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Internacional
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Líder supremo do Irã chama manifestantes de “mercenários” estrangeiros

Procurador de Teerã chegou a propor pena de morte para manifestantes envolvidos em vandalismo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
9/1/2026 21:45
Mtrópoles

O Irã tem enfrentado uma grave onda de protestos desde o final do ano passado. Ontem (8), manifestantes voltaram a tomar as ruas.

Em meio ao cenário de crise e instabilidade política, o líder supremo do país, o Aiatolá Ali Khamenei, se pronunciou.

Ele criticou os manifestantes, os acusando de agirem como “mercenários de potências estrangeiras”. 

O ditador também disse que a República Islâmica não tolerará atos de “vandalismo” e falou que ações do tipo atendem a interesses de governos considerados inimigos, como o americano e israelense.

A fala também foi marcada pela acusação de que as mãos do governo Trump estaria com as mãos “manchadas de sangue” desde os ataques aéreos em junho do ano passado.

Promotor promete pena de morte para manifestantes

Ao longo das últimas semanas, o governo tem aumentado a repressão contra os manifestantes.

As autoridades derrubaram a internet em quase todo o território iraniano, segundo a ONG NetBlocks, que monitora o acesso à telecomunicação ao redor do planeta.

O Corpo da Guarda Revolucionária afirmou que a “situação é inaceitável” e tem o direito de se vingar de “atos terroristas”. 

Além disso, um procurador da capital Teerã afirmou que poderá entrar com um pedido de pena de morte para que depredar patrimônio público.

Trump ameaça intervir se repressão continuar

Trump declarou que está acompanhando a situação no país e pode agir se mais manifestantes morrerem:

Estamos acompanhando de perto. Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente atingidos pelos Estados Unidos”.

O presidente americano já havia dito anteriormente que está disposto a ajudar os manifestantes e que seu país está “pronto para agir” caso houvesse mais violência.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também disse ser solidário à “luta do povo iraniano”.

O Irã é um dos principais inimigos de Israel. Entenda a rivalidade entre os dois países com o especial da Brasil Paralelo. Clique aqui e assista completo.

Entenda os protestos no Irã

As manifestações começaram em Teerã ainda no final de 2025, impulsionadas por comerciantes e lojistas, .

A principal causa foi a crise econômica e falta de perspectivas para a população. O Irã tem enfrentando uma grave inflação desde o último ano.

A inflação ultrapassou 42%, com um aumento de 52% nos preços em comparação com 2023. Isso fez os preços de alimentos, medicamentos e serviços básicos dispararem. 

Com o passar dos dias, os protestos ganharam um caráter político mais explícito. As demandas deixaram de ser apenas sobre a economia e passaram a incluir críticas ao regime islâmico

Manifestantes clamam pelo fim da atual estrutura de poder e há até registros de defesa até mesmo da restauração da monarquia, derrubada pelo Aiatolá Khomeini em 1979.

Diversos vídeos divulgados nas redes sociais têm mostrado pessoas levantando a bandeira do Irã pré-revolução.

A população também tem entoado palavras de ordem contra o regime, como “é o ano do sangue, Khamenei será derrubado”.

Herdeiro do trono iraniano convoca protestos

O filho do último Xá do Irã, Reza Pahlevi, divulgou um vídeo em suas redes sociais no qual ele incentiva os manifestantes a tomarem as ruas.

Apesar da reação violenta do regime, vocês estão resistindo e isso é inspirador. Vocês certamente viram as grandes multidões repetidamente fazendo as forças do regime recuarem e houve um aumento em deserções para o lado do povo. Por isso é importante manter essas demonstrações o mais disciplinadas e maiores possíveis.”

Em uma outra publicação, ele diz que “o mundo e Trump estão observando atentamente. A repressão ao povo não ficará sem resposta”.

O herdeiro do trono persa vive nos EUA desde a queda da monarquia. Seu pai era um dos principais aliados americanos no Oriente Médio.

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