Mendonça diz que foi avisado sobre ataques: “Nada tenho a temer”
Declaração ocorre em meio aos embates no STF sobre o caso Master e após uma sessão marcada por confrontos entre ministros.

André Mendonça revelou que já sabia que haveria reação quando decidiu levar adiante as informações que recebeu da Polícia Federal no caso Master.
Nesta quinta-feira, o ministro afirmou ter sido alertado de forma “implícita e explícita” de que ele e pessoas próximas poderiam sofrer ataques.
Mesmo assim, disse que não pretende recuar.
“Nada tenho a temer”, afirmou. Segundo Mendonça, seguirá cumprindo seu dever “com serenidade e responsabilidade”.
A declaração vem dois dias depois de uma das sessões mais tensas da história do Supremo.
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A disputa começou com o relatório da PF
Mendonça era responsável por grande parte das investigações do caso Master quando recebeu da PF um relatório com informações sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e um contato identificado como Alexandre de Moraes.
A partir daí, a condução do caso virou motivo de confronto dentro da Corte.
Na sessão de terça-feira, Gilmar Mendes acusou Mendonça de agir com interesse político e eleitoral. Mendonça rejeitou a acusação e chamou a fala de “leviana”.
Alexandre de Moraes também entrou no embate. A discussão terminou sem uma decisão sobre eventual investigação contra ele depois que Flávio Dino pediu vista.
Mendonça agora afirma que enxergava essa reação como algo previsível.
Ao comentar os ataques, citou o filósofo Arthur Schopenhauer e comparou as críticas pessoais a uma tentativa de vencer uma discussão sem enfrentar seus argumentos.
Julgamento de Mendonça também foi adiado
A tensão ainda alterou o calendário do STF.
Nesta quinta-feira, Edson Fachin retirou da pauta o julgamento marcado para 23 de setembro que analisaria a atuação de Mendonça no caso Master. Uma nova data ainda não foi definida.
Antes disso, o plenário ainda precisa resolver uma discussão aberta na terça-feira: os casos envolvendo Moraes e Mendonça serão analisados juntos ou separadamente?
Enquanto essa resposta não vem, os dois processos permanecem no centro da disputa interna do Supremo.
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