EUA oferecem mais de R$56 milhões por informações sobre o Hezbollah no Brasil
Washington se preocupa com a presença do grupo na tríplice-fronteira.

A embaixada americana em Brasília vai pagar o equivalente a mais de R$56 milhões por informações que ajudem a combater o financiamento do Hezbollah.
O anúncio foi feito através do programa Rewards for Justice, mirando as operações do grupo terrorista na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
A oferta inclui até a possibilidade de "realocação" para quem fornecer dados valiosos e se sentir em perigo por causa disso.
O que os EUA querem saber? A lista é específica:
- Fontes de receita do Hezbollah na região.
- Nomes de doadores e facilitadores financeiros.
- Bancos ou casas de câmbio que ajudem o grupo.
- Empresas controladas pelo Hezbollah ou seus financiadores.
- Esquemas criminosos que beneficiem a organização.
Por que a Tríplice Fronteira?
A região é vista por Washington como um polo crucial para o Hezbollah levantar fundos.
As investigações americanas apontam a atuação do grupo em uma série de atividades ilícitas, como:
- lavagem de dinheiro;
- tráfico de drogas;
- contrabando; e
- falsificação de dólares.
Além disso, o grupo também geraria receita com negócios aparentemente legais, como construção civil e comércio exterior em toda a América Latina.
O que é o Hezbollah?
Trata-se de uma organização política e paramilitar xiita criada no Líbano e classificada como terrorista pelos EUA desde 1997.
- O Hezbollah é um dos grupos combatidos pelo exército de Israel na atual guerra em Gaza. Entenda o conflito para além das narrativas da mídia ocidental com o documentário From the River to the Sea. Assista completo abaixo:
A organização recebe apoio financeiro, militar e treinamento do Irã. Estima-se que o Hezbollah movimente cerca de R$6 bilhões por ano.
A presença do Hezbollah na América Latina
O grupo tem um histórico de atentados na América do Sul, sendo responsavel pelos atentados à embaixada de Israel (1992) e à Associação Mutual Israelita Argentina (1994), ambos em Buenos Aires.
Investigações recentes da Polícia Federal indicam tentativas de recrutamento de brasileiros pelo grupo, com ofertas de dinheiro e viagens ao Líbano.
A ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, já afirmou que um chefe de operações do Hezbollah na América Latina recrutou pessoas no Brasil e estabeleceu laços com facções criminosas locais.
O caso do traficante turco Eray Uç, preso em Santos e ligado ao PCC, que repassava lucros do narcotráfico ao Hezbollah, reforça essas suspeitas.
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