Medicina, armas e motos — saiba quem foi Che Guevara, um dos maiores revolucionários da história

Redação Brasil Paralelo
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5/7/2022
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Entender quem foi Che Guevara é desvendar um dos casos mais emblemáticos da América Latina. Sua figura divide principalmente dois lados. Enquanto muitos afirmam que “Che” foi um assassino impiedoso e violento, outros se referem a ele como o símbolo da esperança.

Ernesto Guevara ficou tão famoso que existem mais de 9 mil produtos com seu rosto disponíveis no eBay. Celebridades como o príncipe da Inglaterra e outras já foram vistas usando roupas em homenagem ao revolucionário cubano. Mas será que todos esses realmente conhecem a história de quem foi Che Guevara?

Além de conhecer quem foi Che Guevara, entenda o seu papel na Revolução Cubana, os crimes cometidos, os casos de homofobia e como foi sua morte.

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Quem foi Che Guevara?

Che Guevara foi um dos líderes da Revolução Cubana, ele também fomentou outras organizações guerrilheiras latinas e africanas. Era médico e também atuou como jornalista. Devido aos seus anos de luta socialista, Che Guevara tornou-se símbolo do que ficou conhecido como “contracultura”.

  • Entenda o que foi e como se deu a Revolução Sexual, um dos principais marcos da contracultura mundial.

Ernesto Guevara de la Serna, conhecido pelo apelido “Che”, nasceu em 14 de julho de 1928, na cidade de Rosário, na Argentina. Guevara nasceu em uma família rica, cujos pais herdaram as riquezas de Patricio Julián Lynch y Roo, bisavó de “Che”, que foi considerado o homem mais rico da América do Sul.

O pai de Che Guevara, Ernesto Guevara Lynch, era socialista. Durante a Guerra Civil Espanhola, o pai de Che apoiava os republicanos socialistas espanhóis. Ernesto Lynch participava e organizava eventos políticos.

Segundo Anderson Jon Lee, no livro Che Guevara: uma vida revolucionária (1997), Ernesto Lynch chegou a receber veteranos da guerra espanhola em sua casa, tudo com a presença do pequeno Che.

Criado em um ambiente politizado, Che nunca deixou de se importar com questões sociais, mas decidiu graduar-se profissionalmente em Medicina. Durante a faculdade, Guevara parou o curso por um tempo para viajar de moto pela América Latina com o amigo Alberto Granado.

Che Guevara jovem
Che Guevara jovem.

A mudança revolucionária

A viagem causou uma mudança abrupta na vida de Che Guevara. A cada país que Che passava, ele via pobreza e miséria, ditaduras e riqueza concentrada no bolso de poucos. 

Confrontando-se com a pobreza, Che decide-se por seguir o marxismo radicalmente. Na sua mente, a luta de classes era a melhor explicação para o que presenciou, e a luta comunista-socialista a melhor solução.

Saber quem foi Che Guevara é conhecer parte importante do espírito socialista latino. O livro que Guevara escreveu sobre esta experiência, Diários de Motocicleta, tornou-se um best-seller global, de acordo com o The New York Times.

Um episódio da viagem tornou-se o marco central da decisão revolucionária de Che Guevara: a descoberta de uma colônia de leprosos no Peru. O grupo de leprosos vivia sob os cuidados de um médico comunista, o Dr. Hugo Pesce.

Na colônia, Che presenciou uma experiência de solidariedade e bondade que o impressionou. A biografia de Che Guevara feita por Douglas Kellner traz a descrição de Che sobre sua experiência:

“As formas mais elevadas de solidariedade e lealdade humana surgiram entre pessoas tão solitárias e desesperadas”.

A partir deste momento, Che decidiu dedicar sua vida a ajudar os pobres com os seus aprendizados da faculdade de Medicina. Che Guevara se formou em 1952 e passou imediatamente a viajar pela América Latina, cuidando das doenças dos economicamente menos afortunados.

Porém, Che ficou insatisfeito com o que fazia, ele passou a acreditar que estava cuidando dos sintomas, e não da doença. 

