O escândalo do INSS movimentou quantias bilionárias provenientes de dinheiro roubado de aposentados. Entenda o que a CPMI do INSS já descobriu sobre os desvios.

Em abril de 2025, veio a público um esquema de corrupção envolvendo o INSS, sindicatos e entidades trabalhistas e empresas de fachada.
O prejuízo bilionário é proveniente de descontos ilegais feitos diretamente na folha de pagamento dos aposentados.
Deputados e senadores montaram uma CPMI para investigar o caso e encontraram nomes de peso que são suspeitos de liderar o esquema. Projetos de lei também são discutidos e o governo toma atitudes para ressarcir os prejudicados.
Entenda o que a CPMI do INSS já descobriu sobre os desvios.
É uma comissão parlamentar que envolve deputados e senadores. Ela é temporária e tem o objetivo de investigar eventos específicos.
A CPMI está focada em destrinchar as fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) que foi utilizado para esquemas de corrupção.
Os crimes foram descobertos em abril pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU). Os acusados promoviam desvios de dinheiro provenientes de cobranças ilegais feitas aos aposentados e pensionistas.
Estima-se que entre 2019 e 2024, 6 bilhões de reais em benefícios foram roubados dos bolsos de milhões de aposentados.
De acordo com a CGU, o que motivou a operação que revelou o esquema foi um aumento atípico, tanto dos descontos, quanto das reclamações de que os descontos não haviam sido autorizados.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, disse que o presidente Lula indicará o próximo presidente pessoalmente.
Mensalmente, sindicatos e associações descontavam valores dos benefícios dos aposentados e pensionistas do INSS como se estes fossem membros. Contudo, a maioria nunca tinha autorizado tais cobranças.
As associações trabalhistas afirmavam oferecer serviços como planos de saúde e descontos em academias. De acordo com a CGU, a maioria não possuía estrutura para tais operações.
Também houve assinaturas falsificadas, documentos faltantes e grande parte das entidades sequer possuíam Acordos de Cooperação Tática (ACT). Este é um contrato em que o beneficiário aceita que parte de seu pagamento seja descontado pelo sindicato.
O decreto nº 10.410, de 30 de junho de 2020 do ex-presidente Jair Bolsonaro exigia que os descontos ficassem congelados até que o beneficiário autorizasse o pagamento.
Os beneficiários só percebiam a fraude ao tentar cancelar o contrato ou checar os extratos. A CGU começou as investigações em 2023 e acionou a PF em 2024 após serem encontrados indícios de crimes.
Dados do Governo Federal admitem que mais de 5,4 milhões de aposentados e pensionistas foram vítimas.
É uma comissão parlamentar que envolve deputados e senadores. Ela é temporária e tem o objetivo de investigar eventos específicos. Suas prerrogativas incluem a convocação de pessoas, quebras no sigilo de documentos e até mudanças nas leis vigentes.
A própria CPMI do INSS já abriu alas para projetos de lei como o PL 1546/2024 que impedia descontos mensais em benefícios previdenciários sem autorização formal do beneficiário.
O texto obriga que o sindicato ou associação devolva o valor descontado em até 30 dias no caso da cobrança ter sido indevida. Contudo, este projeto é visto como uma iniciativa mais simbólica, pois não promove uma blindagem completa das fraudes nem prevê sanções penais.
O escândalo mobilizou os parlamentares para que enviassem várias propostas visando dificultar os descontos e convênios com o INSS.
O PL 2.194/2025, do senador Ciro Nogueira (PP-PI) proíbe as mensalidades pagas às entidades e cancela as que já aconteceram. O PL 2.159/2025, de Rogério Marinho (PL-RN) suspende os descontos por seis meses e exige revalidação.
A CPMI do INSS começou em junho de 2025 e vai durar no mínimo seis meses, podendo ainda ser prorrogada. 16 deputados e 16 senadores serão participantes. O PT e o PL enviaram quatro membros cada um, representando as duas maiores bancadas.
Quem comanda a CPMI é o presidente eleito pelos participantes. No caso, Carlos Viana do Podemos foi escolhido para o cargo. Alfredo Gaspar do União Brasil será o relator.
A investigação têm focado em destrinchar as fraudes de empréstimos não autorizados e os descontos ilegais. Espera-se que os sindicatos, associações e demais entidades que tenham participado do esquema sejam responsabilizados.
Acredita-se que nomes de dentro do INSS também estejam envolvidos.
O até então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto já foi demitido. A operação ainda levou a abertura 207 inquéritos, 192 mandados de prisão e 701 mandados de busca e apreensão.
Além do presidente, outros cinco servidores foram afastados e os parlamentares aprovaram o pedido de 21 prisões preventivas.
A respeito do escândalo, o ministro da Previdência Carlos Lupi falou que não se omitiu em nenhum momento.
“Em nenhum momento me omiti. Muito pelo contrário, agimos para tentar conter as fraudes. Este é um trabalho que precisa ser feito de modo aprofundado e com muita responsabilidade”
Ele ainda tentou defender sua gestão afirmando que:
“Em março de 2024 aprovamos o primeiro regulamento sobre o tema. Em abril, suspendemos cautelarmente novas operações e passamos a cobrar biometria”
Ao ser perguntado sobre a demora no processo de correção da fraude, Lupi responsabiliza um servidor do governo anterior:
“Agi a tempo. Demiti um diretor que era superintendente do governo anterior. Demiti em maio de 2024 pela letargia e pela demora”
Ele se referia a André Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamentos com o Cidadão do INSS. Ele também foi citado no relatório da CGU.
