Política5 min de leitura

Um dos homens mais ricos da China vai passar o resto da vida atrás das grades por causa de desvio

Tribunal o acusou de manipular mercado através de fraudes. Mais de 50 ex-funcionários também foram punidos.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
China condena um dos homens mais poderosos do país à prisão perpétua
Fonte da imagem: CCTV

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Por décadas, Xu Jiayin foi um dos homens mais ricos da Ásia. O empresário foi um dos fundadores da Evergrande, uma das maiores incorporadoras da China.

Agora, ele deixa a vida de luxo para cumprir prisão perpétua após ser condenado pelo Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen

Além da pena máxima, a Justiça determinou o confisco de todos os seus bens e uma multa de R$6,8 bilhões para a empresa.

Durante o julgamento, Xu se declarou culpado de uma série de crimes, entre eles:

  • fraude financeira;

  • desvio de recursos;

  • falsificação de informações contábeis;

  • emissão fraudulenta de ações;

  • subornos;

  • desfalque.

Segundo a decisão do tribunal, entre 2016 e 2021, Xu e a Evergrande promoveram um esquema de falsificação financeira.

O objetivo era inflar artificialmente os ativos da empresa, esconder dívidas e captar recursos de forma irregular.

A Justiça afirmou que a empresa utilizou práticas de fraude em larga escala para ocultar passivos e apresentar uma situação financeira diferente da realidade. 

Xu estava em prisão domiciliar desde o fim de 2023. Em abril deste ano, reconheceu sua culpa e afirmou estar arrependido

A sentença representa o principal desfecho jurídico do caso que abalou o mercado imobiliário chinês.

Além do fundador da empresa, outros ex-executivos também foram condenados. A Justiça chinesa proferiu 56 sentenças relacionadas ao caso.

Cinco antigos dirigentes receberam penas entre seis e 18 anos de prisão, incluindo ex-presidentes e ex-diretores da companhia.

Como a maior incorporadora da China entrou em colapso?

Durante o auge do mercado imobiliário chinês, a Evergrande construiu seu crescimento sobre um modelo de forte endividamento.

A empresa recorria ao crédito para comprar terrenos, lançar novos empreendimentos e expandir seus negócios

Listada na Bolsa de Hong Kong desde 2009, chegou a ser a maior incorporadora da China e uma das empresas imobiliárias mais valiosas do mundo.

Esse modelo começou a ruir em 2020, quando o governo chinês endureceu as regras de concessão de crédito para conter o excesso de endividamento do setor.

Sem acesso ao mesmo volume de financiamento, a Evergrande passou a enfrentar problemas de caixa. 

Em 2021, deixou de honrar seus compromissos financeiros e acumulou uma dívida estimada em aproximadamente R$1,5 trilhão.

A crise levou a empresa a pedir recuperação judicial nos Estados Unidos em 2023. Em janeiro do ano seguinte, o Tribunal Superior de Hong Kong determinou sua liquidação

O impacto foi além do setor imobiliário. A crise financeira também atingiu o Guangzhou Evergrande, um dos clubes mais vitoriosos do futebol chinês

Com dívidas elevadas, a equipe foi impedida de disputar competições profissionais e acabou extinta.

O modelo de desenvolvimento chinês é um dos mais complexos e curiosos do mundo, já que o Partido Comunista domina o país, mas aceita a iniciativa privada.

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