No seu escrito Sobre a Medicina Revolucionária, Guevara diz que esteve “em contato próximo com a pobreza, com a fome e com as doenças”, com a “incapacidade de tratar uma criança por falta de dinheiro”. Diante disso, Ernesto Guevara manifestou:

 “... estupefação provocada pela contínua fome e punição [que leva um pai a] aceitar a perda de um filho como um acidente sem importância”.

Tudo isso levou o médico a mudar de profissão. Che não queria mais tratar casos isolados: seu novo foco seria atacar o sistema que ele acreditava causar todos os problemas presenciados.

Contudo, ao chegar no poder de Cuba, Che cometeu diversos crimes, ferindo gravemente direitos humanos básicos.

Crimes de Che Guevara

che guevara assassino - crimes

Diversas atitudes tomadas por Che Guevara como guerrilheiro e político de Cuba configuram crimes contra os direitos humanos. As principais medidas criminosas foram:

  • campos de trabalho forçado;
  • homofobia e intolerância religiosa;
  • fuzilamentos sem julgamento;
  • incentivar uma guerra nuclear. 

Campos de trabalho forçado

Em 1960 surgiram os primeiros campos de concentração em Cuba, organizados pelo regime socialista de Che Guevara e Fidel Castro. Aqueles que eram considerados inimigos do regime, eram mandados para as Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAP).

Esses campos foram denunciados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos em 1967. Segundo o documento oficial da comissão:

“os jovens são recrutados à força por simples disposição da política, sem que se faça nenhum julgamento, nem seja permitido direito de defesa [...].
Em muitas ocasiões, os familiares só são notificados semanas ou meses depois da detenção. São obrigados a trabalhar gratuitamente na granja estatal por mais de 8 horas diárias e recebem um tratamento igual ao que se dá em Cuba aos presos políticos.
[...] Esse sistema cumpre dois objetivos: a) facilitar a mão de obra gratuita do Estado e b) castigar os jovens que se negam a participar das organizações comunistas”.

Homofobia e intolerância religiosa

Segundo o livro Gender policing, homosexuality and the new patriarchy of the Cuban Revolution, de Lillian Guerra, diversas pessoas foram torturadas e assassinadas por serem católicos, testemunhas de Jeová ou homossexuais.

Fuzilamentos sem julgamento

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos também denunciou a realização de fuzilamentos sem julgamento no documento já citado. O Projeto Verdade e Memória, da organização Arquivo Cuba, acusa Che Guevara de ter cometido diretamente 144 execuções.

Em 1964, Che Guevara representava Cuba na Conferência das Nações Unidas, em Nova York. Nesse período, seu cargo oficial era de embaixador de Cuba. As informações sobre os fuzilamentos já eram de ciência de muitos chefes de Estado, que indagaram o guerrilheiro sobre as medidas descabidas que tomava. 

Em resposta, Che disse:

“Sim, temos fuzilado. Fuzilamos e seguiremos fazendo isso enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta à morte”.

O áudio oficial pode ser escutado abaixo:

O biógrafo de Ernesto Guevara, John Lee Anderson, conseguiu o diário de Che com sua viúva. Nos escritos do guerrilheiro, ele escreveu com detalhes uma de suas primeiras execuções:

“Era uma situação incômoda para as pessoas e para [Eutímio], de modo que acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. 
Ao tratar de retirar seus pertences, não consegui soltar o relógio, que estava preso ao cinto por uma corrente, e então ele [ainda Eutímio, antes de ser baleado] me disse, numa voz firme, destituída de medo: 'Arranque-a fora, garoto, que diferença faz...'. Assim fiz, e seus bens agora me pertenciam. Dormimos mal, molhados, e eu com um pouco de asma”.

Desejo de uma guerra nuclear

Em uma entrevista para o jornal britânico The Daily Worker, Che Guevara manifestou-se irritado com a retirada dos mísseis nucleares soviéticos de Cuba. Ele afirmava que o ato foi uma traição.