Durante o depoimento de Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindinapi), o relator Alfredo Gaspar acusou a instituição de compor organização criminosa.
O relator trouxe o dado de que o sindicato recebeu algo em torno 600 milhões de reais em descontos ilegais. Tal quantia configuraria a organização como a terceira que mais faturou com a fraude.
Entre 2020 e 2021, beneficiários do INSS que buscaram empréstimos consignados foram automaticamente filiados ao sindicado sem seu conhecimento.
“Eles montaram uma organização criminosa em circuito fechado com esse dinheiro voltando para o sindicato. O senhor devia estar preso". Falou o relator da CPMI.
Baptista respondeu defendendo a lisura do sindicato.
Gaspar ainda denunciou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo as esposas de Baptista e o ex-presidente do sindicato, João Batista Inocentini.
Segundo o parlamentar, as esposas eram sócias de empresas que recebiam comissões por cada aposentado que se filiava.
O faturamento girava em torno de 10 milhões nos últimos anos. Após 2020, a quantia saltou para em torno de 150 milhões num espaço muito curto de tempo.
O advogado Eli Cohen foi contratado por dois dirigentes de entidades conveniadas ao INSS em 2022.
Essas organizações tinham autorização para oferecer aos aposentados e pensionistas a opção de pagar as mensalidades associativas diretamente por meio de descontos nos benefícios. É nesse episódio que Cohen alega ter descoberto a farsa.
Ele afirmou em plenário que os nomes por trás das fraudes do INSS eram os empresários Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
De acordo com o depoente, Camisotti estava ligado a associações trabalhistas que movimentaram cerca de 1 bilhão de reais provenientes de descontos ilegais.
Ele também disse que suspeitava de ajuda política de congressistas na execução do esquema e que estava sendo ameaçado.
Já o “Careca do INSS” possuía ao todo 22 empresas que teriam sido usadas nos crimes. Pessoas e organizações ligadas a ele lucraram R$53.586.689,10 diretamente das entidades trabalhistas ou por meio de suas empresas.
A PF descobriu que Antunes era sócio em várias Sociedades de Propósito Específico (SPE), mas todas tinham o mesmo endereço, registros de compra de imóveis, capital social e contatos.
Todas também foram criadas durante o período dos repasses de dinheiro ilícito.
Antunes afirma receber R$24.458,23 de salário por mês e declara um patrimônio entre 1 milhão e 5 milhões. Contudo, o relatório da polícia revela que entre 22 de abril e 22 julho de 2024 ele acumulou mais 14 milhões em patrimônio.
Os repasses que ele realizava também não são consistentes com alguém que realmente tenha apenas os valores que ele admite.
A base do governo Lula na CPMI têm barrado convocações chave para a investigação. O irmão do presidente da República, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, foi o caso mais emblemático.
Chico é vice-presidente do Sindinapi e teria faturado milhões com os descontos indevidos.
Além disso, sua participação na cúpula do sindicato é considerada ilegal pela Lei 13.019/14, que proíbe o governo de firmar acordos com organizações sociais dirigidas por parentes de autoridades.
Uma busca e apreensão realizada pela Polícia Federal no início de outubro revelou dinheiro vivo e carros de luxo na sede da organização.
A operação abriu diversas frentes de investigação, mas mesmo assim os participantes da CPMI decidiram não convocar o irmão de Lula. A votação foi 19 a 11, decretando a derrota da oposição a Lula nesse episódio.
O líder do governo na comissão, Paulo Pimenta do PT chegou a defender pessoalmente a idoneidade do irmão do presidente.
“O irmão do presidente Lula é "uma pessoa honesta, humilde, simples, que nunca acumulou patrimônio, que nunca roubou ninguém em lugar nenhum"
Ainda em outubro, foi cogitado convocar Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete do presidente do Senado. Ele teria recebido 3 milhões de reais de investigados pelas fraudes no INSS. Contudo, sua convocação também foi barrada pela base governista.
Outra convocação importante para a investigação, mas que foi barrada pelos parlamentares governistas, foi a de Edson Claro Medeiros. Ele alega ter sofrido ameaças de morte por parte do “Careca do INSS”.
Lupi ainda reiterou que as fraudes na previdência social “não são de hoje”. O governo prometeu ressarcir os prejudicados e já suspendeu todos os ACTs.
Já foram criados mecanismo de ressarcimento para para beneficiários que tenham sido prejudicados entre março de 2020 até o mesmo mês de 2025. 1,29 bilhões de reais já foram devolvidos a 2,3 milhões de pessoas.
O governo também estuda proibir de uma vez por todas os descontos em folha de pagamento para aposentados e instituir o pix ou boleto no lugar.
A primeira coisa é descobrir se houveram descontos não autorizados. Para isso, consulte o extrato do INSS. Siga o guia abaixo para fazer isso:
Outra opção é ir até uma agência dos Correios. Os servidores de lá já devem ter sido instruídos sobre como verificar se houveram descontos indevidos e como fazer a contestação.
Tendo acontecido a fraude, é necessário pedir o ressarcimento. Para fazer isso, entre em contado com o INSS pelo número 135 no telefone. Também é possível fazer o pedido via site ou aplicativo. Veja as etapas:
Tenha atenção aos prazos! É possível contestar os descontos até 14 de novembro de 2025.
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