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Livros podem levar a prisão: Partido comunista fecha o cerco contra livrarias independentes

Uma das livrarias já havia anunciado que fecharia as portas em agosto por causa das dificuldades impostas pela repressão.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Livraria em Hong Kong
Fonte da imagem: Site: Hoje Macau

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A polícia de segurança nacional de Hong Kong prendeu cinco pessoas, após realizar buscas em duas livrarias independentes do distrito de Mong Kok.

Dois homens e três mulheres foram detidos sob acusação de comercializar material considerado sedicioso.

A sedição é um crime que envolve incitar rebelião ou hostilidade contra um governo ou autoridade constituída. 

As buscas atingiram uma livraria fundada por ex-jornalistas do extinto portal Stand News, que fazia oposição ao regime e foi fechado em 2021, além da Greenfield Bookstore.

Segundo a polícia, o grupo exibia e vendia publicações com conteúdo capaz de incitar ódio contra o governo local, o sistema judicial e as forças de segurança.

O crime de sedição, previsto na Lei de Segurança Nacional de 2024, pode resultar em até sete anos de prisão.

De acordo com as autoridades, o caso chegou ao conhecimento da polícia depois que a alfândega identificou exemplares considerados sediciosos em uma remessa vinda de fora do território. Os títulos específicos não foram divulgados.

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Terceira onda de prisões contra livrarias independentes em 2026

Essa não é a primeira vez que livrarias independentes viram alvo. Em março, o dono e funcionários da Book Punch foram detidos, acusados de vender exemplares de uma biografia do empresário de mídia Jimmy Lai, condenado a 20 anos de prisão por conluio com forças estrangeiras e sedição.

Em junho, dois funcionários da Hunter Bookstore também foram presos, sob suspeita adicional de receberem recursos de organizações políticas estrangeiras.

A própria Have a Nice Stay já vinha enfrentando dificuldades antes da operação desta quarta.

A livraria havia anunciado, ainda antes das buscas, que encerraria as atividades em 30 de agosto, citando problemas financeiros e a incerteza sobre onde estaria a "linha vermelha" imposta pelas autoridades.

Organizações de direitos humanos veem essas ações como parte de uma estratégia mais ampla para silenciar vozes dissidentes na cidade.

Segundo a Human Rights Watch, ao menos seis livrarias independentes passaram por auditorias fiscais desde o fim de 2023, reflexo do aumento da pressão sobre o setor desde os protestos pró-democracia de 2019.,

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Influência de Pequim cresce sobre Hong Kong

Essa repressão ao setor editorial acompanha o avanço da influência de Pequim sobre Hong Kong desde aquele ano, quando os protestos tomaram as ruas da cidade.

Em 2020, a China impôs uma ampla Lei de Segurança Nacional ao território, complementada por uma legislação local em 2024.

Desde então, as autoridades vêm ampliando a repressão contra opositores, veículos de imprensa e organizações da sociedade civil.

Por décadas, Hong Kong manteve reputação de ampla liberdade editorial, o que atraía até leitores da China continental em busca de títulos considerados sensíveis por Pequim.

As sucessivas operações contra o setor, no entanto, têm reduzido cada vez mais o espaço para publicações independentes na região.

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