Na entrevista, Che afirmou que teria lançado os mísseis nucleares nos Estados Unidos se tivesse poder para tal.

Anos mais tarde, indagado sobre as consequências de disparar as armas atômicas, Guevara disse que contra a "agressão imperialista global" valeria a possibilidade de "milhões de vítimas da guerra atômica", segundo o biógrafo Jon Lee Anderson.

Qual foi o objetivo de Che Guevara? História do guerrilheiro

O objetivo da militância política e militar de Che Guevara era instaurar o comunismo na América Latina. Che acreditava que essa era a única maneira de encerrar a pobreza e os problemas humanos.

Segundo o livro Che Guevara, de Eder Sader, o médico guerrilheiro afirmou:

“O socialismo não é uma sociedade beneficente, não é um regime utópico, baseado na bondade do homem como homem.
O socialismo é um regime a que se chega historicamente e que tem por base a socialização dos bens fundamentais de produção e a distribuição equitativa de todas as riquezas da sociedade, numa situação de produção social”.

Para alcançar seu objetivo, Che Guevara mudou-se para a Guatemala em 1953, pois o país tinha eleito um governo genuinamente socialista. O presidente, Arbenz Guzmán, liderava uma reforma agrária e outras medidas socialistas, atraindo os principais militantes da época para sua nação.

Foi nesse momento que Che conheceu sua segunda mulher, a economista peruana Hilda Gadea. Eles se casaram e tiveram 4 filhos. Guevara já tinha um filho de um longo relacionamento anterior.

Hilda Gadea foi a ponte entre Che Guevara e Fidel Castro. A economista possuía amizade com membros da guerrilha de Fidel, exilados na Guatemala.

Como surgiu o apelido “Che”

Ernesto Guevara usava muito a interjeição “tchê”, de uso comum do povo de sua região natal e brasileiros do sul. Contudo, a interjeição não é utilizada nas regiões do norte da América Latina. De maneira jocosa, seus camaradas da Guatemala passaram a lhe chamar de “Che”.

Segundo o próprio Ernesto, sua estadia na Guatemala possuía 2 objetivos: 

  1. aprender como funcionava um governo socialista; e
  2. como ser um verdadeiro militante. 

Enquanto estava no país, atuava como médico e estreitava o relacionamento com os guerrilheiros.

De repente, todos os socialistas do país foram abalados: o presidente Arbenz sofreu um golpe e perdeu o poder. A esposa de Che foi presa e ele refugiou-se no México. Lá, Che conheceu pessoalmente Fidel e Raúl Castro, decidindo por participar da revolução cubana com convicção.

Nos treinamentos da guerrilha dos irmãos Castro, nomeada Movimento 26 de junho, Guevara destacou-se e foi tido como o melhor guerrilheiro do mundo, de acordo com seu treinador, o guerrilheiro Bayo.

Antes de partir para a guerra de fato em Cuba, Che reencontrou sua mulher no México, tendo se casado oficialmente com ela antes de ir para os embates guerrilheiros.

Revolução Cubana

No dia 25 de novembro de 1956, os guerrilheiros do Movimento 26 de julho desembarcaram em Cuba. Logo que saíram dos barcos, os militares cubanos começaram a atirar. Muitos morreram; apenas 22 se reagruparam para continuar a revolução.

Che Guevara e o grupo de Fidel Castro se uniram com outros guerrilheiros cubanos. O grupo também conseguiu convencer muitos camponeses a participar da revolução.

Che ficou conhecido pelas suas grandes conquistas. Mesmo com uma pequena coluna de guerrilheiros, dominou muitas das principais cidades de Cuba. As duas principais conquistas foram a cidade de Santa Clara, capital de uma província, e Havana, capital do país.

Eles atacavam com precisão e fugiam antes de os inimigos conseguirem revidar. A guerra teve fim no dia 8 de janeiro de 1959, com a vitória dos guerrilheiros do Movimento 26 de julho. O número total de mortos soma 2 mil pessoas.

Qual foi a importância de Che Guevara para a Revolução Cubana?

