família tradicional é uma forma de opressão;
  4. guerrilheiros comunistas são heróis da pedagogia.

1 - A educação deve formar revolucionários comunistas desde a infância

No livro Pedagogia do Oprimido, uma das principais obras de Paulo Freire, ele escreveu:

“Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objeto de reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação, em que esta pedagogia se fará e refará” (edição de 1987, p. 17).

Em outra parte do livro, escreve:

"O sentido pedagógico, dialógico, da revolução, que a faz 'revolução cultural' também, tem de acompanhá-la em todas as suas fases".

A ideia de luta de classes de Paulo Freire veio da teoria marxista da história, o materialismo histórico. Segundo o pedagogo Afonso Scocuglia, professor na UFPB: 

"Nessa obra [Pedagogia do Oprimido], a aproximação aos pensamentos marxiano e marxistas é notória, principalmente quanto a uma leitura da realidade que leva em consideração, por exemplo, as questões relativas às classes sociais e ao conflito entre elas" (trecho de A história das ideias de Paulo Freire e a atual crise de paradigmas).

Paulo Freire defendia publicamente em suas obras e palestras que a tarefa central da educação é formar revolucionários

Para Gabriel de Arruda Castro, mestre em Política pelo Hillsdale College, é possível depreender das obras de Freire que a educação é um papel quase que exclusivamente do Estado.

Ele afirma que o corolário do pensamento de Freire defende o Estado como protagonista da educação, junto com instituições de revolução social.

2 - Não deve existir hierarquia e diferença entre professores e alunos

Karl Marx era contrário à existência de hierarquias sociais. Para ele, diferenças de poder configuram opressão. A pedagogia de Paulo Freire segue uma linha semelhante. 

Paulo Freire acreditava que o professor deveria ser um auxiliar do processo de aprendizado do aluno, não uma figura de mestre.

Para o pedagogo, não existe hierarquia entre professor e aluno. No livro Pedagogia do Oprimido, ele defendia:

"A educação [tradicional] se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante. No fundo, porém, os grandes arquivados são os homens, nesta (na melhor das hipóteses) equivocada concepção “bancária” da educação. Arquivados, porque, fora da busca, fora da práxis, os homens não podem ser".

Nesse caso, o professor não é uma figura de autoridade, ele não pode ser visto como alguém que possui algo que o aluno não tem.

3 - A família tradicional é uma forma de opressão

Para Paulo Freire: 

"As relações pais-filhos, nos lares, refletem, de modo geral, as condições objetivo-culturais da totalidade de que participam. E, se estas são condições autoritárias, rígidas, dominadoras, penetram nos lares que incrementam o clima da opressão" (Pedagogia do Oprimido).
  • O que é família? Veja como esse conceito foi entendido na história e surpreenda-se com a explicação filosófica.

Baseando-se nos demais trechos das obras de Freire, é possível dizer que ele defendia que as condições ideais dos lares seria a defesa de uma educação que conscientize os filhos para a luta de classes e os estimule a participar da revolução social.

Concluindo a fala sobre família, em A Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire diz:

[...] Esta influência do lar se alonga na experiência da escola. Nela, os educandos cedo descobrem que, como ao lar, para conquistar alguma satisfação, têm de adaptar-se aos preceitos verticalmente estabelecidos. E um destes preceitos é não pensar. 

Introjetando a autoridade paterna através de um tipo rígido de relações, que a escola enfatiza, sua tendência, quando se fazem profissionais, pelo próprio medo da liberdade que neles se instala, é seguir os padrões rígidos em que se deformaram. 

Isto, associado à sua posição classista, talvez explique a adesão de grande número de profissionais a uma ação antidialógica"
, diz um trecho de Pedagogia do Oprimido.

4 - Guerrilheiros comunistas são heróis da pedagogia

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