Fim das “Choppadas”? Projeto quer proibir venda e consumo de bebidas alcoólicas em universidades
Proposta em Goiânia pretende proibir álcool em escolas e universidades, com multa de dez salários mínimos para quem descumprir a regra.

As festas universitárias de Goiânia podem estar com os dias contados, ao menos no formato como são conhecidas.
Um projeto de lei apresentado pelo vereador Sanches da Federal (PP) quer proibir a compra, venda, fornecimento e consumo de bebidas alcoólicas em escolas e universidades públicas e privadas da capital.
A proposta também veda festas do tipo “open bar” dentro das instituições e em eventos que usem o nome da universidade, abrangendo desde o ensino infantil até o superior.
“O ambiente escolar e o nome da escola não podem estar diretamente ligados a festas com venda e consumo de álcool. Isso vai na contramão da formação que a escola busca oferecer”, afirmou o vereador.
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O que o texto propõe?
O Projeto de Lei 568/2025 está em análise na Procuradoria-Geral da Câmara Municipal de Goiânia, que deve emitir parecer de constitucionalidade antes de o texto retornar à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).
A proibição se estenderia também a:
- moradias estudantis;
- centros e diretórios acadêmicos;
- organizações atléticas;
- grêmios estudantis;
- clubes de professores e funcionários;
- associações e agremiações ligadas às instituições de ensino.
O projeto estabelece multa de dez salários mínimos (cerca de R$15 mil) para quem descumprir a norma.
A penalidade dobra quando o responsável for pessoa jurídica e triplica caso o fornecimento de álcool seja gratuito ou abaixo do preço de mercado.
Os recursos arrecadados devem ser destinados a ações de prevenção ao uso abusivo de álcool e drogas.
Preservação dos bons costumes
Sanches afirma que a proposta tem caráter preventivo e educativo, com foco na proteção social dos jovens e na preservação de bons costumes.
“É pela preservação da saúde física e mental dos nossos jovens, que muitas vezes ficam vulneráveis e são expostos a assédios e violência”, declarou o parlamentar.
Ele afirma que a medida busca fortalecer o compromisso das instituições com a formação responsável e segura dos alunos.
O projeto determina que a fiscalização fique a cargo dos Conselhos Tutelares nas escolas de ensino infantil, fundamental e médio. Já nas universidades, a responsabilidade será do Conselho Municipal de Educação.
O advogado Marcos Alvarenga avalia que a proposta pode enfrentar questionamentos constitucionais.
De acordo com ele, a venda de bebidas alcoólicas já é restrita em ambientes escolares, sendo permitida apenas em eventos abertos ao público.
O debate ocorre pouco depois de o presidente Lula sancionar uma lei que amplia a pena para quem fornece bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já prevê detenção de 2 a 4 anos para esse tipo de crime, mas a nova norma permite aumento de um terço até metade da pena quando o consumo for comprovado.
Se aprovado, o projeto pode afetar diretamente as tradicionais festas universitárias de Goiânia, conhecidas como “choppadas”, eventos organizados por centros e diretórios acadêmicos para arrecadar recursos e promover integração estudantil.
Para o autor da proposta, o objetivo não é restringir o lazer, mas garantir que as instituições de ensino não sejam associadas ao consumo de álcool.
“Trata-se de uma medida de proteção à juventude e de reforço aos valores familiares”, disse Sanches.
O texto ainda aguarda parecer jurídico antes de seguir para votação.
A realidade vai além das festas e das bebidas
Hostilidade a ideias divergentes, repressão velada e militância travestida de representação estudantil não são exclusividade de um evento. Para muitos alunos e professores, essa é a rotina dentro das universidades brasileiras.
Há salas com paredes pichadas, banheiros depredados e aulas onde a ideologia pesa mais do que o conteúdo.
Para revelar esse cenário de dentro, a Brasil Paralelo produziu o documentário Unitopia, com relatos inéditos de quem vive sob pressão ideológica nas maiores instituições de ensino do país.
Assista ao primeiro episódio gratuitamente.
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