Dólar bate recorde histórico e fecha a R$6,26. Como isso afeta as pessoas?
Impulsionado pelo corte de juros do Fed e pela aprovação da Reforma Tributária, dólar alcança máxima história.

O dólar fechou o dia valendo R$6,26 hoje. A alta pode ter sido impulsionada pela decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar os juros nos Estados Unidos em 0,25%. Isso fez a bolsa brasileira cair 2,31%, atingindo 121.807 pontos.
Com a desvalorização do real, produtos importados ficam mais caros. Isso inclui matéria-prima para várias coisas produzidas no Brasil, impactando o valor cobrado do consumidor.
É o caso de pães e massas, feitos à base de trigo. O alimento é importado por grande parte dos produtores, que o compram em dólar. Se a moeda está cara, o custo do produtor vai subir.
Para não ter prejuízo, ele acaba somando esse valor na hora de calcular o preço da mercadoria.
Para entender essa lógica, basta fazer a seguinte conta:
- suponha que um quilo de trigo custa US$10,00. Se o dólar custa R$6,00, significa que o brasileiro vai pagar R$60,00 por cada quilo de trigo.
- se o dólar custar menos, esse custo cai.
Combustíveis e fretes também podem aumentar
Outro exemplo em que isso acontece é no caso dos combustíveis baseados em petróleo.
O Brasil não consegue transformar todo o petróleo que produz em em combustíveis como gasolina e Diesel. Sendo assim, compra de produtores internacionais.
Como praticamente todas as negociações de petróleo são feitas com dólares, o produto sai mais caro para os brasileiros.
Os efeitos disso vão além do posto de gasolina cobrar mais caro para abastecer carros e motos.
Quase 82% das cargas que atravessam o Brasil são transportadas por caminhões, que precisam se abastecer ao longo do caminho.
As mudanças nos preços da gasolina e do diesel tornam as viagens mais caras, o que aumenta o preço do frete dos produtos e impacta diretamente no preço de tudo que é cobrado.
Dólar começou a subir com fala de Haddad
Por volta das 13h, o dólar era negociado a R$6,19, registrando uma alta de 1,55%. Pouco antes, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia atribuído parte da desvalorização do real à especulação.
Isso significa que o mercado estaria manipulando a bolsa de valores para conseguir lucrarlucar com a alta da moeda americana.
Em entrevista coletiva pela manhã, Haddad expressou otimismo quanto à estabilização da moeda.
"Há contatos conosco falando em especulação, inclusive jornalistas respeitáveis falando disso. Eu prefiro trabalhar com os fundamentos, mostrando a consistência do que nós estamos fazendo em proveito do arcabouço fiscal para estabilizar isso. Mas pode estar ocorrendo [ataque especulativo]”.
Com a alta do dólar, os brasileiros perdem também o poder de compra internacional. O recorde. Haddad afirma que a situação irá melhorar caso o Congresso aprove um pacote de corte de despesas do governo.
No entanto, o consumidor pode sentir os efeitos da alta antes que isso aconteça.
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