Che Guevara e Fidel Castro
Che Guevara e Fidel Castro.

Che Guevara foi fundamental para a Revolução Cubana. Ernesto Guevara foi um dos comandantes das tropas de guerrilheiros e o principal responsável pela união de Cuba com a União Soviética, os aliados que permitiram a sobrevivência da revolução no país.

Seu papel foi tão importante, que os chefes da Revolução, Fidel e Raúl Castro, lhe forneceram cargos altos no governo revolucionário. Os principais cargos de Guevara em Cuba foram:

  • presidente das comissões de depuração dos oficiais do exército inimigo;
  • ministro da indústria de Cuba;
  • presidente do Banco Central de Cuba;
  • embaixador de Cuba.

Apesar das honrarias que recebeu dos novos líderes de Cuba, sua carreira possui diversos rastros de crimes.

Como Che Guevara morreu?

Che Guevara morreu na Bolívia, em 1967, após uma tentativa frustrada de instaurar um regime socialista. Após a Revolução Cubana, Che Guevara tentou fazer guerras de guerrilha no Congo e na Bolívia, mas não obteve êxito.

A intenção do guerrilheiro era que todos os países pobres conseguissem realizar o mesmo feito de Cuba. Porém, Ernesto não encontrou ímpeto revolucionário nos outros países, segundo suas próprias declarações.

Che havia já dito que sua intenção era morrer lutando pela causa. Sua morte ressoou por todo o mundo, especialmente devido às fotos divulgadas de seu cadáver. Para os capitalistas, sua morte foi motivo de comemoração; para os socialistas, Che virou um mártir. Sua morte selou as ações que apresentam quem foi Che Guevara.

Che Guevara era comunista ou socialista?

Che Guevara se declarava marxista-leninista, o que faz com que o guerrilheiro fosse comunista. Marx e Lênin eram a base do pensamento e das ações de Che. Embora lesse autores socialistas, os comunistas foram suas maiores influências.

Conhecer esse aspecto teórico é importante para saber quem foi o guerrilheiro argentino. Suas frases também apresentam parte importante de seu pensamento.

Frases de Che Guevara

As frases de Che são frequentemente proclamadas pelos seus fãs, tendo ganhado fama mundial, especialmente nas manifestações da Sorbonne, em Paris, em maio de 1968. As principais frases de Che Guevara são:

  • “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”;
  • “Sonha, e serás livre de espírito... luta, e serás livre na vida”;
  • “Derrota após derrota até a vitória final”;
  • “O revolucionário deve sempre ser integral. Ele deverá trabalhar todas as horas, todos os minutos de sua vida, com um interesse sempre renovado e sempre crescente. Esta é uma qualidade fundamental”;
  • “Lutam melhor os que têm belos sonhos”.

Invasão Bolchevique — a base da vida de “Che”

Che Guevara e a União Soviética
Che Guevara na cidade de Leningrado, com o líder da União Soviética, Nikita Krushchev.

A base dos principais feitos de Che Guevara foram as ações de Vladimir Ilyitch Ulianov, mais conhecido como Lênin. Che era marxista, mas era um marxista não dogmático, cuja base principal para a revolução era o revolucionário bolchevique Lênin.

Foi Lênin quem mudou as ideias de Marx para conseguir fazer a revolução capitalista em um país agrário. Após estudar a invasão bolchevique na Rússia, Che começou a planejar o mesmo na América Latina.

Para entender as ações de Che, seus planos e a sua influência no continente americano, primeiro se deve entender a revolução de Lênin.

A importância desse momento levou a Brasil Paralelo a desenvolver um documentário que explica detalhadamente a influência bolchevique no mundo. 

A nova atitude da Rússia transformou o mundo de tal maneira, que ainda hoje os efeitos da revolução comunista ecoam no mundo. Desde a formação de partidos comunistas até mesmo nas mudanças da cultura ocidental.

  • Assista agora ao filme Invasão Bolchevique e compreenda com detalhes a influência comunista no século XX e XXI. 

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