CRÔNICA
Acho que se Thomas Edison tivesse nascido no Brasil, não deveria inventar a lâmpada.
Deveria, sim, inventar um curso.
“Ilumine-se em 21 dias.”
Com bônus exclusivo de meditação elétrica.
Rockefeller? Funcionário público exemplar. Chegaria às oito, sairia às cinco.
Bateria o ponto com a mesma disciplina com que um dia teria refinado petróleo.
O império ficaria para depois.
O Brasil adora o depois.
O depois é nossa reserva estratégica.
Talvez Ford, metódico, passasse num concurso.
Juiz de carreira sólida, toga impecável, currículo irretocável.
E talvez, com a serenidade dos homens convencidos de sua missão, usasse o poder para corrigir os desvios de Edison, esse vendedor de energia interior.
Chamado a responder na corte.
Em nome da ordem.
Depende…
Gigantes nós tivemos.
Alguns brilhantes.
Padre Landell de Moura falava de ondas invisíveis quando o país ainda discutia cercas.
Foi tratado como excentricidade de batina. O jeca com antena.
Santos Dumont voou. Depois viu os Irmãos Wright pegarem a fama do avião e, por aqui, virou monumento.
Ganhou uma estátua.
Elegante forma de calar a boca.
Gurgel sonhou com carro elétrico antes de o mundo descobrir que isso dava clique. Poderia ter sido Musk? Não sei.
Sei que virou meme.
E meme é uma risada boa.
Descomprime a ambição.
Ah, e o Barão de Mauá?
Irineu Evangelista de Sousa não era apenas empresário.
Era um excesso.
Construiu estaleiro, banco, estrada de ferro, iluminação a gás.
Falava de aço, trem e crédito num país que preferia fazenda e silêncio.
Era quase um escândalo ambulante.
Se tivesse nascido em outro lugar, talvez fosse o gigante do aço, o Carnegie.
Aqui se viu em desavença com o imperador.
Não precisa da discussão se houve ou não a sabotagem explícita dos seus projetos.
Por aqui basta o desalinhamento.
Basta o clima.








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