Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que familiares e conhecidos são responsáveis por 96,1% dos crimes contra menores de 14 anos; meninas representam 85,6% das vítimas de estupro de vulnerável.

Crianças e adolescentes são as principais vítimas da violência sexual no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, 60,3% das vítimas de estupro tinham até 13 anos. Desse total, 27,1% eram crianças com menos de 10 anos.
Os dados mostram que o estupro no país atinge, principalmente, pessoas que ainda estão na infância ou no início da adolescência. Em 2025, o estupro de vulnerável respondeu por 77% de todos os registros de estupro no Brasil.
Essa modalidade inclui os crimes praticados contra menores de 14 anos e contra pessoas que, por alguma condição, não têm capacidade de oferecer resistência, como, por exemplo, pessoas com deficiência (PCD’s) e idosos.
Na maioria dos casos envolvendo menores de 14 anos, o agressor faz parte da convivência da vítima. Familiares foram responsáveis por 59,2% dos crimes, enquanto outros conhecidos aparecem em 36,9% dos registros.
Somados, familiares e conhecidos representam 96,1% dos autores identificados. Apenas 3,9% dos casos foram cometidos por pessoas desconhecidas.
O cenário mostra que o perigo está, frequentemente, dentro do círculo de confiança da criança. Relações familiares, de afeto, autoridade ou dependência são usadas pelos agressores para se aproximar das vítimas e manter os crimes escondidos.
A própria casa, que deveria representar proteção, é o principal local dos crimes. Segundo o Anuário, 64,9% dos estupros de vulnerável acontecem dentro de residências.
A intimidade do ambiente doméstico dificulta a identificação da violência e pode favorecer o silêncio das vítimas. Crianças submetidas à autoridade de adultos próximos também podem ter dificuldade para compreender o abuso, denunciá-lo ou buscar ajuda.
As relações de dependência contribuem para que os crimes permaneçam na esfera privada e sejam descobertos apenas após episódios repetidos de violência.
As meninas representam 85,6% das vítimas de estupro de vulnerável. A incidência começa a aumentar de forma expressiva ainda na primeira infância, entre os 4 e os 6 anos, e alcança o maior número de registros aos 13 anos.
Entre os meninos, o pico dos registros também ocorre aos 13 anos, embora em proporção menor.
A concentração de casos nessa faixa etária está relacionada à assimetria de poder entre as vítimas e os adultos que ocupam posições de autoridade e confiança. Quanto mais jovem a criança, maior costuma ser sua dependência emocional, familiar e material.
A criminalidade é um problema que ceifa a vida de milhares de brasileiros todos os anos e causa danos psicológicos e físicos irreparáveis às vítimas. Há muito tempo, a população convive com isso, mas será que é possível vencer esse problema?
Essa pergunta guia a investigação de Entre Lobos 2026. Clique no link abaixo para saber como assistir:

