Governo cogitou adiar a votação com medo da oposição se fortalecer em meio à crise no Judiciário.

Em meio à turbulência política causada pelas mensagens de Vorcaro e Moraes, houve a expectativa de que a votação do fim da escala 6x1 fosse adiada.
Segundo publicou o jornal Metrópoles, membros do governo passaram a temer que a votação do projeto fosse contaminada pela situação de Moraes.
Nesse cenário, a direita se beneficiaria do fato de um de seus principais inimigos no STF estar no centro de um do maior caso de fraude bancária na história do país.
Apesar da expectativa de que o clima pudesse abalar a percepção dos senadores, parlamentares governistas mantiveram a data da votação.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa deverá analisar a PEC da Escala 6x1 ainda hoje. Caso o órgão aprove, a medida poderá ser discutida no plenário.
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O relator do projeto, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou para o Estadão que não há relação entre os acontecimentos recentes e a pauta:
“Não vejo uma coisa relacionada a outra. O STF é um poder independente, eles resolveram o problema deles lá. E nós resolvemos o nosso problema aqui.”
O governo tem pressionado para que o projeto seja votado antes das eleições, já que muitos parlamentares querem utilizá-lo para ganhar visibilidade e garantir votos.
Até mesmo o próprio senador Omar Aziz está concorrendo ao governo do Amazonas este ano.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse em entrevista ao G1 que a medida não é eleitoreira, mas deverá ter um importante impacto nas eleições deste ano:
“Eu não acho que ela seja eleitoreira, não… Agora, não há de se negar que ela tem efeitos eleitorais porque ela está na boca do povo... Claro que se ela for aprovada, terá um impacto. Mas pode ser aquele tipo de coisa que a gente chama na política: é o ganha-ganha. Todos podem ganhar.”
Enquanto isso, a oposição pensa em métodos para tentar travar a proposta e adiar a votação.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RE), disse que vai apresentar um requerimento de preferência para priorizar sua proposta alternativa, segundo a qual os trabalhadores passariam a receber por hora.
Esse projeto tem contado com o apoio e a articulação de Flávio Bolsonaro, apesar de evitar críticas diretas ao projeto pelo fim da escala 6x1.
Além disso, também há possibilidade de tentar pedir vistas, mais tempo para analisar o caso, ou até esvaziar o quórum necessário para tramitar o projeto.
Nesse sentido, a relação de Moraes com o Master pode ajudar a impedir a votação do projeto.
O Senado tem 66 pedidos de impeachment contra o ministro em tramitação, até o momento.
Com as revelações de ontem (1), o caso voltou a ser uma prioridade para esse grupo político.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem sinalizado que não vai pautar os pedidos, o que tem feito com que os parlamentares pensem em estratégias para pressionar.
Segundo o portal Metrópoles, Damares Alves (PL-DF), sugeriu o esvaziamento das sessões, inclusive da CCJ.