A Globo firmou uma parceria com a editora Mundo Cristão para adaptar livros do catálogo da casa em formato de telefilmes. O movimento ocorre em meio ao crescimento do público evangélico no Brasil, que já representa 26,9% da população, segundo o IBGE.
O primeiro projeto escolhido é o romance Círculos Não São Infinitos, de Vitória Souza. A obra já entrou em desenvolvimento no Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo.
A história acompanha uma mulher à beira do divórcio que encontra um caderno capaz de levá-la ao passado.
A partir dessa descoberta, a protagonista revisita decisões e inicia um processo de autoconhecimento.
O acordo entre a emissora e a editora não se limita aos títulos já publicados. A parceria prevê também a adaptação de futuras obras da Mundo Cristão.
Para Betina Paulon, produtora executiva de filmes dos Estúdios Globo, a literatura permanece como fonte recorrente para o audiovisual. Segundo ela, histórias bem estruturadas podem ser reinterpretadas em novos formatos sem perder sua essência.
Mark Carpenter, diretor-presidente da Mundo Cristão, afirmou que a iniciativa amplia o alcance das obras e permite que as narrativas atinjam públicos além do mercado editorial.
Líderes evangélicos criticam a Globo há anos
A nova tentativa de se aproximar dos evangélicos encontra uma dificuldade: a histórica crítica dos líderes evangélicos à emissora.
O pastor Silas Malafaia, por exemplo, já se manifestou diversas vezes criticando a Rede Globo.
Segundo ele, a emissora trabalha como uma porta-voz de Alexandre de Moraes e ajudou no que seria uma perseguição contra Jair Bolsonaro causada pelo fato dele ter cortado verbas públicas que iriam para a emissora.
Segundo o pastor, o ministro do STF teria derrubado multas milionárias da emissora e completou dizendo que o jornalismo do canal o dá vontade de rir e vomitar. Malafaia também acusou a emissora de defender o governo Lula.
Em uma outra reportagem, quando perguntado sobre uma novela evangélica que a Globo estava exibindo, ele disse que não havia assistido, mas que a emissora sempre ridiculariza os evangélicos:
“Primeiro, eu estou por fora de como é a novela. Segundo, quando é que a Globo não debochou, não ridicularizou, não fez alguma coisa de forma a denegrir (sic) a imagem dos evangélicos? Quando foi que saiu uma novela com coisa boa, se não foi para ridicularizar pastor, se não foi para ridicularizar evangélico? Se essa for (contrário), será a primeira. Uma emissora, um grupo desse que diz que existe traficante evangélico! Que tem a ousadia e o absurdo de colocar uma notícia de que (existe) traficante evangélico, eu não conheço, daqui a pouco é prostitua evangélica… Eu tenho dúvidas se vai falar alguma coisa bem”.
Outro programa da Globo também sofreu críticas no meio evangélico. O pastor e teólogo Matheus Alves afirmou que o reality show “Terceira Metade”, do Globoplay, representa uma afronta aos princípios bíblicos ao retratar relacionamentos entre três pessoas.
Ele classificou o programa como contrário às Escrituras e disse que cristãos não devem compactuar com esse tipo de conteúdo.












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