Banco ligado a Edir Macedo entra em briga de R$ 500 milhões após quebra do Master
Investidor diz que perdeu dinheiro em fundo ligado a bancos que quebraram. Banco Digimais nega responsabilidade e afirma que sócio reteve valores.

O Banco Digimais, controlado por grupo empresarial do qual o bispo e empresário Edir Macedo é sócio, passou a integrar uma disputa judicial que pode envolver quase R$ 500 milhões.
O caso está relacionado a um fundo de investimento chamado EXP 1, que aplicava recursos em empréstimos concedidos por instituições financeiras.
Parte desses empréstimos estava ligada a empresas que posteriormente enfrentaram liquidação ou recuperação judicial, como o Banco Master.
Com a crise dessas instituições, os investimentos perderam valor e surgiu a discussão sobre quem deve arcar com as perdas.
O que aconteceu?
O fundo EXP 1 foi criado em 2025 com a participação do Banco Digimais e da gestora Yards Capital, do empresário Roberto Campos Marinho Filho. O fundo reunia recursos para investir em empréstimos concedidos por instituições financeiras, principalmente operações de crédito consignado.
Parte desses empréstimos estava ligada ao Banco Master, à Reag e à Fictor. Meses depois, essas empresas enfrentaram graves problemas financeiros: duas foram liquidadas pelo Banco Central e uma entrou em recuperação judicial.
Com isso, os créditos que compunham a carteira do fundo perderam valor.
Roberto Campos Marinho Filho afirma que houve falhas na estrutura desses ativos e sustenta que o Digimais deve recomprar os créditos e assumir o prejuízo, estimado por ele em cerca de R$ 500 milhões.
O que o banco responde?
O Banco Digimais afirma que não tem obrigação contratual de recomprar os créditos nem de assumir integralmente as perdas do fundo. Segundo a instituição, os riscos faziam parte da operação e estavam previstos na estrutura do investimento.
O banco também sustenta que parte dos valores do fundo, cerca de R$ 88 milhões, teria sido retida pelo sócio sem os devidos esclarecimentos, o que é contestado pela outra parte.
As duas versões estão sendo analisadas pela Justiça, que deverá decidir quem tem razão e quais responsabilidades cabem a cada lado.
Há risco para o banco?
Até o momento, não há qualquer decisão do Banco Central determinando intervenção, liquidação ou regime especial contra o Banco Digimais. A instituição segue autorizada a operar normalmente.
A disputa envolve um fundo específico e trata da responsabilidade pelas perdas registradas nessa operação. Não há anúncio de bloqueio de contas, suspensão de atividades ou medida administrativa contra o banco relacionada a esse caso.
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