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Esportes•5 min de leitura

Mbappé ri de meme com rosto de Mao Tsé-Tung, perde patrocínios e pede desculpas depois

Três marcas romperam contratos e a TV estatal tirou a LaLiga do ar. A liga espanhola também se desculpou em nome de todos os clubes.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Kylian Mbappé ao lado do meme que coloca seu rosto no retrato de Mao Tsé-Tung
Fonte da imagem: Reprodução

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Kylian Mbappé foi convidado a escolher seu meme favorito. Respondeu entre risos. O preferido era uma montagem que coloca o rosto dele no corpo de "um ditador chinês".

Dias depois, o atacante do Real Madrid tinha perdido patrocinadores, sumido da TV estatal da China e publicado um pedido de desculpas em três línguas.

A resposta foi dada ao programa The Bridge, do canal ESN, no YouTube. Mbappé não citou o nome, mas a imagem remete a Mao Tsé-Tung, que governou a China de 1949 a 1976.

Os memes que retratam o francês como ditador circulam há tempos entre torcedores, em referência à influência que ele tem nos times em que joga.

A Reuters informou que não conseguiu autenticar o vídeo. O próprio jogador, porém, reconheceu a fala no comunicado.

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A reação de Pequim

O vídeo se espalhou na segunda-feira (26), mesmo dia em que Mbappé ficou em segundo lugar na Bola de Ouro, vencida por Harry Kane. No dia seguinte, as empresas começaram a romper contratos.

A fabricante de bebidas Dongpeng anunciou o fim imediato da parceria e disse manter "tolerância zero" com condutas que "ofendam o sentimento nacional".

As empresas de laticínios Mengniu e Milkground fizeram o mesmo. A emissora estatal CCTV suspendeu a cobertura da LaLiga e retirou anúncios com a imagem do jogador.

O governo também se manifestou. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, afirmou que palavras que ofendam o povo chinês "serão rejeitadas por todos os setores da sociedade".

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Desculpas em série

Mbappé respondeu em inglês, francês e chinês.

"Meu comentário foi imprudente, e agora compreendo que ele feriu muitas pessoas na China. Tenho profundo respeito pelo povo chinês e por sua história."

A LaLiga foi além e pediu desculpas em nome de todos os clubes. O presidente da entidade, Javier Tebas, disse que "uma atitude individual" não pode comprometer a relação com os torcedores chineses.

A liga anunciou ainda um protocolo para orientar jogadores e evitar novos casos.

O peso do mercado explica a pressa. Segundo o site português Maisfutebol, de 10% a 15% da receita do Real Madrid com produtos licenciados vem da China, e Mbappé é o rosto que mais vende.

Na China, Mao segue reverenciado pelo Partido Comunista, e piadas sobre ele são tratadas de forma delicada.

Fora do país, historiadores associam seu governo à fome do Grande Salto Adiante, que matou dezenas de milhões de pessoas.

Conheça a face oculta de Mao Tsé-Tung:

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